Um guia para compreender a quarta Revolução Industrial

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30 Maio 2017

As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”, dessa forma Klaus Schwab anuncia o nascedouro daquela que já é considerada a mais desconcertante revolução produtiva em curso na história da humanidade.

Schwab é o autor do livro A quarta revolução industrial, editado no Brasil pela Edipro (2016). O livro foi escrito para o encontro de 2016 do Fórum Econômico Mundial que teve como tema ‘Para dominar a Quarta Revolução Industrial’. O autor é economista e um dos idealizadores do encontro que reúne anualmente a meca do capitalismo mundial em Davos (Suiça).

Na sequência apresentamos uma resenha do livro elaborado por Cesar Sanson, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, parceiro e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

O livro integra a programação do ciclo ‘Revolução 4.0, Inteligência Artificial e Internet das Coisas. Impactos no modo de produzir e viver’ promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

O livro será apresentado e debatido, hoje, às 19h30min na Sala Ignacio Ellacuría e companheiros, Unisinos – campus São Leopoldo.

Eis a resenha.

A 4ª Revolução Industrial já está entre nós

O livro A quarta revolução industrial é apresentado por seu autor como “porta de entrada” e “guia” para a compreensão das implicações econômicas, política e social da quarta Revolução Industrial. O autor assim define o seu objetivo com a obra: “Minha intenção é oferecer uma cartilha sobre a quarta revolução industrial: O que é? O que gerará? Que impactos causará a nós?”

Na opinião de Schawb já está em curso a quarta Revolução Industrial. Segundo ele, alguns acadêmicos e profissionais consideram que a inovações tecnológicas em curso - inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, armazenamento de energia e computação quântica – são somente mais um aspecto da terceira Revolução Industrial. Três razões, no entanto, sustentam para o autor a convicção da ocorrência de uma quarta e distinta revolução: a velocidade, profundidade e impacto sistêmico que a conduz.

Revoluções produtivas desencadeiam alterações profundas no modo de produzir e por extensão nas estruturas sociais e econômicas. Mudam radicalmente as sociedades. Deixaram para trás um modelo – uma forma e uma visão – de vida e de mundo que não retorna mais. Para Schwab é isso que está acontecendo.

Ele cita as revoluções anteriores para dar força ao seu argumento. A Revolução Agrícola (10 mil anos atrás) se fez possível pelas inovações tecnológicas que permitiram domesticar a terra; a 1ª Revolução Industrial (1760 e 1840) foi possível graças à máquina a vapor e ferrovias; a 2ª Revolução Industrial (final do séc. XIX) pelo advento da eletricidade e da linha de montagem; a  (década de 60) em função da revolução digital, do computador.

Agora, nessa virada de século, iniciamos a 4ª Revolução Industrial e como nas revoluções anteriores, inovações tecnológicas a impulsionam: inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, armazenamento de energia. “O que torna a quarta revolução industrial fundamentalmente diferente das anteriores é a fusão de tecnologias e a interação entre os domínios físicos, digitais e biológicos”, afirma o autor.

A premissa é de que a quarta revolução irá mudar tudo. Segundo o autor, a velocidade das inovações e seus impactos são gigantescos. Para dar números de sua grandiosidade cita o fato de que na década de 1990, pouco tempo atrás, as três grandes de Detroit valiam no mercado US$ 36 bilhões e empregavam 1,2 milhões de trabalhadores. Hoje, as três maiores do Vale do Silício valem US$ 247 bilhões e empregam apenas 137 mil trabalhadores.

Assistimos, diz ele, a disruptores que evidenciam o caráter vertiginoso das mudanças: Airbnb, Uber, Alibaba, Google (carro autônomo), WhatsApp são manifestações de algo recentíssimo. O capitalismo está mudando: “O Uber, a maior empresa de táxis do mundo, não possui sequer um veículo. O Facebook, o proprietário de mídia mais popular do mundo, não cria nenhum conteúdo. Alibaba, o varejista mais valioso, não possui estoques. E o Airbnb, o maior provedor de hospedagem do mundo, não possui sequer um imóvel”, destaca Tom Goodwin citado por pelo autor.

Schwab faz um alerta: “A questão para todas as indústrias e empresas, sem exceção, não é mais ‘haverá ruptura em minha empresa?’, mas ‘quando ocorrerá a ruptura, quanto irá demorar e como ela afetará a mim e a minha organização?’”.

As megatendências da 4ª Revolução Industrial

Quais são as tecnologias que irão impulsionar a quarta Revolução Industrial? Segundo o autor, situam-se em três categorias: física, digital e biológica e todas as três estão inter-relacionadas.

Na categoria física, as quatro principais manifestações são: veículos autônomos, impressão em 3D, robótica avançada e novos materiais.

Veículos autônomos diz respeito a carros, caminhões, aviões, barcos e drones que sem condutor serão capazes de executar várias tarefas. Impressão 3D: Consiste na fabricação de um objeto por impressão, camada sobre camada, de um modelo ou desenho digital em 3D. O processo é o oposto da fabricação substrativa, isto é, a forma como os objetos foram construídos até agora: as camadas são removidas de um bloco de material até que a forma desejada seja obtida. Por contraste, a impressão em 3D começa com um material desarticulado e, em seguida, cria um objeto em três dimensões por meio de modelo digital. Robótica avançada: Superação de tarefas rígidas e interação. Avanço de sensores que capacitam os robôs a compreenderem melhor o seu ambiente e empenharem-se em tarefas variadas. Novos materiais: Mais leves, mais fortes, recicláveis e adaptáveis. Destacam-se aqui os nanomateriais como o grafeno (200 vezes mais forte que o aço, milhões de vezes mais fino que um cabelo humano e eficiente condutor de calor e eletricidade).

A categoria digital, diz respeito a Internet das coisas – IdC - relação entre as coisas serviços e pessoas através de plataformas digitais – aplicativos, a possibilidade de rastreamento, monitoramento de produtos e também de pessoas.

Na categoria biológica, o autor destaca as inovações no campo da biologia, particularmente na genética. Cita os avanços gigantescos no seqüenciamento genético. Destaca que o projeto genoma levou dez anos para ser concluído a um custo de US$ 2,7 bilhões. Hoje, um sequenciamento de genoma é feito em poucas horas e custa menos de US$ 1 mil. O próximo passo, diz ele, é a biologia sintética capaz de modificar organismos já existentes, alterando seus códigos genéticos possibilitando a criação de organismos personalizados. Os cientistas esperam criar micróbios que possam combater o câncer e outras doenças para as quais ainda não temos cura (medicina de precisão). Outra área é a da engenharia genética, a capacidade de interferir e modificar seres vivos (animais, plantas) e adaptá-los a condições adversas. Situa-se aqui a possibilidade do xenotransplantes, a recriação de órgãos.

Os pontos de inflexão. As coisas já estão acontecendo

Klaus Schwab destaca 21 pontos de inflexão já em curso na sociedade mundial que manifestam o caráter disruptivo da 4ª Revolução Industrial. Esses pontos estão ancorados numa pesquisa realizada com 800 executivos de todo o mundo para avaliar as expectativas com as mudanças. Os resultados se encontram no relatório ‘Mudança Profunda – Pontos de Inflexão Tecnológicos e Impactos Sociais’ publicado em setembro de 2015 e apresentado no livro.

Destacamos aqui alguns pontos:

Tecnologias implantáveis

O ponto de inflexão: o primeiro telefone celular implantável e disponível comercialmente;

Até 2025: 82% dos entrevistados esperam que este ponto de inflexão ocorra

Do que se trata: dispositivos implantados no corpo permitindo a comunicação, localização, monitoramento (saúde);

A visão como uma nova interface

O ponto de inflexão: 10% de óculos de leitura conectados à internet.

Até 2025: 86% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: Óculos, lentes/fones de ouvido e dispositivo de rastreamento podem se tornar ‘inteligentes’ e levar os olhos e a visão a se tornarem a conexão com a internet e os dispositivos conectados.

