Escolhas dos bispos americanos provavelmente serão vistas como um referendo sobre o Papa Francisco

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25 Outubro 2016

Além de Trump x Clinton, a outra corrida de alto interesse para os católicos americanos em 2016 é a eleição, em meados de novembro, dos líderes da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, em que o resultado certamente será visto como um indício de onde a hierarquia americana se encontra na relação com o Papa Francisco.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 21-10-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Como se vê, o confronto Trump x Clinton não é a única eleição de interesse para os católicos americanos neste segundo semestre.

Os bispos dos EUA irão também votar para a escolha de seus novos líderes em meados de novembro, e em muitos aspectos as escolhas a serem feitas quase certamente serão vistas como um referendo sobre como a hierarquia americana quer se posicionar diante dos novos ventos que sopram na Igreja sob o comando do Papa Francisco.

Por tradição, uma chapa de dez candidatos é nomeada para a presidência e a vice-presidência da Conferência, e eles escolhem dois representantes a partir destes candidatos. O novo presidente substituirá Dom Joseph Kurtz, de Louisville, que presidiu por três anos, como normalmente acontece.

Também por tradição, ainda que não inviolável, o atual vice-presidente é considerado o principal candidato à presidência. Neste momento, esta figura é o Cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston.

Na sexta-feira, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos – USCCB, na sigla em inglês, divulgou os nomes para os dois principais cargos, com a votação marcada para o encontro episcopal entre 14 e 16 de novembro, em Baltimore.

Os candidatos são:

Dom Gregory M. Aymond, de Nova Orleans

Dom Charles J. Chaput, OFM Cap., da Filadélfia

Dom Paul S. Coakley, de Oklahoma City

Cardeal Daniel N. DiNardo, de Galveston-Houston

Dom Daniel E. Flores, de Brownsville

Dom José H. Gomez, de Los Angeles

Dom William E. Lori, de Baltimore

Dom Allen H. Vigneron, de Detroit

Dom Thomas G. Wenski, de Miami

Dom John C. Wester, de Santa Fe

Se houvesse uma fila de apostas aqui, creio que a dupla DiNardo/Gomez sairia vencedora.

Gomez não só é visto como um líder sólido em termos doutrinais, mas também é alguém que põe traz um rosto hispânico nesse florescente catolicismo no país. Ele também está entre os bispos que defendem uma reforma imigratória.

Um ponto de destaque é que nenhuma das recentes escolhas do papa para o Colégio Cardinalício estão na lista.

No caso de Dom Kevin Farrell, de Dallas, isso é explicável pelo fato de que ele está de mudança para Roma onde assumirá um novo posto diante do Dicastério para a Família, os Leigos e a Vida.

Com Dom Blase Cupich, de Chicago, e com Dom Joseph Tobin, Indianápolis, no entanto, eles permanecem nos EUA e, teoricamente, estariam elegíveis para ocupar o topo da USCCB.

As indicações foram feitas antes de o Papa Francisco anunciar os novos cardeais em 9 de outubro. As nomeações ao Colégio Cardinalício não necessariamente seriam, por outro lado, um fator favorável a Cupich e Tobin. Embora não seja algo automático – o Cardeal Francis George, Chicago, por exemplo, foi eleito presidente da Conferência dos Bispos, e DiNardo pode também ser eleito desta vez –, em geral alguns bispos americanos acreditam que os cardeais já têm um destaque acima da média, preferindo eleger um outro alguém.

Olhando para a lista, Aymond, Wenski e Wester seriam vistos como prelados “amigos de Francisco”, enquanto nomes como Chaput, Lori e Vigneron seriam, também em geral, vistos como contrapontos mais conservadores.

Se um dos três últimos nomes prevalecer, alguns na imprensa estarão tentados a classificar o resultado como um voto de protesto dos bispos americanos contra a direção do catolicismo sob o papado de Francisco.

Vale notar, todavia, que esta não é a única forma de interpretar as coisas. Historicamente falando, também existe uma grande tradição no catolicismo de bispos locais que tentam acolher aquilo que veem como os pontos fortes de um dado papa, enquanto também fazem aquilo que podem para remediar os pontos fracos percebidos.

Por exemplo, os bispos nos primeiros séculos que enxergavam um papa em particular como um governador fantástico, porém um evangelista fraco, poderiam tentar incrementar as suas próprias iniciativas missionárias a fim de carregar um pouco do peso por eles mesmos – não porque não gostavam da liderança papal, mas porque estavam tentando ajudá-lo naquilo que achavam necessário.

Quando o Cardeal Timothy Dolan, de Nova York, derrotou Dom Gerald Kicanas, de Tucson, para a presidência da USCCB em 2010, interpretou-se a situação como uma vitória dos conservadores. Por outro lado, eu falei com vários bispos que tinham, na época, uma visão diferente. Porque Bento XVI era visto como um grande teólogo, mas não necessariamente um fantástico evangelista, eles achavam que poderiam ajudar a Igreja tendo um prelado extrovertido na dianteira da USCCB.

Portanto, mesmo se houver uma vitória dos conservadores, ela não necessariamente precisa ser interpretada como um afastamento da visão eclesial de Francisco, mas talvez como um voto em busca de um equilíbrio e, para usar um termo igrejeiro, um voto de “complementaridade”.

O pensamento pode ser: visto que Francisco é um excelente pastor e um reformador determinado, nós podemos ter prelados à frente da USCCB dispostos a assegurar questões doutrinárias.

As regras estipulam que o presidente seja escolhido por uma votação de maioria simples. Após isso, um vice-presidente é eleito a partir dos 9 candidatos remanescentes. Em todo caso, se um deles não receber mais da metade dos votos numa rodada, uma segunda votação é feita. Se uma terceira rodada for necessária, daí então entram na disputa somente os dois bispos que receberam a maioria de votos na segunda rodada.

Durante o encontro, os bispos vão também eleger os novos presidentes para as seguintes comissões:

Comissão de Assuntos Canônicos e Governança da Igreja

Comissão de Assuntos Ecumênicos e Inter-Religiosos

Comissão para a Evangelização e a Catequese

Comissão de Justiça Internacional e Paz

Comissão de Tutela das de Crianças e dos Jovens

Por vários motivos, os resultados nas eleições deste ano serão analisados de perto em busca de uma indicação do que as lideranças católicas deste país estão pensando no momento, e quais provavelmente serão as suas prioridades daqui para frente.

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