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14 Novembro 2016

Foi um voto de frustração – as batalhas éticas não entram em questão, afirma John Allen Jr, jornalista em entrevista concedida a Paolo Rodari e publicada por La Repubblica, 12-11-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

“A maioria dos católicos nos Estados Unidos votou por Trump, mas não o fez exclusivamente por motivos inerentes à defesa da vida e da família. Foi, antes de tudo, um voto de frustração, contra um governo e uma burocracia que até hoje não satisfez por nada”. 

As hierarquias, ao invés? 

Os bispos se mantiveram mais equidistantes, analogamente à posição sobre Trump que o Papa expressou a Scalfari: Não o julgo. E creio que o motivo desta equidistância, não usual após anos de apoio mais ou menos explícito aos republicanos, seja substancialmente uma recusa das suas posições. 

John Allen, vaticanista estadunidense, dirige Crux, cotidiano católico com base em Boston. Profundo conhecedor do mundo religioso americano, convida a não confiar em quem fala com demasiada segurança de voto católico.

Os católicos representam os 25-30 por cento da população. Segundo você, este voto não existe? 

Não digo isto, mas creio que este voto não seja demasiado suavizado. Trump era para todos, crentes e não crentes, o candidato da revolução, pronto a reformar um sistema injusto e que não satisfez. Por isso, também muitos católicos o preferiram a Hillary Clinton

Um pouco como aconteceu em 1994, quando os italianos preferiram Berlusconi? 

Exatamente, as analogias com os italianos são notáveis. Trump, como Berlusconi então, representava uma novidade, a possibilidade de uma virada histórica. E a representava também para os que creem.

Em todo caso, não são poucos os católicos que escolhem candidatos de direita para as posições conservadoras sobre os temas da vida, da família, da contracepção, da pesquisa bioética.

Os católicos nos Estados Unidos estão divididos entre conservadores e progressistas. Uns trinta por cento são fiéis ao ensinamento da Igreja, e sobre estes temas tem posições tradicionais: estes 30 por cento votou sem mais por Trump. Depois, há outros 20-25 por cento que é mais sensível aos temas do trabalho, da política externa. Também estes são conservadores, e escolheram Trump. Mais ainda: há uns trinta por cento de progressistas que vai sempre, a priori, com os democratas. Resta um último vinte por cento, um eleitorado crente moderado. Desta vez, estes vinte por cento escolheu Trump. Mas o fez, repito, principalmente por motivos anti-sistema.

Diz-se que os bispos americanos sejam conservadores: é verdade?

Nos Estados Unidos há 196 bispos locais, que chegam a 240 se acrescentamos os auxiliares e 350 com os eméritos. Eles têm posições diferentes entre eles e inseri-los num único esquema é impossível. Em todo caso, se pode dizer que uns vinte por cento tem posições teológicas conservadoras, enquanto uns dez por cento é mais progressista. Todos os outros podem pender mais à direita ou mais à esquerda, conforme o momento.

Todavia, nos anos passados, os bispos eram muito próximos a republicanos. 

É verdade. Mas, nestas eleições, diversamente do passado, os bispos foram mais prudentes. E o foram tanto com respeito a Clinton como com respeito a Trump. De qualquer modo, ambos não os convenciam. Todavia, se é verdade que a maioria dos cidadãos católicos votou por Trump, será interessante ver como, e se, os bispos usarão este crédito que têm com o novo presidente. Sobre muitas posições são distantes de Trump, mas têm um crédito a jogar. Veremos como se comportarão. 

Francisco disse a Scalfari que não julgasse Trump, mas fosse interessado no fato de que ele faça ou não sofrer os pobres. No entanto, a visão do Papa parece distante anos luz daquela de Trump. É assim? 

Trump é distante não só de Francisco, mas também do ensinamento da Igreja. Por isso, será interessante entender como se moverá o episcopado nos seus confrontos, também à luz das eleições das cúpulas da conferência episcopal, que ocorrerão nesta semana. Como sempre, deveria ser eleito presidente quem atualmente recobre o cargo de vice, ou seja, Daniel Di Nardo, de Houston, um bispo conservador, mas muito ativo pastoralmente. Mais interessante será ver a quem elegerão como vice-presidente: daqui se verá que linha o episcopado pretende abraçar. 

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