Tecnologia vestível

O ponto de inflexão: 10% das pessoas com roupas conectadas à internet.

Até 2025: 91% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: As tecnologias que se encontram nos celulares estar integrada em roupas e acessórios (ex. baba eletrônica vestível – pais sendo substituído pelos sensores).

Armazenamento de dados para todos

O ponto de inflexão: 90% das pessoas com armazenamento de dados ilimitados e gratuito.

Até 2025: 91% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: usuários terão acesso a plataformas (nuvens) para armazenar os seus dados gratuitamente sem se preocupar em ‘apagar’ para liberar mais espaço.

A internet das coisas e para as coisas

O ponto de inflexão: 1 trilhão de sensores conectados à internet.

Até 2025: 89% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: Sensores inteligentes para monitorar ‘tudo’ conectado à internet – percepção do ambiente de forma integral.

A casa conectada

O ponto de inflexão: 50% do tráfego da internet consumida nas casas e aparelhos dispositivos.

Até 2025: 71% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: Controle da energia, ventilação, ar-condicionado, áudio e vídeo, eletrodomésticos, sistema de segurança, robôs para serviços.

Cidades inteligentes

O ponto de inflexão: A primeira cidade com mais de 50 mil pessoas e sem semáforos.

Até 2025: 64% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra

Do que se trata: cidades conectarão serviços, redes públicas e estradas à internet.

Big data e as decisões

O ponto de inflexão: O primeiro governo a substituir o censo por fontes de big data.

Até 2025: 83% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: coleta e automatização de dados para servir cidadãos e clientes.

Carro sem motorista

O ponto de inflexão: Carros sem motoristas chegarão a 10% de todos os automóveis em uso nos EUA.

Até 2025: 79% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: carros que dispensam o motorista, mais eficientes e seguros.

A inteligência artificial (IA) e a tomada de decisões

O ponto de inflexão: A primeira máquina de IA a fazer parte de um conselho de administração.

Até 2025: 45% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: armazenamento de dados e informações que auxiliam nas decisões complexas (algoritmos).

Robótica e serviços

O ponto de inflexão: O primeiro farmacêutico robótico dos EUA.

Até 2025: 86% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: robôs agilizando as cadeias de fornecimento.

Bitcoins e blockchain

O ponto de inflexão: 10% do PIB armazenado pela tecnologia de blockchain.

Até 2025: 58% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: moedas e transações digitais.

Economia compartilhada

O ponto de inflexão: globalmente, mais viagens/trajetos por meio de compartilhamento do em carros particulares.

Até 2025: 67% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: compartilhamento e uso de um bem/ativo físico

Ex – uso do carro em comum, da casa... etc

Impressão em 3D e fabricação

O ponto de inflexão: a produção do primeiro carro em 3D.

Até 2025: 84% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra

Do que se trata: Produtos complexos sem equipamentos complexos.

A impressora 3D utilizando plástico, alumínio, aço inoxidável, ligas de cerâmica simultaneamente em processo de fabricação aditiva.

Impressão em 3D e saúde humana

O ponto de inflexão: o primeiro transplante de um fígado impresso em 3D.
Até 2025: 76% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.
Do que se trata: utilização de material específicos para produzir órgãos a partir de um modelo digital.

Impressão em 3D e produtos de consumo

O ponto de inflexão: 5% dos produtos aos consumidores impressos em 3D.

Até 2025: 81% dos entrevistados esperam que esse ponto de inflexão ocorra.

Do que se trata: impressão de eletrodomésticos, por exemplo, feitos por qualquer um que tenha uma impressora.

Seres projetados

O ponto de inflexão: nascimento do primeiro ser humano cujo genoma foi direta e deliberadamente editado.

Do que se trata: o barateamento do sequenciamento do genoma humano possibilita a expansão de experimentos.

Neurotecnologias

O ponto de inflexão: O primeiro humano com memória totalmente artificial implantada no cérebro.

Do que se trata: monitorar e comandar a atividade do cérebro.

