Aqueles cardeais "de periferia" escolhidos pelo papa. Artigo de Andrea Riccardi

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23 Maio 2017

“Desenha-se uma geografia complexa dos futuros eleitores do papa, que exaltará, por um lado, o papel de figuras-ponte capazes de coagular um colégio fragmentado e, por outro, oferecerá o acesso à voz por parte de um maior número de Igrejas.”

A opinião é do historiador italiano Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro italiano, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 22-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O Papa Francisco chegou à quarta “fornada” de cardeais (assim se dizia na velha linguagem curial): pequena em comparação com as anteriores, sem octogenários com a púrpura honorária. O papa, a cada ano, preenche os postos vagos entre os eleitores.

Também desta vez ele confirmou a tendência em relação a personalidades de “periferia”, até mesmo quatro entre os cinco: Dom Zerbo (bispo em Mali, país conturbado pelo conflito e pelo radicalismo islâmico com 240 mil católicos, menos de 2% dos habitantes), Dom Arborelius (primeiro bispo de origem sueca da Reforma em um país com 110 mil católicos, muitos imigrantes), Dom Mangkhanekhoun (no Laos budista e comunista, com apenas 42 mil católicos) e Gregorio Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador na América Central. Apenas o cardinalato do arcebispo de Barcelona, Ornella, não desperta surpresa: ele, com o cardeal Osoro, de Madri, representa uma linha “aberta”, diferente da dominante na Espanha.

O papa já havia querido essa linha na Congregação dos Bispos, onde se fazem as nomeações à frente das dioceses. “Quando é que países pouco conhecidos poderão estar representados no Sacro Colégio?”, Francisco teria respondido às objeções sobre a nomeação de cardeais periféricos nos consistórios anteriores.

Após essas escolhas, países como Mianmar, Bangladesh, Malásia, Cabo Verde, Haiti, Tonga, África Central, Ilhas Maurício, Papua Nova Guiné, pela primeira vez, estão representados entre os cardeais. Muitas vezes, países com poucos católicos.

Assim, os periféricos – é a visão do papa sobre o papel das periferias – terão o seu peso na escolha mais importante da Igreja: a eleição do papa. No entanto, necessariamente não interpretarão uma linha bergogliana em um futuro conclave. Ao contrário, às vezes, nas periferias – como na África – delineia-se um certo distanciamento desse pontificado.

Há ainda outra categoria de cardeais “periféricos”, os de dioceses historicamente não cardinalícias, embora de importantes países católicos, escolhidos por um significado estratégico-simbólico (como é o caso de um proveniente de um Estado mexicano marcado pelo narcotráfico, ou o cardeal Montenegro, que tem Lampedusa na diocese).

A nomeação de Rosa Chávez, desde sempre às margens entre os bispos de El Salvador, ressalta a ligação com o bispo-mártir Romero, beatificado por Francisco em 2015, contra a opinião de uma parte do episcopado latino-americano e da Cúria.

Desenha-se uma geografia complexa dos futuros eleitores do papa, que exaltará, por um lado, o papel de figuras-ponte capazes de coagular um colégio fragmentado e, por outro, oferecerá o acesso à voz por parte de um maior número de Igrejas.

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