“Cerimônia católico-luterana conjunta de Ação de Graças” marca aproximação das duas igrejas

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15 Fevereiro 2017

O administrador apostólico do Patriarcado Latino em Jerusalém, o Reverendíssimo Pierbattista Pizzaballa, e o bispo da Igreja Evangélica Luterana na Jordânia e na Terra Santa, Munib Younan, celebraram, no sábado, 12-02-2017, uma cerimônia conjunta de Ação de Graças intitulada “Do conflito à comunhão: Juntos na Esperança”, na Igreja Evangélica Luterana do Bom Pastor, na localidade de Umm Al Summaq, em Amã, capital da Jordânia

A reportagem foi publicada por Abouna, 13-02-2017. Tradução de Isaque Gomes Correa.

Presentes no evento estiveram o núncio apostólico, o Monsenhor Alberto Ortega Martin, o Monsenhor Roberto Cuna, um membro dos padres e dos pastores de ambas as igrejas e vários embaixadores.

No começo da celebração, o pastor local Samer Azar disse: “Tenho o prazer de dar as boas-vindas a todos e todas em Amã, capital do Reino Hachemita da Jordânia sob a liderança de Vossa Majestade o Rei Abdullah Ben Al Hussein II, na Igreja do Bom Pastor, cujo nome indica que somos os filhos de um bom pastor. Somos chamados a ser bons pastores reconciliados com nós mesmos, uns com os outros e com Deus para servir a paróquia e todas as pessoas”.

E acrescentou: “Enquanto o mundo hoje testemunha uma tendência ao conflito, ao sectarismo e à fragmentação, a Santa Sé em Roma e a Federação Luterana Mundial em Genebra estão dirigindo-se em direção à comunhão. Esta parceria foi possível depois de importantes diálogos teológicos e por causa da disposição bilateral de prosseguir com a orientação e a ajuda o Espírito Santo para chegarmos a um encontro histórico de reconciliação, que pavimenta o caminho para a comunhão plena entre as duas igrejas”.

“Demos Graças a Deus”, continuou o pastor, “e graças a todos os que Deus usou para termos este evento histórico, 500 anos depois da divisão, momento em que possamos dar ao mundo um testemunho evangélico vivo, indicando que o diálogo é o melhor caminho para chegarmos ao entendimento, para construir pontes e para ‘estarmos juntos na esperança’ de forma a dar um testemunho vibrante ao mundo”.

Ele também se referiu à adoção da Cruz pelo artista salvadorenho Christian Ayala, pendurada no altar em Imã, que fora pensada especialmente para a “Cerimônia católico-luterana conjunta de Ação de Graças” a marcar o 500º aniversário da reforma luterana.

Na sua homilia, o administrador apostólico o Reverendíssimo Pierbattista Pizzaballa disse: “Senhor Jesus estava prestes a partir quando trocou com os apóstolos as suas últimas palavras conforme mencionadas no Evangelho de São João antes de sua Paixão e Morte. Jesus concluía sua missão naquela noite e estaria diante do juiz no dia seguinte quando seria crucificado para morrer por nós, para que pudéssemos ter a vida”.

Ele acrescentou também: “O Senhor Jesus nos deixou em carne, no entanto ele quer que entendamos que, sem ele, estamos mortos. É como os ramos da videira: precisamos estar firmemente unidos, onde seja possível receber dela o néctar da vida, a saber: o alimento que precisamos para dar-nos a vida. Por isso é que devemos permanecer unidos. Somos os mensageiros; fomos enviados ao mundo para continuar a sua obra de salvação, mas somos os mensageiros continuamente necessitados de ajoelhar-se a seus pés”.

O administrador apostólico continuou: “Apesar das boas ações que fazemos, devemos nos preparar para ser podados de modo a gerarmos mais frutos. As nossas divisões deveriam nos recordar dos nossos pecados. Divisão significa que não estamos plenamente unidos à videira. Divisão significa que o néctar da vida não nos chega. Divisão significa que não carregamos o fruto que Jesus quer. Ouçamos a Palavra de Deus: ‘para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste’. Poda e purificação deveriam nos aproximar uns aos outros para que não nos separemos da videira. Uma vez podados e purificados, estaremos cheios do Espírito Santo e nos uniremos”.

Em sua homilia, o Bispo Munib Younan disse: “Este é um dia de unidade. É um dia de alegria e júbilo, onde o Espírito Santo nos leva a prosseguir na marcha histórica de Lund. Essa cerimônia conjunta de Ação de Graças contém três fatores importantes, a saber:

Primeiro, é uma celebração de Ação de Graças. Nós agradecemos ao Senhor Jesus que ouve as nossas orações, e que nos chama a continuar no caminho da unidade e a trabalhar pelos interesses históricos das duas fraternais igrejas. Nós também o agradecemos por ele nos permitir entender a valiosa unidade cristã visível neste momento em particular. Agradecemos ao Senhor Jesus por ter comprometido estas duas igrejas, luterana e católica, a pregar, nos últimos tempos, o Evangelho do amor.

Segundo, é uma celebração de arrependimento e perdão. Em Lund, nos confessamos e nos arrependemos. Nessa cerimônia, temos nos confessado e estamos arrependidos dos pecados que cometemos em as nossas divisões, erros e dores que causamos uns aos outros.

Terceiro, este momento implica um compromisso. Aqui está incluída a oração conjunta de Lund com a Sua Santidade o Papa Francisco, de estarmos comprometidos com um futuro comum. O Sacramento do Batismo nos vincula como irmãos e irmãs ao nos fazer parte do Corpo de Jesus para testemunhar juntos, para trabalhar juntos e para desafiar juntos a injustiça, a repressão e a violação da dignidade humana, além de servir juntos a humanidade”.

O presidente da Federação Luterana Mundial acrescentou: “O movimento ecumênico não se baseia hoje apenas no diálogo teológico, que é necessário e essencial, mas também na amizade e na confiança. Durante o diálogo entre as duas igrejas, que perpassou os últimos 50 anos, livramo-nos dos medos e das dúvidas, e em conjunto estabelecemos uma confiança e uma amizade mútuas”.

Essa celebração encarna a reconciliação histórica depois de 500 anos de Reforma e 50 anos de diálogo ecumênico. É uma invocação da memória das orações conjuntas que marcam o 500º aniversário da Reforma que aconteceram na cidade de Lund, Suécia, em outubro de 2016 entre o Papa Francisco, o presidente da Federação Luterana Mundial, o Bispo Munib Younan, e o secretário geral da Federação, o Rev. Dr. Martin Junge.

As igrejas católica e luterana assumiram cinco compromissos públicos. São eles:

Primeiro, nós católicos e luteranos temos de lidar, uns com o outro, a partir da perspectiva da unidade e não da divisão. Segundo, somos chamados a continuamente nos encontrar para expressar o testemunho mútuo na fé. Terceiro, temos de estar comprometidos a buscar a unidade visível, estudar juntos o que significa esta prática na realidade e nos esforçar para atingir este objetivo. Quarto, precisamos redescobrir juntos o poder do Evangelho de Jesus Cristo para o nosso mundo sofredor. E, quinto, devemos ser testemunhas da misericórdia divina difundindo a Palavra e servindo ao mundo.

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