Pesquisador explica por que agrotóxicos são principais culpados por desaparecimento de abelhas

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23 Agosto 2017

Lionel Gonçalves afirma que risco de um mundo sem abelhas já está próximo; geneticista que criou a campanha ‘bee or not to be’ aponta utilização de pesticidas com nicotina.

A reportagem é de Izabela Sanchez e publicada por De Olho nos Ruralistas, 21-08-2017.

De Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o professor Dr. Lionel Segui Gonçalves conquistou renome ao redor do globo ao se especializar em abelhas. Professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), o geneticista não traz boas notícias. Há mais de 10 anos as abelhas têm desaparecido em diversos países do mundo. E qual o principal culpado? Segundo o especialista, o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Gonçalves criou a campanha Bee or not to be (Sem Abelhas, Sem Alimento). Em tradução mais próxima da literal, “Ter abelhas ou não ser”. A campanha divulga a importância das abelhas para a sobrevivência da agricultura e da alimentação em todo o mundo. O professor explica que as diversas agressões ao meio ambiente estão relacionadas à chamada Colony Colapse Disorder (CDC), algo como Transtorno do Colapso das Colônias.

São várias as causas para o desaparecimento e a morte das abelhas: desmatamentos, variações climáticas e agentes patogênicos (vírus, bactérias, ácaros), entre outros. Mas é o uso dos pesticidas, explica o pesquisador, o principal causador da CDC. Os agrotóxicos que possuem nicotina em suas fórmulas – os neonicotinoides – bloqueiam as comunicações entre as células do sistema nervoso dos insetos, as sinapses.

Assim, quando elas saem em busca e néctar e pólen e se contaminam com esses agrotóxicos, têm um bloqueio no cérebro que causa amnésia. “Ela esquece do local de onde veio e acaba se perdendo na natureza, desaparecendo”, conta Gonçalves. É a chamada síndrome do desaparecimento.

Nordeste tem situação crítica

O Nordeste responde por 1/3 de toda a produção apícola do país. É lá, também, segundo o professor, que se encontra a situação mais crítica para a existência das abelhas. Além das agressões ao meio ambiente, o semiárido da região sofre com a falta de investimento em tecnologias menos agressivas. Uma das alternativas é o uso de colmeias sob a proteção de vegetações, para evitar as insolações e fornecer água potável. Há também técnicas de manejo apropriadas ao clima da região, para melhor conforto das abelhas e dos apicultores.

A desvalorização dos apicultores que fornecem as colmeias também ameaça a polinização de alimentos no Brasil. No Rio Grande do Norte, líder nacional de produção de melões, os produtores pagam valores irrisórios aos apicultores, conta o pesquisador, e promovem a morte das abelhas pelo excesso de agrotóxicos:

– Embora a polinização da flor do melão seja altamente dependente das abelhas, o preço do aluguel por colmeia pago aos apicultores oscila entre R$ 20,00 e R$ 30,00. Como se usa muito agrotóxico nessa cultura para combater as pragas, geralmente há muita perda de abelhas devido ao uso indiscriminado dos pesticidas, fato que ultimamente vem desestimulando os apicultores a colocarem suas abelhas nas culturas de melão.

Na China, homens-abelhas

O cenário sem abelhas, segundo Gonçalves, já existe. Ele conta que na região de Sichuan, na China, as abelhas desapareceram. Hoje as pessoas tentam realizar o trabalho de polinização de forma manual. São os chamados “homens-abelhas”. Eles sobem nas árvores com varas que contêm, em uma das extremidades, pelugens de pássaros que foram colocadas em vasilhas com pólen.

O desaparecimento das abelhas na região ocorreu por causa do excesso de pesticidas com nicotina.

O professor lamenta a substituição dos insetos por trabalhadores, ou mesmo pela robótica:

– Pela complexidade e perfeição de uma abelha que resulta de milhares de anos de evolução, o trabalho desses maravilhosos insetos na natureza jamais será substituído pelas ações do homem nem pelos mais robustos ou aperfeiçoados robôs. É atribuída a Albert Einstein a frase: “Se as abelhas vierem a desaparecer da face da Terra quatro anos após o homem também desaparecerá”.

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