Impactos da quarta Revolução Industrial

Mercado de trabalho

Na escala e amplitude, a atual revolução tecnológica irá desdobrar-se em mudanças econômicas, sociais e culturais de proporções tão fenomenais que chega ser quase impossível prevê-las, alerta Klaus Schwab.

Particularmente, no mundo do trabalho, a 4ª Revolução Industrial será devastadora. O autor comenta que há duas posições em debate: Aqueles que acreditam num final feliz (trabalhadores deslocados pela tecnologia encontrarão novos empregos desencadeados pelas novas tecnologias) e aqueles que vêem um processo crescente de destruição de empregos. O que está claro é que a onda de inovações irá alterar profundamente a estrutura ocupacional.

Um estudo da Oxfam Martin School afirma que os efeitos das inovações tecnológicas afetará 702 profissões. O estudo aponta ainda que 47% do emprego total nos EUA está em risco, ou seja, sofrerá profunda transformação. Haverá alteração também da remuneração: cargos criativos e cognitivos de altos salários e ocupações manuais de baixos salários. Muitas relações de trabalho serão alteradas (no sentido de mudança do padrão do emprego tradicional). Cada vez um número maior de empregadores utilizará a ‘nuvem humana’ – trabalhadores que podem ser localizados em qualquer parte do mundo para resolução de problemas e projetos. As vantagens são a flexibilidade no trabalho, tempo e local. As desvantagens, porém, é de que se trata de trabalho não regulamentado.

Uma coisa é certa, ainda não é possível prever o que exatamente acontecerá, mas o talento, mais que o capital, representará o fator crucial de produção, diz Schwab. Teremos um mercado de trabalho cada vez mais segregado em segmentos de baixa competência/baixo salário e alta competência/alto salário. A quarta revolução industrial exigirá e enfatizará a capacidade dos trabalhadores em se adaptar continuamente e aprender novas habilidades.

Negócios

Teremos um grande impacto sobre como as empresas deverão ser lideradas, organizadas e administradas. Segundo Schwab, a capacidade do líder de continuamente aprender, adaptar-se e desafiar os seus próprios modelos conceituais e operacionais de sucesso é o que irá distinguir a próxima geração de lideres comercial bem sucedido.

A quarta Revolução Industrial obrigará as empresas a imaginar o funcionamento prático entre os mundos off-line e on-line e estabelecer parcerias, principalmente com aquelas que estão na ponta do capitalismo cognitivo. Por exemplo, a parte eletrônica de um carro hoje já custa 40% do seu valor.

Essa revolução exigirá também que as empresas consigam combinar as dimensões digitais, físicas e biológicas. O exemplo bem sucedido nesse caso é o Uber: “A popularidade do aplicativo Uber começa com a melhor experiência do cliente – acompanhamento da posição do carro através de um dispositivo móvel, uma descrição dos padrões do carro e um processo de pagamento dinâmico, evitando atrasos para chegar ao destino”. Temos aqui a combinação dos bens digitais com o físico e o biológico (aplicativo-carro-pessoa).

A questão central colocada para as empresas com a chegada da quarta Revolução Industrial, segundo o autor: “Empresas, indústrias e corporações enfrentarão pressões darwinianas contínuas e, como tal, a filosofia para sempre na versão beta (sempre evoluindo) vai se tornar mais predominante”.

Nacional e Global

Os impactos da quarta Revolução Industrial no mundo da política. Os governos – nacionais, regionais e locais – precisam se reinventar encontrando novas formas de colaboração com os seus cidadãos e o setor privado. Essa revolução coloca em perspectiva a situação de ‘lidar’ com o empoderamento dos cidadãos. Citando Moisés Naím: “No sec. XXI, será mais fácil chegar ao poder, mas difícil usá-lo e mais fácil perdê-lo”.

Como exemplo é mencionado o WikiLeaks, o confronto entre uma entidade não estatal e minúscula e um Estado gigantesco. O autor, porém, faz um alerta, as tecnologias que podem empoderar o cidadão também podem vigiá-lo.

