Irmãs americanas tentam encontrar esperança na frase “Presidente-eleito Donald Trump”

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11 Novembro 2016

Muitas religiosas nos Estados Unidos estão tentando encontrar esperança na frase “Presidente-eleito Donald Trump”.

A reportagem é publicada por National Catholic Reporter, 10-11-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A vitória em 9 de novembro contra a candidata democrata Hillary Clinton, que era tida como vencedora na maioria das pesquisas, surpreendeu pesquisadores, analistas, o eleitorado geral e o mundo.

Embora tenha perdido no voto popular, Trump será empossado em 20 de janeiro de 2017 como o 45º presidente dos EUA, com um Senado e uma Câmara dos Representantes de maioria republicana.

Apesar dos mais de 16 meses de campanha, as propostas concretas de Trump para os que trabalham em programas de justiça social ainda deixam muito à imaginação.

A Irmã Mary Ellen Lacy, das Filhas da Caridade, que atua na área da habitação popular em East St. Louis, Illinois, disse ter uma “ideia geral” de quais consequências que um governo sob a liderança de Trump poderá ter em seu programa financiado pelo governo federal, embora Trump tenha dito muito pouco sobre os seus planos para os pobres e qual será sua atitude no segmento popular.

“Quando tomamos decisões sobre programas que afetam as pessoas e desconhecemos como elas vivem ou de onde elas vêm, corremos o risco de não tomar as melhores decisões”, diz ela. “A esperança que tenho é a de ele vir conhecer a situação dos pobres antes de fazer julgamentos precipitados que algumas pessoas que não sabem nada sobre os pobres fazem”.

Lacy afirma lembrar que “nós não elegemos um Deus ontem à noite; elegemos um presidente, e o Deus que estava lá ontem de manhã é o mesmo Deus hoje”.

Ainda que a campanha de Trump tenha dado poucas informações sobre suas propostas políticas, uma prioridade em sua agenda presidencial esteve clara desde o primeiro dia de sua candidatura: a imigração, concretizada na promessa de construir um muro fronteiriço e de realizar deportações em massa.

Andrea Koverman, da Congregação das Irmãs de Caridade de Cincinnati e que atualmente atua no Centro Intercomunitário para Justiça e Paz, em Ohio, diz estar preocupada com que as coisas se tornem piores para os imigrantes.

“Eu acho que muitas coisas vão mudar para muitas pessoas”, disse Koverman. “Fico preocupada com o tom de um líder político que não acredita no diálogo respeitoso. Mas nós vamos continuar fazendo o que fazemos”, disse, acrescentando que “a fé fortalece tudo o que fazemos, é ela que dirige os nossos valores e a nossa vida. Isso não muda, não importa quem for o presidente”.

Várias irmãs que representam suas congregações nas Nações Unidas ficaram chocadas e decepcionadas com a eleição de Trump, dizendo que se preocupam com o que pode significar para o papel dos EUA na ONU.

“A eleição deste ano vai ter um grande impacto dentro e fora dos Estados Unidos e das Nações Unidas”, declarou a Irmã Justine Gitanjali Senapati, representante das Congregações de São José nas Nações Unidas.

Como “membro fundador das Nações Unidas e um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, os EUA representam a estabilidade, diz ela. Isso agora pode estar sub suspeita na medida em que Trump, como candidato, não se mostra um defensor da visão globalista quanto ao papel dos EUA no mundo, disse National Catholic Reporter.

Diferentemente, segundo Senapati, Hillary Clinton era uma defensora de muitas das questões importantes para as irmãs na ONU, tendo declarado na famosa conferência das Nações Unidas sobre a mulher em Pequim que “os direitos das mulheres são direitos humanos”.

Senapati disse que se Hillary tivesse sido eleita, “o status econômico e social das mulheres e meninas”, bem como temas relacionados aos migrantes e refugiados, poderia ter recebido um destaque ainda maior, dado o apoio a causas humanitárias em geral dispensado pela ex-secretária de Estado.

Quanto a Trump, a atitude do presidente-eleito em relação aos imigrantes e refugiados é bastante preocupante, refletiu Senapati. “Quantos migrantes, refugiados, mulheres estarão seguros neste país?”, perguntou.

Também preocupantes para Senapati – quem, como outras irmãs na ONU, trabalha em programas ligados ao empoderamento feminino – são as atitudes de Trump que, segundo ela, menosprezam as mulheres.

