É triste quando os católicos se sentem perfeitos, diz o Papa Francisco

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10 Agosto 2017

É “triste” que também hoje haja “tantos católicos” que, como os escribas da época de Jesus, “se acham perfeitos e desprezam os outros”, disse o Papa Francisco durante a Audiência Geral na Aula Paulo VI, durante a qual destacou que muitos, “também hoje, persistem em uma vida errada, porque não encontram ninguém disponível para olhá-los ou olhá-los de modo diferente, com os olhos, ou melhor, com o coração de Deus, isto é, com esperança”. Lembrou que a Igreja, seguindo o caminho de Jesus que se aproxima dos pecadores, “é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus”. Ao final da catequese, o Pontífice argentino fez um forte apelo para que “cesse toda forma de ódio e de violência” na Nigéria e “que nunca mais se repitam crimes tão vergonhosos, perpetrados em lugares de culto, onde os fiéis se reúnem para rezar”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 09-08-2017. A tradução é de André Langer.

O Papa deu continuidade ao seu ciclo de catequese dedicado à esperança cristã e refletiu sobre o relato do Evangelho em que Jesus realiza um gesto “escandaloso” ao aceitar, enquanto se encontrava como hóspede na casa de Simão, que uma prostituta se inclinasse aos seus pés e derramasse óleo perfumado. “Todos os que estavam na mesa murmuravam: se Jesus é um profeta, não deveria aceitar gestos deste tipo de uma mulher como esta. Desprezo. Aquelas mulheres, coitadas, que só serviam para serem visitadas às escondidas, inclusive pelos chefes, ou para serem apedrejadas. De acordo com a mentalidade dessa época, entre o santo e o pecador, entre o puro e impuro, a separação tinha que ser clara. Mas a atitude de Jesus é diferente. Desde o início do seu ministério público na Galileia, ele se aproxima dos leprosos, dos endemoniados, dos doentes e dos marginalizados. Um comportamento deste tipo não era nada comum; tanto é verdade que esta simpatia de Jesus pelos excluídos, pelos ‘intocáveis’, será uma das coisas que mais desconcertarão seus conterrâneos”. O Papa lembrou: “Muitos, também hoje, persistem em uma vida errada, porque não encontram ninguém disponível para olhá-los ou olhá-los de modo diferente, com os olhos, ou melhor, com o coração de Deus, isto é, com esperança”.

Jesus, ao contrário, “vê uma possibilidade de ressurreição também em quem acumulou tantas escolhas erradas. Jesus sempre está aí, com o coração aberto; oferecendo essa misericórdia que tem no coração; perdoa, abraça, entende, se aproxima... Assim é Jesus”. Os Evangelhos “registram as primeiras reações negativas em relação a Jesus justamente quando Ele perdoou os pecados de um homem. Era um homem que sofria duplamente: porque não podia caminhar e porque se sentia ‘errado. E Jesus – insistiu o Papa – entende que a segunda dor é maior que a primeira, tanto que o acolhe com um anúncio de libertação: ‘Filho, teus pecados estão perdoados’. Liberta-o daquele sentimento de opressão de sentir-se errado. É então que alguns escribas (aqueles que se achavam perfeitos: eu penso em tantos católicos que se acham perfeitos e desprezam os outros... isso é triste) ali presentes se escandalizaram com as palavras de Jesus, que soam como uma blasfêmia, porque só Deus pode perdoar os pecados”.

“Nós, que estamos acostumados a experimentar o perdão dos pecados, talvez a bom preço”, destacou Francisco, “deveríamos também recordar quanto custamos ao amor de Deus. Jesus não vai à cruz porque cura os enfermos, porque prega a caridade, porque proclama as bem-aventuranças. O Filho de Deus vai à cruz, sobretudo, porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total, definitiva, do coração do homem. Porque não aceita que o ser humano consuma toda a sua existência com esta ‘tatuagem’ que não se apaga nunca mais, com o pensamento de não poder ser acolhido pelo coração misericordioso de Deus”.

Os pecadores não apenas são “consolados em nível psicológico”, mas Jesus lhes oferece “a esperança de uma vida nova”. “Mateus, o publicano, converte-se em apóstolo de Cristo; Mateus, que era um traidor da pátria, um explorador do povo. Zaqueu, rico corrupto: este seguramente tinha um título em propinas, eh? Zaqueu, rico corrupto de Jericó, transforma-se em um benfeitor dos pobres. A samaritana, que tinha cinco maridos e agora convive com outro, recebe a promessa da ‘água viva’ que poderá brotar eternamente dentro dela”.

O Papa concluiu a catequese afirmando que “faz bem a todos nós pensar que Deus não escolheu como primeira massa para formar sua Igreja as pessoas que nunca erram. A igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus. Pedro compreendeu melhor a verdade sobre si mesmo no momento em que o galo cantou, do que dos seus impulsos de generosidade, que lhe enchiam o peito, fazendo-se sentir superior aos outros. Irmãos e irmãs, somos todos pobres pecadores e necessitados da misericórdia de Deus que tem a força de nos transformar e nos devolver a esperança, e isso cada dia”.

Depois da catequese, o Papa Francisco fez um apelo para por um fim à violência contra as comunidades cristãs na Nigéria e na República Centro-Africana: “Provocou-me profunda dor a chacina que aconteceu no domingo passado na Nigéria, no interior de uma igreja, onde foram assassinadas pessoas inocentes. Infelizmente, hoje pela manhã, chegaram notícias de violências homicidas contra as comunidades cristãs da República Centro-Africana. Desejo que cesse toda forma de ódio e de violência e que não se repitam nunca mais crimes tão vergonhosos, perpetrados em lugares de culto, onde os fiéis se reúnem para rezar. Pensemos em nossos irmãos e irmãs na Nigéria e na República Centro-Africana, e rezemos todos juntos por eles”.

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