Lutero e a teologia de Joseph Ratzinger/Bento XVI

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27 Maio 2017

Realizou-se na última quinta-feira, 18, na Sala Bento XVI do Campo Santo Teutonico, no Vaticano, o 4º Encontro da Biblioteca Romana Joseph Ratzinger/Bento XVI. O professor James Corkery SJ, da Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, proferiu uma conferência sobre o tema: “Lutero e a teologia de Joseph Ratzinger/Bento XVI”.

Publicamos abaixo uma síntese preparada pelo próprio conferencista, publicada por Fundação Ratzinger, 18-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Introdução

A entrevista “Lutero e a unidade das Igrejas” (1983), com o cardeal Ratzinger, está no pano de fundo aqui. A fala desta tarde, que se foca principalmente na teologia de Joseph Ratzinger, irá 1) identificar afinidades entre as teologias de Ratzinger e Lutero; 2) ressaltar nuances de diferenças entre Ratzinger e Lutero; 3) apontar para algumas sérias diferenças/desafios ecumênicos entre as posições de Ratzinger e Lutero; e 4) refletir brevemente sobre Ratzinger como um ecumenista em conexão com o papel que ele desempenhou en route à Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (1999).

1) A apreciação de Ratzinger sobre Lutero – afinidades entre os dois

Ratzinger e Lutero são teólogos impulsionados pela urgência da questão de Deus. O encontro pessoal com o Deus vivo é fortemente importante para cada um deles; nenhum deles é um “teólogo de escritório”. O caráter da teologia de cada teólogo é semelhante, pois cada um é permeado por uma intuição central sobre Deus e sobre a relação de Deus com os seres humanos. Para Lutero, essa intuição está mais bem expressada na ideia de que os seres humanos são justificados somente pela fé. Para Ratzinger, ela está mais expressada na ideia de que os seres humanos são principalmente receptores. Há muita compatibilidade entre esses dois pontos de vista.

2) Lutero e Ratzinger: nuances de diferenças

Joseph Ratzinger escreveu em 1964: “Das Beschenktsein bestimmt die ganze Struktur der christlichen Existenz” (O fato de ser “dada/doada” determina toda a estrutura da existência cristã). Nossos esforços de amar são tão deficientes a ponto de que devemos abrir nossos braços para nos deixarmos ser “dados” (beschenkt) pelo amor-até-o-fim de Deus em Cristo (João 13, 1). Ratzinger fala da miséria da nossa ação (Armseligkeit unseres Tuns) e do nosso caráter questionável. Assim, embora Ratzinger não remova o amor do domínio da fé quando reflete sobre a justificação, não é o nosso amor deficiente o fator decisivo aqui, mas sim a fé, pois é a fé que compensa a deficiência do nosso amor sempre inadequado. É a fé, então, que realmente salva – e, seja qual for o amor que exista, ele é salvo somente pela fé. Assim, Ratzinger está muito próximo da “justificação pela fé” de Lutero, mas não tão perto a ponto de expelir o amor do domínio da fé inteiramente (lembre-se da “maledicta sit caritas!” de Lutero). Há uma nuance em Ratzinger em comparação com o papel concedido ao amor por parte de Lutero, porque, para Lutero, não pode haver espaço para o amor na fé, mas, para Ratzinger, pode haver, já que a fé recebe uma importância última. Ratzinger concordar com Lutero que as obras não desempenham nenhum papel no processo salvífico, mas ele não seculariza o amor a ponto de torná-lo sinônimo de uma obra. No fim, Ratzinger e Lutero entender o amor de forma diferente, mas estão próximo na sua estima pela nossa condição humana diante de Deus e pela nossa necessidade da graça salvífica.

3) Lutero e Ratzinger: diferenças genuínas (desafios ecumênicos)

Ratzinger identificar o “elemento fundamental” da teologia de Lutero como a “garantia pessoal de salvação”. Para Lutero, de acordo com Ratzinger, a fé pessoal, somente pela qual – sola fide – eu tenho certeza de que a minha salvação está garantida, é fundamental: eu, que creio, estou salvo, e, naquilo em que creio, eu estou salvo. Nada pode acrescentar ou garantir essa fé pessoal, que sozinha me salva. Essa “personalização radical do ato de fé” (como afirma Ratzinger em relação a Lutero), embora compreensível, admite ele, no contexto eclesial dos tempos de Lutero, é inaceitável para Ratzinger, porque significa que, no fim, até mesmo a Igreja “pode ficar de fora” da fé e não pode “nem assumir a garantia de certeza para a salvação pessoal de alguém, nem decidir de uma forma definitivamente vinculante sobre o conteúdo da fé” (“Lutero e a unidade das Igrejas", p. 113). Assim, é na área da eclesiologia que as diferenças entre Ratzinger e Lutero são maiores.

4) O papel decisivo de Ratzinger a respeito da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação

Em uma espécie de “adendo”, o papel memorável de Ratzinger em “salvar” a declaração será lembrado – como uma forma de abordar a quaestio disputata sobre como ele deve ser avaliado como um ecumenista.

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