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07 Agosto 2017

Violência disseminada, dezenas de mortes, a suspeita de fraude. As notícias que chegam de Caracas nesses últimos dias ao Vaticano levaram a Santa Sé a entrar em campo e solicitar a suspensão da nova Assembleia Constituinte que, segundo os bispos do país, “ao invés de promover a reconciliação e a paz, fomenta um clima de tensão e de confronto e compromete o futuro". "É ilegal porque não foi convocada pelo povo", afirmou recentemente, o Cardeal Jorge Urosa Savino, arcebispo da capital e presidente honorário da Conferência Episcopal da Venezuela.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por Repubblica, 05-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Urosa Savino e outros cinco bispos do país foram recebidos no dia 9 de junho pelo Papa no Vaticano quando entregaram um dossiê sobre as pessoas mortas durante os protestos de rua contra o governo e as informações sobre a crise humanitária no país. São eles que em Caracas foram guindo os passos do Secretário de Estado até chegar à declaração de ontem. A diplomacia do Vaticano, que tem no cardeal Pietro Parolin seu maior expoente, nunca age com fins políticos, mas para "o bem daquela população", como destacou recentemente o próprio Parolin, que foi núncio em Caracas por vários anos. Várias vezes o cardeal fez questão de ressaltar a equidistância da Santa Sé em relação a Maduro, assim como da oposição. O cardeal Urosa Savino declarou de novo, recentemente, que a Igreja na Venezuela "não está do lado da oposição, mas apoia a maioria do nosso povo", que "quer uma mudança de governo" e "quer fazê-lo de forma pacífica".

Claro, Maduro teve nos últimos meses a possibilidade de uma linha direta com o Papa. Em abril de 2016 foi recebido por Francisco em uma audiência não agendada. O Papa ouviu o presidente venezuelano, preocupado com o bem de todos, sem distinção, e chamando cada um para suas próprias responsabilidades. Já em 2016 sua representação diplomática tinha sentado como agente facilitador, em conjunto com a União da Nações da América do Sul (Unasul), à mesa de mediação entre o governo e a oposição, primeiro com a núncio apostólico na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, e depois com o Arcebispo Claudio Maria Celli, diplomata de longa data. Mas a tentativa, como explicou o próprio Francisco no vôo de volta do Egito, "não produziu resultados, porque as propostas não eram aceitas ou eram diluídas".

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