“Se as suas conversas e os seus discursos podem ser tão rebeldes, arrogantes, agressivos, cheios de intolerância e sem autocontrole e verdade, o quanto as suas ações e consequências afetarão o mundo no futuro?” ela disse.

Como defensora da reforma prisional em St. Paul, Minnesota, a Irmã Baya Clare, da Congregação de São José de Carondelet, disse que o encarceramento em massa é o sintoma de um “racismo enraizado no coração do nosso país”, o que, para ela, irá piorar sob a presidência de Trump.

“Acho que vamos retroceder em muitas questões da dignidade humana, e uma delas é o encarceramento em massa”, disse. “Temos essa uma falha no centro deste país, e talvez a única maneira de a resolver seja rompendo. E acho que algo nesse sentido pode vir acontecer (...) Não tenho certeza se somos fortes o suficiente para suportar o que aconteceu na eleição deste ano”.

A irmã dominicana Margaret Mayce, representante na ONU da Conferência de Liderança Dominicana, disse que embora sua “decepção seja mais profunda do que as palavras podem expressar”, ela se pergunta “sobre uma frase que ouvimos muitas vezes referindo-se às que se elegem para os cargos de liderança em nossas congregações: ‘recebam a graça do ofício’”.

E acrescentou: “Será que o mesmo pode acontecer com Donald Trump? Há algo que eu possa fazer, ou que nós, enquanto religiosas, possamos fazer para abrir canais a fim de que essa graça flua através dele? Em nossas vidas, muitas de nós abraçamos a importância da contemplação comunal e do diálogo. Será que podemos estar a serviço de alguma iniciativa nacional, fomentando a unidade na esteira de uma eleição tão amarga e divisora? Estaríamos prontas a enfrentar esse desafio?”

A Irmã Erin Zubal, diretora da uma escola das irmãs ursulinas em Cleveland, fala que há tempos as religiosas vêm sendo uma “força curativa” no mundo, resultado do trabalho “micro e macro que realizam em conjunto”.

“Só podemos fazer uma coisa de cada vez, e é isto o que tenho de lembrar: que se trata de uma caminhada sagrada, que é preciso um passo a cada dia, comprometendo-nos com o ‘sim’ que dizemos juntas enquanto religiosas”, completou.

“Os nossos parceiros leigos são uma parte essencial desse trabalho. Não somos apenas nós, mulheres religiosas; somos nós e todos os que apoiam os nossos ministérios e firmam parcerias diariamente no trabalho evangélico”.

Tempos difíceis se apresentam para as comunidades religiosas femininas, diz a ativista da reforma prisional a Irmã Clare. A investigação polêmica vaticana às comunidades femininas americanas aproximou-as, o que acabou ajudando na formação de um movimento de resistência contra qualquer forma de opressão que possa surgir sob a presidência Trump.

“Esse tipo de rede de apoio é útil quando precisamos de um movimento de resistência, quando tentamos fazer a coisa certa e quando defendemos a dignidade humana em face de algum tipo de força institucional significativa contrária”, disse ela.

“Acho que essas coisas vão nos ajudar também. De certa forma, somos um pouco invisíveis e, ao mesmo tempo, um pouco persistentes, o que é uma coisa boa. Podemos fazer muitas coisas se acaso estivermos voando sob o radar e se tivermos uma boa rede. Então isso me traz esperança”.

Embora as religiosas neste momento “precisam ser quem afirmamos ser” e que precisam servir de exemplo para outros, Lacy afirma encontrar conforto ao lembrar de sua experiência com a iniciativa “Nuns on the Bus”, em que viajaram para as convenções dos dois partidos. Aí, a irmã descobriu que todos e todas têm as mesmas “esperanças, valores e medos (...) que existem esses pontos comuns. Apenas temos de nos unir”, diz ela.

“Ou acreditamos que somos as guardiãs dos nossos irmãos e irmãs, ou não acreditamos (...)”.

Lacy citou o discurso de Clinton na manhã de 9 de novembro, dizendo que ficou esperançosa: “Tenho de acreditar que ela está com muita dor neste momento. Se todos pudermos dar o melhor de si em face de uma grande dor e do conflito, podemos imaginar como seria o mundo? Isso o transformaria em uma comunidade. É aqui onde vermos o país que, de fato, podemos nos tornar”.

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