Francisco na Colômbia, país suspenso entre a guerra e a paz

Revista ihu on-line

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

Mais Lidos

  • O “ódio consciente” ao Papa Francisco é o sinal mais evidente do “ódio inconsciente” que grande parte do clero tem pelo Evangelho. Artigo de José María Castillo

    LER MAIS
  • Habermas, 90 anos de inquietude filosófica

    LER MAIS
  • O drama do degelo da Groenlândia em uma só foto

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

21 Julho 2017

A Colômbia, que o Papa Francisco irá visitar de 6 a 11 de setembro, é um país que entrou em uma nova fase histórica, ainda que haja muitas incógnitas e incertezas: o desarmamento das forças armadas do mais importante e antigo grupo armado da América Latina e, em seguida, como esperam milhões de colombianos, o fim da guerra civil que começou há mais de meio século.

A reportagem é de Luis Badilla e Francesco Gagliano, publicada por Vatican Insider, 20-07-2017. A tradução é do Cepat.

Parece incrível que este terrível conflito, que custou a vida de ao menos 220.000 pessoas, tenha sido resolvido (ao menos do ponto de vista político e jurídico) não mediante a “via militar”, como há décadas pregava uma parte da política colombiana, mas, sim, com o uso paciente do diálogo, no qual o presidente Juan Manuel Santos nunca deixou de acreditar (e, às vezes, contra toda a esperança), razão pela qual recebeu o Nobel da Paz, em 2016. É preciso ressaltar que este desafio do presidente Santos sempre teve, em público e em particular, o apoio do Papa Francisco e do episcopado local, que teve no complexo processo de negociação (que começou entre 2011 e 2012 e culminou no encontro de 2016, em Havana, Cuba, entre Santos e o líder das FARC, Timochenko) um papel relevante e fundamental.

Os dois sacerdotes mártires que serão beatos

Os dois próximos novos beatos, dom Jesús Emilio Jaramillo Monsalve e o padre Pietro María Ramírez Ramos, que o Papa proclamará na Colômbia, são símbolo dos anseios da nação colombiana: verdade, justiça e reconciliação, após 70 anos de guerra civil cruel e ininterrupta, que provocou mais de 550.000 mortos. A celebração eucarística com duas beatificações, que Francisco presidirá no dia 8 de setembro na cidade de Villavicencio, será a alma da vigésima viagem internacional do Pontífice. O Papa deseja acompanhar, o mais perto e visivelmente possível, não só o frágil e complexo caminho para uma paz duradoura e autêntica que o povo colombiano empreendeu, como também pretende que todas as vítimas, quase sempre civis inocentes, sejam o centro deste processo.

A Colômbia, com os Acordos de paz assinados com a ex-guerrilha das FARC, em outubro do ano passado, não apenas pretende encerrar os anos da violência política e ideológica dos enfrentamentos com os grupos armados marxista-leninistas, que começaram durante os primeiros anos da década de 1960, como também as múltiplas “heranças” do período anterior (de 1948 a 1958), década conhecida com o nome “A Violência”, durante a qual o Partido Conservador e o Partido Liberal se enfrentaram com as armas. Esta primeira década de sangue não se encerrou nem sequer após a assinatura de um acordo entre os dois partidos e o retorno à democracia. De 1948, ano do assassinato do líder liberal católico Jorge Eliecer Gaitán, causa que desencadeou a guerra civil, até há pouquíssimos meses, passaram-se quase 70 anos; os mortos foram mais de 500.000, dos quais 220.000 perderam a vida entre 1960 e 2016.

Caminhando para a paz...

A Colômbia será a sexta nação da América Latina a receber a visita do Papa Francisco, desde que começou seu Pontificado (1). Com esta viagem, o Papa completará nestas terras latino-americanas um arco temporal singular: 27 dias de ministério petrino em sua terra, tão amada e profundamente conhecida por Francisco. Bergoglio visitou frequentemente a Colômbia, durante suas atividades no Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), cuja sede, desde sua fundação, no longínquo 1956, fica na capital colombiana Santa Fé de Bogotá.

Desafios que precisam ser superados para garantir a paz

Há cerca de seis meses, a Colômbia é um país “a caminho da paz”. Parece que agora, apesar das poderosas resistências, tanto interiores como exteriores, o processo consolidou sua posição irreversível, uma condição que o Papa Francisco, ao voltar de sua viagem de Azerbaijão (no dia 2 de outubro de 2016), disse que era essencial antes de se comprometer a realizar sua visita apostólica. “Eu gostaria de ir quando tudo estiver “blindado”, disse.

E agora chegou o momento. A pacificação está ocorrendo e todas as suas condições principais e estratégicas foram respeitadas, tanto por parte do governo, como por parte da ex-guerrilha. O apoio da ONU e várias nações amigas também funcionou bem. Mas, para que este processo seja ainda mais incisivo e definitivo faltam algumas condições: a primeira é um Acordo de Paz com o segundo grupo armado, o Exército de Libertação Nacional (ELN), e isto depende dos progressos entre as partes que estão em negociação no Equador.

A segunda condição talvez seja a mais difícil, como demonstram algumas das recentes pesquisas: que a maior parte do povo colombiano adquira uma consciência séria e duradoura de que a paz é necessária e urgente e, sobretudo, que abandone dois sentimentos muito difundidos: por um lado, o fatalismo dos que nasceram e cresceram na violência e, portanto, a consideram normal; por outro, a desconfiança na política e nos políticos que, durante muito tempo, juntaram suas fortunas eleitorais utilizando a guerra e a paz como artifício demagógico.

A presença e o magistério do Papa em quatro cidades importantes e estratégicas do país (Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena) também será, certamente, determinante para superar estes atrasos, algo considerado essencial pelos bispos colombianos para alcançar uma paz verdadeira, autêntica e sólida.

Notas

(1) Viagens à América Latina:
- Brasil (22-29 de julho de 2013)  
- Equador, Bolívia e Paraguai (6-12 de julho de 2015)  
- Cuba (19-22 de setembro de 2015)  
- México (12-18 de fevereiro de 2016)  
- Colômbia (6-11 de setembro de 2017)  

***  

Chile - Peru (15-21 de janeiro de 2018) 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Francisco na Colômbia, país suspenso entre a guerra e a paz - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV