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29 Agosto 2017

A enorme multidão que, em Barcelona, gritou não ter medo depois do grave ataque contra a vida sofrido pela cidade, mostrou força e fraqueza.

O comentário é de Sarantis Thanopulos, psiquiatra e psicanalista greco-italiano, publicado por il Manifesto, 26-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

A força está na vontade de viver contra todas as formas de violência. A fraqueza, que nos une a todos, porque implica a assunção das nossas responsabilidades, reside na ausência de um objeto claro e definido do medo. O que nos faz acreditar que podemos combatê-lo, se não o otimismo que vem do amor pela vida e que, no entanto, não é suficiente?

Luciana Castellina (política e jornalista italiana) teve a coragem (não é pouca coisa nestes dias) de duvidar de que a nossa ideia ocidental de liberdade possa ser uma abordagem válida em nossas relações com um mundo em que a grande maioria dos seres humanos vive em condições de sujeição ao direito do mais forte. Especialmente se usarmos essa ideia, da qual nos orgulhamos, para impô-la como nossa superioridade cultural e ética em relação a eles.

A primeira coisa que devemos sempre levar em conta é que a liberdade é inseparável da igualdade e da fraternidade e perverte-se em pura autorreferencialidade quando se desconecta delas.

Esses valores, nos quais a Revolução Francesa foi a primeira em se reconhecer, existem independentemente das formas e da extensão da suas afirmações políticas e culturais. São as condições fundamentais irrenunciáveis para uma vida boa, ética, a única digna de ser vivida.

Todos os valores verdadeiros derivam deles. O resto são convenções, dogmas ditados pela necessidade ou resultantes de organizações constritivas da existência. Os valores/direitos fundamentais são universais: valem para todos ou não valem para ninguém.

Por sua natureza intrínseca não se reconhecem nas razões de oportunidade: quando sua afirmação torna-se exclusiva, ao invés que inclusiva, são gravemente afetados em sua credibilidade e, no longo prazo, destinados a serem derrotados.

O problema da nossa ideia de liberdade é que foi parasitada, desde o início, por uma concepção que determinou sua presença nas relações de forma avulsa, separada de qualquer sentido de paridade e reciprocidade, respondendo apenas a seus próprios interesses como parte envolvida. Em nossas relações com os países 'atrasados' essa ideia perversa da liberdade regularmente acaba, quase sempre, se sobressaindo.

Liberdade, igualdade, fraternidade subsistem apenas nos vínculos entre diferenças que se respeitam e estabelecem trocas paritárias entre si.

Essa é a sua força, mas também a sua vulnerabilidade: a diferença de uns pode ferir a diferença dos outros. A violência é o preço que se paga quando as feridas são ignoradas, desprezadas, quando as diferenças entre as formas de ser são transformadas em diferenças de renda dentro de um sistema de relações de troca fundamentado em relações de poder.

Nós costumamos pensar na integração como assimilação de uma cultura inferior por uma cultura superior, e nos atribuímos uma posição de superioridade ética porque consideramos a nós mesmos como detentores dos valores fundamentais.

A integração, ao contrário, é encontro/troca paritário entre diferentes perspectivas e modos de ser e funciona como matriz viva de concepções de viver novas, mais amplas e abertas à descoberta.

Os valores fundamentais regulam o processo da integração e são propriedade de todos, não privilégio, vantagem de uma das partes.

Não devemos ter medo de contrastar a nossa covardia/arrogância. De dizer para aqueles que criticam o trabalho das ONGs no resgate de migrantes - porque os criminosos poderiam tirar proveito delas, sem levar em consideração a quantidade de vidas que elas salvam – que, no plano ético, estão na mesma posição dos contrabandistas.

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