Estados Unidos. As Forças Armadas de Trump discriminam transgêneros

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28 Julho 2017

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, ontem, que as Forças Armadas não aceitarão pessoas trans por causa dos enormes custos médicos e a perturbação que implicariam. Esta medida que anula um decreto do ex-presidente Barack Obama, gerou repúdio entre organizações civis, defensores dos direitos LGBT e dirigentes políticos dos dois partidos.

A reportagem é publicada por Página/12, 27-07-2017. A tradução é do Cepat.

“Após consultar meus generais e especialistas, por favor, fiquem inteirados de que o governo dos Estados Unidos não aceitará e nem permitirá que indivíduos transgêneros sirvam de qualquer maneira as Forças Armadas dos Estados Unidos”, afirmou Trump, na rede social Twitter. Em outra mensagem, destacou que as Forças Armadas devem se centrar na vitória decisiva e arrasadora, e não podem ser obstaculizadas com os enormes custos médicos e a perturbação que os transgêneros implicariam.

Por sua parte, a Casa Branca fazia esforços, ontem, para explicar como se aplicará a proibição a pessoas transexuais de servir no Exército. “Foi uma decisão militar. É uma questão de preparação militar, de coesão de tropas e de financiamento no Exército e nada mais”, explicou Sarah Huckabee Sanders, porta-voz da Casa Branca. Ao ser bombardeada de perguntas sobre o destino dos militares transexuais que atualmente estão na ativa, que incluem aqueles que estão no Afeganistão e Iraque, Sanders rejeitou adiantar informação sobre sua eventual desmobilização. “A aplicação deste anúncio será estudada depois com o Pentágono”, acrescentou. O Pentágono, no entanto, parece ter sido tomado de surpresa com este anúncio, em um momento em que seu titular, Jim Mattis, se encontra de férias. “Daremos instruções em breve”, comentou, sem mais, seu porta-voz, o capitão Jeff Davis, remetendo todas as dúvidas à Casa Branca.

Em junho de 2016, o então secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, anunciou que as Forças Armadas começariam a aceitar em suas fileiras pessoas trans e que se tornariam responsáveis pelo custo dos tratamentos ou cirurgias pelas quais elas optassem. “Com efeito imediato, os estadunidenses transgêneros poderão servir abertamente”, havia anunciado Carter. O último passo no caminho para uma abertura de gênero das Forças Armadas estadunidenses havia sido dado pelo presidente democrata Bill Clinton, quando instalou a doutrina “não diga, não pergunte”. Segundo esta política, qualquer membro ou aspirante a ingressar nas forças armadas poderia não informar sobre sua identidade sexual ou de gênero e a instituição deveria respeitar este silêncio.

Apesar de o anúncio do governo de Obama ter conquistado os aplausos de um setor importante do país, a medida tinha como data de início real o primeiro de julho deste ano. A medida era ambiciosa já que implicava ajustes no sistema médico militar e no custo de tratamentos, pois os médicos das Forças Armadas não estão preparados para atender as pessoas trans, que segundo a Associação de Médicos dos Estados Unidos (JAMA) chegam a 13.000. Com o aumento do orçamento para as Forças Armadas, que receberá 54 bilhões de dólares extras, não parece que o problema tenha sido de dinheiro.

No entanto, horas antes que a medida entrasse em vigor, no dia 30 de junho passado, o Pentágono anunciou uma prorrogação de seis meses (até o dia primeiro de janeiro de 2018) para revisar os planos e o possível impacto na preparação e poder letal das Forças Armadas. Durante toda a campanha eleitoral, Trump havia se mostrado a favor da igualdade de direitos para a comunidade LGBT. “Obrigado à comunidade LGBT! Lutarei por vocês, ao passo que Hillary (Clinton) traz mais gente que ameaçará suas liberdades e crenças”, escreveu, em junho do ano passado, no Twitter. No entanto, ontem, após anunciar a nova decisão, escreveu uma mensagem com a qual enterrou suas ideias anteriores acerca da igualdade de gênero. “Nos Estados Unidos não adoramos governos, adoramos a Deus!”, escreveu Trump, em letras maiúsculas.

Por sua parte, organizações e referências civis no tema, imediatamente, criticaram a decisão do governo. “Novamente, as ações do presidente Trump falam mais que suas palavras”, escreveu no Twitter a União Estadunidense pelas liberdades Civis (ACLU, em sua sigla em inglês), destacando que a medida significa um retrocesso na marcha para a justiça. “A decisão de Trump equivale a um ataque espantoso e ignorante contra nossos militares e nossos soldados transgêneros, a discriminação lesa a preparação militar”, destacou Aaron Belkin, diretor da Pal Center, uma organização que defende os direitos da comunidade LGBTQ, citado pela agência de notícias Reuters.

Por outro lado, Chelsea Manning, a ex-analista de Inteligência que ficou sete anos presa por vazar documentos classificados ao portal Wikileaks e que realizou um tratamento de mudança de gênero enquanto cumpria sua pena em uma prisão militar, opinou que é necessário desmantelar o complexo militar e usar os fundos para reforçar o cuidado à saúde. “(A decisão de) Hoje é outra razão pela qual devemos desmantelar o sangrento e perigoso estado militar/policial/de inteligência para financiar a saúde”, escreveu Chelsea, que ingressou no serviço militar como Bradley e, durante sua prisão, começou um tratamento hormonal para mudar de gênero.

Além disso, a ex-analista se questionou como é que a terra chora por uns poucos trans, mas não menciona nada sobre os fundos para os F-35, referindo-se à negociação entre a empresa Lockeed Martin e vários governos aliados, entre eles os Estados Unidos, para selar um dos maiores acordos militares da história moderna: a compra de 440 aviões de combate F-35, por uma soma entre 35 e 40 bilhões de dólares.

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