Em quem o Papa votaria no Equador

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18 Fevereiro 2017

“O problema é que a América Latina está sofrendo os efeitos de um sistema econômico em cujo centro está o deus dinheiro, e então cai nas políticas de exclusão. Atualmente, a América Latina está sofrendo um forte embate do liberalismo econômico”. Essas são palavras do Papa Francisco, ditas recentemente em uma entrevista ao El País, no dia 22 de janeiro passado.

A reportagem é de Alfredo Serrano Mancilla e publicada por Página/12, 16-02-2016. A tradução é de André Langer.

Este tipo de frase já deixou de surpreender a próprios e estranhos. O máximo representante da Igreja católica foi nos acostumando com questionamentos frontais ao atual modelo econômico capitalista. “Esta economia mata”. “Os sistemas liberais não dão possibilidades de trabalho”. Dessa maneira contundente ele se expressa cada vez que expõe suas ideias econômicas aos seus fiéis. Não duvida nem um instante em responsabilizar a ordem econômica dominante pela maioria dos problemas sociais que afetam aos povos latino-americanos. Sem dúvida, o Papa Francisco, nestes anos, transformou-se em uma das principais referências ideológicas da proposta progressista latino-americana nestes tempos de ofensiva restauradora.

É justamente no Equador que está em jogo a hipótese do fim de ciclo que tanto anima a direita na região. Em quem o Papa votaria neste país? Daria um voto de confiança na proposta progressista-humanista de Lenin Moreno para que prosseguisse com a Revolução Cidadã? Ou, ao contrário, apoiaria o binômio opositor Guillermo Lasso-Cinthia Viteri para que o Equador retornasse ao eixo neoliberal latino-americano?

O Papa jamais votaria em nenhum “vendido”, porque ele é contra “quem vende a pátria à potência estrangeira que lhe possa dar mais benefício”. Isto decanta claramente a balança a favor da única proposta que demonstrou nos últimos 10 anos ter recuperado a soberania. Acabar com a base militar estadunidense em Manta é o melhor exemplo desta forma de fazer política. O Equador, graças à gestão de Correa, foi capaz de recuperar a soberania em muitas frentes. No campo econômico, a mudança foi irrefutável, apesar de, atualmente, ter de encarar uma situação complicada. O que seria do Equador sem soberania frente a uma restrição externa tão asfixiante? Graças aos seus avanços na soberania tributária o país tem maior capacidade para dar sustentação às suas próprias necessidades. Melhorou e muito na soberania energética. Foi iniciada a auditoria dos Tratados Bilaterais de Investimentos assinados no passado a favor das transnacionais. O Equador é cada vez mais independente, com alianças mais diversificadas neste mundo multipolar, e isso lhe permite ser um país com voz própria que não pede permissão a ninguém para opinar nem decidir.

Por outro lado, existe a direita equatoriana, com os candidatos Lasso e Viteri, que se obstinam em “abrir o Equador ao mundo”. O objetivo é fazer as caravelas voltarem. Suplicam que venham de fora para solucionar os problemas internos. Eles não fazem questão de esconder isso. Querem um país subordinado. Dito claramente, são uns “vendidos”. E é justamente essa a razão pela qual o Papa não votaria neles.

No campo social, cabe menos dúvida ainda. Lenin Moreno propõe um programa social ambicioso: uma vida para garantir os direitos sociais desde o nascimento até os últimos dias de vida. Esta proposta está na mesma sintonia com as políticas públicas inclusivas que foram implementadas pela Revolução Cidadã. Diante deste programa, Lasso-Viteri cacarejam o credo neoliberal: diminuir o Estado, privatizar, mercantilizar direitos sociais. Uma espécie de salve-se quem puder, gerador de exclusão, no qual o Papa também não votaria.

Para onde quer que se olhe, o Papa Francisco escolheria a proposta da Revolução Cidadã, encabeçada por Lenin Moreno, para pilotar o Equador pelos próximos anos. Ele jamais votaria em “vendidos”, nem no retorno do neoliberalismo econômico. Jamais votaria em propostas que enxotem novamente o povo equatoriano na pobreza ou que o obrigue a sair do país, como já aconteceu décadas atrás. O Papa não teria dúvidas para apoiar um processo que, apesar das suas dificuldades, seguiria mudando a favor das maiorias.

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