Arcebispo da Filadélfia pede desculpas pelo papel da Igreja nos escândalos sexuais

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25 Março 2014

No último sábado, o arcebispo da Filadélfia Dom Charles J. Chaput pediu desculpas às vítimas de abuso sexual cometido pelo clero e se referiu à “negligência dos pastores da Igreja” ao permitir que tais crimes ocorressem.

A reportagem é de Bob Warner, publicada pelo jornal The Inquirer, 23-03-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Peço desculpas em nome da Igreja”, disse Chaput em sua homilia numa “Missa para a cura das vítimas de abuso sexual”, em que compareceram cerca de 250 pessoas.

Missas semelhantes foram realizadas em outros lugares para as vítimas; porém, esta foi a primeira na Califórnia, numa altura em que a arquidiocese e Chaput têm sido duramente criticadas por grupos de vítimas.

O pedido formal de desculpas em nome da Igreja, em contraste com os reconhecimentos anteriores das transgressões e responsabilidade pessoal, atingiu como algo novo ao menos uma pessoa que participava na missa.

“Acho que foi significativo ele falar sobre isso e reconhecer que a Igreja errou, dizendo que a Igreja está na necessidade de arrependimento”, disse uma mulher que foi vítima e que pediu para não ser identificada.

“Isso é algo que estava faltando”.

“Precisamos nos arrepender e pedir perdão por aqueles que sofreram”, afirmou Chaput. “Pedimos a Deus, em sua misericórdia, para acompanhar as vítimas e também para acompanhar o resto da Igreja”.

O diretor de comunicação da arquidiocese, Kenneth Gavin, disse que não foi a primeira vez que Chaput pediu desculpas pela responsabilidade da Igreja nos escândalos de abuso sexuais.

“O arcebispo pediu publicamente desculpas em várias ocasiões, tal como o fizerem seus predecessores”, disse Gavin, referindo-se ao cardeal Justin Rigali.

A arquidiocese convidou mais de 200 pessoas que se identificam como vítimas de abusos sexuais por parte do clero na Filadélfia e nos quatro condados da região. A missa foi aberta ao público e não houve forma de dizer quantos entre os participantes eram vítimas.

Do lado de fora da Catedral Basílica de São Pedro e São Paulo, cerca de 20 vítimas e seus familiares fizeram protestos durante a missa e se recusaram a participar, afirmando que a arquidiocese e Chaput fizeram muito pouco até agora.

Entre os manifestantes estava o deputado estadual Mark Rozzi, representante democrata de um dos condados que vem tentando estender o estatuto estadual para que permita que processos criminais de abusadores infantis sejam perpetrados onde quer que as vítimas escolham dar início e para que forneça uma janela às vítimas aos autos das ações civis, onde quer que o abuso tenha ocorrido.

A Conferência Católica da Pensilvânia, um poderoso lobby liderado por Chaput, se opôs ao projeto, disse Rozzi.

“A gente pensava que uma organização que pregue o cuidado iria se apresentar e chamar para si a responsabilidade”, disse Rozzi. “A Igreja está dando as costas a suas vítimas”.

Chaput vai a Roma no sábado como parte de uma delegação que inclui o governador Corbett e o prefeito Nutter. Esta espera convencer o Papa Francisco a visitar a cidade da Filadélfia durante o Encontro Mundial das Famílias em setembro de 2015.

David Clohessy, da Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres (SNAP, na sigla em inglês), criticou a missa já na sexta-feira em um comunicado.

“Na pior das hipóteses, esta é uma ação cínica de relações públicas”, Clohessy afirmou. “Na melhor delas, ela erra o alvo”.

Duas situações recentes vieram à tona para tais críticas.

Uma foi a divulgação, no fim do ano passado, de que Chaput havia permitido a um padre na Paróquia de Nossa Senhora do Calvário, nordeste da Filadélfia, chamado John P. Paul, de 67 anos, a continuar trabalhando, sem qualquer notificação à paróquia, por quase um ano depois que as acusações de abuso foram apresentadas contra ele.

Permitiu-se que Paul anunciasse, em novembro, a sua retirada voluntária. Foi permanentemente destituído do ministério no mês passado após um conselho arquidiocesano ter substanciado um caso em que ele havia abusado sexualmente de um adolescente há 40 anos.

“Fizeram a escolha de deixá-lo no ministério durante a investigação”, disse Susan Matthews, escritora que segue a arquidiocese em seu blog Catholics4change.com. “Eles notificaram o diretor, mas não os pais (...). Isso não é transparente nem responsável”.

A outra situação envolveu o término da prática, que durava já anos, de pagar as despesas escolares para filhos de um pequeno número de vítimas de abusos.

Várias vítimas e defensores contaram ao jornal The Inquirer, da Filadélfia, que nunca lhes contaram sobre o programa, embora a arquidiocese tenha descrito os seus serviços para com as vítimas de abuso sexual em algumas ocasiões.

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