Trump escolhe CEO da ExxonMobil para o cargo de secretário de Estado dos EUA

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14 Dezembro 2016

Rex Tillerson, presidente da gigante do petróleo ExxonMobil e executivo próximo ao presidente russo, Vladimir Putin, foi o escolhido pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para ocupar o cargo de secretário de Estado, segundo a imprensa norte-americana. Sem experiência política, mas com uma ampla trajetória internacional e contatos nos quatro cantos do planeta, Tillerson enfrentará um complicado processo de confirmação no Senado, onde seus vínculos com a Rússia geram receios entre os republicanos. O presidente eleito prevê anunciar oficialmente a nomeação nesta terça-feira.

A reportagem é de Marc Bassets, publicada por El País, 13-12-2016.

Tillerson, de 64 anos, despontou na semana passada, de forma surpreendente, na corrida pelo posto mais delicado do gabinete, já que será o encarregado de representar o novo Governo perante um mundo que vê com inquietação a chegada do republicano Trump à Casa Branca. O presidente e executivo-chefe da ExxonMobil, uma empresa que, segundo seu biógrafo extraoficial, o jornalista Steve Coll, funciona como um Estado dentro do Estado, acabou se impondo sobre candidatos mais tradicionais, como o ex-candidato presidencial Mitt Romney.

Tillerson, que fez toda a sua carreira na ExxonMobil, recebeu em 2013 a Ordem da Amizade das mãos de Putin. À frente da multinacional energética, o indicado ao cargo de secretário de Estado reforçou a presença da companhia na Rússia com uma aliança com a petroleira estatal Rosneft.

Segundo amigos e sócios de Tillerson citados pelo The Wall Street Journal, poucos cidadãos dos EUA são hoje tão próximos de Putin como ele. “Teve mais tempo de interação com Vladimir Putin do que provavelmente qualquer outro norte-americano com exceção de Henry Kissinger”, declarou recentemente ao Journal John Hamre, presidente do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, onde Tillerson tem vaga no conselho administrativo.

Trump, que toma posse em 20 de janeiro, transformou a escolha do secretário de Estado em um reality show semelhante aos que apresentou durante anos na televisão. Os aspirantes desfilavam pela Trump Tower, em Manhattan, e Trump ia descartando-os ou selecionando-os para a rodada seguinte. Romney, considerado o favorito durante boa parte do processo, esbarrava na rejeição visceral de pessoas próximas a Trump, que não esquecem que o ex-governador de Massachusetts foi um dos críticos mais severos do republicano quando este era candidato.

Proximidade com o Governo Russo

A proximidade de Tillerson com Putin é significativa. Trump fez campanha prometendo melhorar as relações com Moscou. Trocou elogios com o presidente russo. Justificou a anexação da Crimeia pela Rússia, ocorrida em 2014, e deu a entender que, no caso de uma agressão russa contra os Estados bálticos, que são membros da OTAN, os EUA não teriam a obrigação de defendê-los. Também incentivou os russos a piratearem os e-mails da sua rival democrata, Hillary Clinton. Depois, disse que era uma brincadeira.

Em outubro, os chefes dos serviços de inteligência dos EUA disseram em nota que a Rússia se encontrava por trás da divulgação de e-mails do Partido Democrata e dos assessores de Clinton. E, na semana passada, o The Washington Post revelou que a CIA havia concluído que o objetivo da interferência russa na campanha era favorecer Trump.

Tillerson se opõe às sanções que os EUA e seus aliados da União Europeia impuseram à Rússia após a anexação da Crimeia, causando graves prejuízos aos negócios russos.

A proximidade de Tillerson com Putin é significativa. Trump fez campanha prometendo melhorar as relações com Moscou

Destacados senadores republicanos, como John McCain e Marco Rubio, manifestaram seu ceticismo com a indicação de Tillerson. Somados aos democratas, poderiam ter suficiente força para vetá-la.

A vontade de Trump de se aproximar da Rússia se choca com a linha adotada nos últimos anos pelo Partido Republicano. Numa mensagem na rede social Twitter na segunda-feira de manhã, Rubio escreveu: “Ser amigo de Vladimir não é um atributo que espero ver em um secretário de Estado”.

A vantagem de Tillerson é sua experiência empresarial e sua rede de contatos. Em alguns países, como escreveu Coll, os diretores da ExxonMobil são mais poderosos que o secretário de Estado. Em seu livro Private Empire (império privado), o autor sustenta a tese de que a petroleira, herdeira direta da Standard Oil de Rockefeller, age como um Estado paralelo, com políticas próprias para relações exteriores, questões econômicas e até mesmo direitos humanos.

ExxonMobil enfrentou nas últimas décadas numerosas críticas pelos efeitos ambientais de seus negócios, desde o derramamento de petróleo do navio Exxon Valdez no Alasca, em 1989, até seu papel no financiamento de grupos que questionavam a responsabilidade das atividades humanas sobre a mudança climática. Com Tillerson à frente, a ExxonMobil aceitou a realidade da mudança climática. As críticas se centram no fato de que, durante décadas, ocultou-a apesar de saber que existia, assim como fez a indústria do tabaco sobre os males causados pelo cigarro.

“Durante mais de um quarto de século a companhia tentou enganar os políticos e o público sobre as realidades da mudança climática, protegendo seus lucros à custa de um dano imenso à vida deste planeta”, escreveram David Kaiser e Lee Wasserman num artigo recente. Kaiser é descendente dos Rockefeller, que fizeram sua fortuna com a Standard Oil e agora combatem a petroleira.

Fontes citadas pelo site Politico dizem que duas figuras centrais do establishment republicano, Robert Gates e Condoleezza Rice, sugeriram a Trump nomear Tillerson. Gates foi secretário de Defesa dos presidentes George W. Bush e Barack Obama. Rice foi secretária de Estado de Bush. Ambos trabalham como consultores da ExxonMobil, segundo o Politico.

Tillerson é uma figura atípica para dirigir o Departamento de Estado, embora não seja o primeiro a proceder do setor empresarial. George Schultz era diretor do Bechtel Group antes de ser nomeado em 1982 por Ronald Reagan. Em 1961, John Kennedy escolheu outro reconhecido executivo empresarial, Robert McNamara, presidente da Ford, como secretário de Defesa.

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