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31 Agosto 2017

Há tempos os bispos dos EUA são acusados de se alinharam com a esquerda ou com a direita quando assumem uma posição em questões de política pública. Mas, se vermos a defesa da reforma imigratória promovida por Dom José Gómez, da Arquidiocese de Los Angeles, e ainda pensarmos que eles tomam partido, então teremos de nos perguntar: “O que seria preciso para mudar isto?”

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 30-08-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Aos que acompanham o cenário católico americano, Dom José Gómez é uma figura sempre mais fascinante, e o é por inúmeras razões. Mas talvez a maior delas é que ele é uma “reductio ad absurdum” da noção de que os bispos são, de alguma forma, alinhados com a direita ou a esquerda política quando assumem uma posição em temas de política pública.

Gómez, de 65 anos, está à frente da Arquidiocese de Los Angeles desde que substituiu o Cardeal Roger Mahony. Já nessa época, tal transição foi vista como uma questão ideológica. Hoje com 81 anos, Mahony está em Los Angeles desde 1985, e durante muito tempo foi considerado uma importante força progressista dentro da Igreja, encarnando a visão que o Vaticano II trouxe consigo.

Gómez, por outro lado, apresentou-se com credenciais conservadoras sólidas. Nascido em Monterrey, no México, e atualmente naturalizado americano, já durante os anos de faculdade Gómez se juntou ao Opus Dei, prelazia pessoal da Igreja Católica geralmente vista como conservadora em termos políticos e eclesiais.

(Na realidade, o Opus Deis como tal não possui uma agenda política, porém não há como negar que, em termos sociológicos pelo menos, a maior parte de seus integrantes inclinam-se à direita.)

Gómez iniciou a sua carreira episcopal como bispo auxiliar em Denver, onde atuou próximo a Dom Charles Chaput, hoje na Filadélfia, considerado grandemente conservador. Depois de virar arcebispo de San Antonio em 2004, Gómez dissolveu um departamento arquidiocesano voltado para a paz e a justiça depois que este se opôs a uma emenda constitucional estadual que proibia o casamento homoafetivo, o que ficou demonstrado quando a St. Mary’s University recebeu a candidata Hillary Clinton em 2008. Ele também acolheu calorosamente a decisão do Papa Emérito Bento XVI de ampliar a permissão para se celebrar a antiga missa em latim.

Gómez nunca foi visto como um dos principais representantes de campanhas relacionadas com a justiça social. Ele ficou conhecido como um alguém que destacava a importância da catequese aos latinos, percebendo que estes muitas vezes tinham apenas uma formação perfunctória na fé.

Com certeza, Gómez não pode ser considerado um ideólogo. Ele é contabilista por formação e, na maior parte das vezes, tem uma mentalidade voltada para trabalhos práticos, para “aquilo que funciona”. Mesmo assim, se perguntarmos aos que que o conhecem em que sentido ele tende em termos políticos, a maioria apontará para a direita.

Entretanto, Gómez vem surgindo como o representante mais determinado na Igreja americana daquilo que geralmente se tem como um tema progressista: uma reforma imigratória abrangente, que incluía uma forma para a cidadania aos 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem no país.

Na terça-feira desta semana tivemos mais uma confirmação nesse sentido, quando Gómez publicou um artigo na publicação diocesana Angelus, em que insiste em salvar o programa que impede a deportação de jovens que entraram no país quando eram menores de idade (programa Ação Deferida para Chegadas na Infância ou “Deferred Action for Childhood Arrivals”). No texto, o prelado apresenta um plano para uma reforma do setor.

Isso tudo é particularmente irônico, visto que, na maior parte de sua carreira, Gómez não parecia ter inclinações para um dia se tornar o líder de uma causa moral transcendente.

Durante anos, quando conversávamos com alguns bispos sobre o que achavam de Gómez, o que mais ouvíamos, além do fato de ele ser verdadeiramente um cara legal, era: quieto, sólido e confiável.

Goméz permanece humilde e tímido, dificilmente uma personalidade de alta octanagem como, digamos, o Cardeal Timothy Dolan.

Mesmo assim, nos últimos anos ele transformou em um destacado líder na questão imigratória. Às vezes, ele parece um profeta do Antigo Testamento, denunciando a injustiça e a imoralidade daquilo que chama de um sistema imigratório que tem “dividido, e dividido totalmente, todos os setores”.

O religioso, obviamente, está pronto para liderar. Recentemente, ele lançou um sítio eletrônico chamado “TheNextAmerica.org” em que propõe uma reforma imigratória e onde traz uma série de recursos para ajudar em sua realização.

Dificilmente Gómez é o único arcebispo a falar abertamente na defesa dos imigrantes, mas ele é o único que, com razão, poderá ser o próximo presidente da Conferência dos Bispos e o primeiro cardeal hispânico do país.

A sua influência deverá aumentar na medida em que as tensões em torno da imigração se transformam nos temas candentes da era Trump, isto é, a luta definidora entre o episcopado dos EUA e a Casa Branca.

Aos que conhecem Gómez, é bastante óbvio que a principal preocupação dele em defender os direitos dos imigrantes não é o de colocar de volta um democrata na Casa Branca. O que acontece é que a sua experiência pessoal e pastoral tem lhe ensinado que se trata de um dever moral defender esta causa.

Para voltar aonde começamos, se pudermos olhar para José Gómez e ainda sim acreditar que os bispos estão sendo partidários quando articulam princípios do ensino social católico na esfera pública, haveremos de nos perguntar: “O que seria preciso para mudar isto?”

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