O aborto perdoado: "A excomunhão também pode cair". Entrevista com Vincenzo Paglia

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25 Novembro 2016

A oposição no Vaticano ao Papa Francisco se aninha no silêncio. Após a carta apostólica Misericordia et misera, que estende a todos os padres a faculdade de absolver o aborto para as mulheres e os médicos envolvidos, cardeais desde sempre meticulosamente informados sobre os assuntos eclesiais se entrincheiram por trás de um “tenham paciência, eu não tive como estudar o documento”. Outros “esquecem” o italiano e truncam a conversa na sua língua nativa.

A reportagem é de Giovanni Panettiere, publicada no sítio QN, 23-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As preocupações das alas mais conservadoras se escondem agora sobre a anunciada e consequente reforma do direito canônico que, além de adaptar à carta apostólica as normas sobre o poder de absolvição, também poderia decretar a própria revogação da excomunhão latae sententiae, imposta hoje àqueles que provocam a interrupção da gravidez. Um pecado grave que o papa equiparou várias vezes ao homicídio, mas que, nos termos do artigo 1.398 do Codex iuris canonici, ao contrário deste último, implica a automática exclusão do povo de Deus.

Eis a entrevista.

Mas é possível que se chegue, em um futuro próximo, à superação da excomunhão pelo aborto?

Sim responde o arcebispo Vincenzo Paglia, recente presidente da Pontifícia Academia para a Vida –, não é de se excluir. Depois, o fato de ter sido o próprio Francisco a revogar o cânone, eu não sei, se deveria perguntar a ele mesmo. O certo é que, nas últimas décadas, o Código já foi revisto dezenas e dezenas de vezes. Portanto, não é de se admirar que o progresso da vida determine uma atualização da lei canônica. Está na substância do real. A tradição da Igreja é um corpo vivo, não um Código bloqueado.

Excelência, o senhor esperava tanta ressonância para a publicação do documento sobre a misericórdia?

Certamente, a carta apostólica requer, por si mesma, um clamor na acolhida, justamente porque o papa quer afirmar vigorosamente que a misericórdia não é um pensamento abstrato ou uma palavra irrelevante. É uma energia que transforma a história. O risco é que tudo isso não seja compreendido plenamente. A verdade é que Francisco fortalece aquele fio partido no dia da abertura do Concílio Vaticano II, no dia 11 de outubro de 1962, quando o Papa João XXIII disse: “A Igreja prefere usar o remédio da misericórdia em vez de abraçar as armas do rigor”.

Em alguns setores católicos, agora, respira-se uma certa perplexidade, como se o pontífice tivesse menosprezado a gravidade do pecado do aborto, antes perdoável apenas pelos bispos.

Eu acho que quem se sente perdido por causa da extensão a todos os padres da faculdade de absolvição também tem um pouco de pré-compreensão. Essa prática já é normal há muito tempo na Igreja de Roma, por vontade de João Paulo II, como em outras dioceses. Veja-se Terni, onde eu fui bispo por vários anos. É uma práxis que tem um significado merecedor de ser compreendido na sua profundidade.

Qual?

Facilitar o recurso ao perdão é o modo para frear a chaga do aborto, não para tornar o pecado um hábito. A absolvição envolve uma melhor conscientização da gravidade do fato consumado, um compromisso a não cometê-lo mais, concede uma graça que intervém sobre a fraqueza do pecador, de modo que este seja mais forte do que as tentações.

Portanto, o senhor exclui que se possa ampliar o fosso entre os ultraconservadores e Francisco?

Se todos nos deixarmos guiar pela Palavra de Deus, chegaremos a uma maior clareza da verdade, talvez plural nas suas aplicações, mas concorde na substância. O importante é não cair na tentação do “determinismo”, ou seja, da impossibilidade do aprofundamento da fé, das próprias convicções e da descoberta da riqueza evangélica. “Não é o Evangelho que muda, somos nós que o compreendemos melhor”, repetia o Papa Roncalli.

O cardeal Burke, um dos quatro opositores a Bergoglio ameaça um “ato formal” para corrigir o papa sobre a pastoral familiar.

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