A quarta Revolução Industrial terá um impacto profundo sobre a natureza dos estados e a segurança internacional, destaca o autor. Estamos diante da possibilidade da guerra cibernética; dos robôs voadores (drones); de armas autônomas que atacam alvos de acordo com critérios pré-definidos; da real militarização espacial – nova geração de armas hipersônicas (12 mil km); de dispositivos vestíveis – produção de exoesqueletos que melhoram o desempenho dos soldados; da fabricação aditiva; da reposição de peças no lugar do conflito; de energias renováveis, a produção de energia no local sem necessidade de deslocamento ou abastecimento remoto.

Ainda mais, os avanços na nanotecnologia permitirão armas mais leves, móveis e inteligentes e aumentarão os riscos de armas biológicas: armas letais que podem se propagar pelo ar; de armas bioquímicas: armas do tipo ‘faça você mesmo’. Há ainda o desenvolvimento de neurotecnologias para uso de fins militares. Computadores ligados ao cérebro ou partes do corpo que poderão desenvolver o soldado biônico. “O cérebro será o próximo campo de batalha”, afirma James Giordano, citado pelo autor.

Destaca também o crescente uso da ‘mídia social’, plataformas digitais para recrutamento de ‘militantes’. Como exemplo tem-se o Estado Islâmico do Iraque e da SíriaISIS em inglês.

Sociedade-Comunidade-Indivíduo

Na opinião de Klaus Schwab, a quarta Revolução Industrial poderá levar a um aumento da desigualdade. Lembra que metade dos ativos do mundo é hoje controlado por 1% (os mais ricos) da população mundial, enquanto a metade mais pobre da população mundial possui em conjunto menos de 1% da riqueza global. Há uma tendência que a riqueza continue concentrada, uma vez que o domínio das inovações tecnológicas estará e será controlada por um pequeno grupo de empresas.

A quarta revolução industrial, por outro lado, não está mudando apenas o que fazemos, mas também o que somos. Estamos frente ao surgimento da sociedade centrada no indivíduo. “Ao contrário do passado, a noção de pertencer, de fazer parte de uma comunidade, é hoje definida pelos interesses e valores individuais e por projetos pessoais que pelo espaço (comunidade local), trabalho e família”, destaca o autor.

Schwab destaca estudo do MIT em que 44% dos adolescentes nunca se desplugam, mesmo ao praticar esportes ou durante a refeição com a família e amigos. “As interrupções freqüentes dispersam nossos pensamentos, enfraquecem nossa memória e nos deixam tensos e ansiosos”, afirma Nicholas Carr, escritor de tecnologia e cultura, citado pelo autor.

Por outro lado, a revolução industrial está redefinindo o que significa ser humano. Crianças podem ser feitas sob encomendas? Podemos nos livrar de doenças? Viver mais tempo? Ser mais inteligente? Correr mais rápido? Ter certa aparência?, pergunta o autor. Isso é desejável? Quais são as implicações éticas?

O caminho a seguir – Epílogo

Concluindo o livro, o autor expressa a sua posição sobre a quarta revolução industrial: Segundo ele, “o eventual curso tomado pela quarta revolução industrial será, em última instância, determinado por nossa capacidade de moldá-lo de modo que ela desencadeie todo o seu potencial (...) os desafios são assustadores como as oportunidades convincentes. Juntos, devemos trabalhar para transformar esses desafios em oportunidades, ao nos prepararmos de forma adequada – e proativa – para seus efeitos e impactos”.

Sugere que “assumamos uma responsabilidade coletiva por um futuro em que a inovação e a tecnologia estejam focadas na humanidade e na necessidade de servir ao interesse público, e estejamos certos de empregá-las para conduzir-nos para um desenvolvimento mais sustentável”.

Finalmente, conclui: “Acredito firmemente que a nova era tecnológica, caso seja criada de forma ágil e responsável, poderá dar início a um novo renascimento cultural que irá permitir que nos sintamos parte de algo muito maior que nós mesmos – uma verdadeira civilização global”.

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