Francisco: “Ao anunciar o Evangelho, renunciemos a idolatria do êxito”

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02 Dezembro 2016

“Existe o perigo de que vejamos a missão cristã como uma mera utopia irrealizável ou, em qualquer caso, como uma realidade que supera nossas forças”. Mas, também existe o perigo de ceder a “certo desejo de poder, ao proselitismo ou ao fanatismo intolerante”, sendo que, ao contrário, o Evangelho nos convida “a rejeitar a idolatria do êxito e do poder, a preocupação excessiva com as estruturas e um certo anseio que corresponde mais a um espírito de conquista que de serviço”. Foi o que escreveu Francisco em mensagem à 54ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, que será no próximo dia 7 de maio (2017) e cujo tema é: “Impulsionados pelo Espírito para a Missão”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 30-11-2016. A tradução é do Cepat.

O papa Bergoglio quis refletir sobre a dimensão missionária do chamado cristão: “Quem se deixa atrair pela voz de Deus e se coloca a caminho para seguir Jesus, descobre, em seguida, dentro dele, um desejo incontrolável de levar a Boa Notícia aos irmãos, através da evangelização e o serviço movido pela caridade. Todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho. O discípulo, com efeito, não recebe o dom do amor de Deus como um consolo privado, e não é chamado a anunciar a si próprio, nem a velar pelos interesses de um negócio; simplesmente foi tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e não pode guardar esta experiência só para si”.

O compromisso missionário, por este motivo, explicou Francisco, “não é algo que se acrescenta à vida cristã, como se fosse um adorno, mas, ao contrário, está no próprio coração da fé: a relação com o Senhor implica ser enviado ao mundo como profeta de sua palavra e testemunho de seu amor. Ainda que experimentemos em nós muitas fragilidades e talvez possamos nos sentir desanimados, devemos levantar a cabeça a Deus, sem nos deixar esmagar pela sensação de incapacidade ou ceder ao pessimismo, que nos converte em espectadores passivos de uma vida cansada e rotineira”. O Papa acrescentou que “não há lugar para o medo”, porque “é o próprio Deus” quem nos torna idôneos para a missão.

Um chamado que vale especialmente “para os que foram chamados a uma vida de especial consagração e também para os sacerdotes que, com generosidade, responderam: “aqui estou, envia-me”. Com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos espaços sagrados do templo, para deixar que a ternura de Deus transborde em favor dos homens. A Igreja tem necessidade de sacerdotes assim: confiantes e serenos por ter descoberto o verdadeiro tesouro, ansiosos de torná-lo conhecido, com alegria, a todos”.

Jesus – continuou o Papa – caminha conosco. Frente às interrogações que brotam do coração do homem e frente aos desafios que a realidade apresenta, podemos sentir uma sensação de extravio e perceber que nos faltam energias e esperança. Existe o perigo de que vejamos a missão cristã como uma mera utopia irrealizável ou, em qualquer caso, como uma realidade que supera nossas forças. Mas se contemplamos a Jesus Ressuscitado, que caminha junto aos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-15), nossa confiança pode se reavivar. Nesta cena evangélica temos uma autêntica e própria “liturgia do caminho”, que precede a da Palavra e a do Pão partido e que nos comunica, em cada um de nossos passos: Jesus está ao nosso lado!”. Francisco recordou e observou que os dois discípulos, feridos pelo escândalo da cruz, retornaram para casa “percorrendo o caminho da derrota: levam no coração uma esperança rompida e um sonho que não se realizou”. Contudo, Cristo “não os julga, caminha com eles e, ao invés de levantar um muro, abre uma nova trilha”.

Para concluir, o Papa insistiu na importância de aprender do Evangelho o estilo do anúncio. “Muitas vezes, acontece que, também com a melhor intenção, se acaba cedendo a certo desejo de poder, ao proselitismo ou ao fanatismo intolerante. No entanto, o Evangelho nos convida a renunciar a idolatria do êxito e do poder, a preocupação excessiva com as estruturas, e um certo anseio que corresponde mais a um espírito de conquista que de serviço. A semente do Reino, ainda que pequena, invisível e talvez insignificante, cresce silenciosamente graças à obra incessante de Deus”.

Esta é, insistiu Bergoglio, “nossa principal confiança: Deus supera nossas expectativas e nos surpreende com sua generosidade, fazendo germinar os frutos de nosso trabalho para além do que se pode esperar da eficiência humana”.

“Com esta confiança evangélica, nos abrimos à ação silenciosa do Espírito, que é o fundamento da missão. Nunca poderá haver pastoral vocacional, nem missão cristã, sem a oração assídua e contemplativa. Neste sentido, é necessário alimentar a vida cristã com a escuta da Palavra de Deus e, sobretudo, cuidar da relação pessoal com o Senhor na adoração eucarística, ‘lugar’ privilegiado do encontro com Deus”.

O Papa pediu às paróquias, às associações e aos “numerosos grupos de oração presentes na Igreja que, frente à tentação do desânimo, sigam pedindo ao Senhor que mande operários a sua messe e nos dê sacerdotes apaixonados pelo Evangelho, que saibam se fazer próximos dos irmãos e ser, assim, sinal vivo do amor misericordioso de Deus”. Frente à “sensação generalizada de uma fé cansada ou reduzida a meros “deveres a cumprir”, nossos jovens tem o desejo de descobrir o atrativo, sempre atual, da figura de Jesus, de se deixar interrogar e provocar por suas palavras e por seus gestos e, finalmente, de sonhar, graças a ele, com uma vida plenamente humana, abençoada por se gastar amando”.

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