Ministérios femininos na Igreja

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15 Outubro 2016

“Sem dúvida, pode-se chegar à santidade mais alta sem fazer parte da hierarquia. Maria, a mãe de Jesus, é o caso paradigmático. O problema é quando se exclui a mulher da hierarquia fundamentalmente por ser mulher. O ministério não é um direito, mas uma vocação, todos e todas podemos ser chamados e chamadas”, escrevem os jesuítas Xavier Albó (antropólogo e linguista) e Víctor Codina (teólogo), em artigo publicado pelo CIPCACentro de Promoção e Investigação do Campesinato (Bolívia), 10-10-2016. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Insistimos no tema do papel das mulheres na Igreja por sua importância, mas nesta ocasião o abordamos em conjunto, um teólogo e um antropólogo linguista. As mulheres, não só as feministas, questionam-se por que na Igreja Católica elas não fazem parte da hierarquia (diaconato, presbiterado, episcopado), quando na Igreja Luterana e na Igreja Anglicana há pastoras ordenadas e bispas. Nós dois temos experiências muito sugestivas ao participar de celebrações presididas por pastoras e até bispas.

O argumento que se costuma oferecer contra o ministério feminino é que Jesus escolheu 12 apóstolos varões. Neste sentido, tanto Paulo VI como João Paulo II fecharam a porta ao ministério feminino na Igreja Católica. Mas, estas decisões papais não são infalíveis e os argumentos que aduzem são mais sociológicos e anatômicos que teológicos. O patriarcalismo dominante em Israel impedia que Jesus houvesse nomeado mulheres entre os 12 apóstolos que representavam as 12 tribos de Israel. Por outra parte, Jesus não quis estabelecer uma nova sociedade religiosa, mas inspirar um caminho evangélico que com o tempo se tinha que estruturar à luz da Ruah ou Espírito Santo.

Além disso, Jesus, contra o costume de seu tempo, fala com mulheres, cura e as perdoa, e as admite em seu grupo de discípulos. Jesus ressuscitado aparece às mulheres antes que aos apóstolos e Maria Madalena é considerada a apóstola dos apóstolos. Em Pentecostes, o Espírito Santo desce sobre homens e mulheres.

Nas comunidades fundadas por Paulo surgem mulheres em cargos importantes de governo, até então ainda não muito definidos: Febe, Júnia, Prisca, Maria, Trifena, Trifonia, Pérside, etc. Teologicamente falando, tanto o varão como a mulher são imagem de Deus, um Deus Pai e Mãe que com Jesus e a Ruah formam a comunidade divina.

O que aconteceu é que ao se inserir no mundo “pagão”, às estruturas já patriarcais judias foram acrescentadas as greco-romanas; os preconceitos acerca da inferioridade das mulheres foram reforçados com a ânsia de poder patriarcal... com tudo isso se excluíram as mulheres dos ministérios e das estruturas de poder. As razões de tal exclusão são sociológicas e antropológicas, não teológicas, e nascem de uma leitura literalista e fundamentalista da Escritura.

No dia 12 de maio de 2016, em uma reunião do Papa Francisco com a União de Superioras Gerais, uma delas perguntou o que impede que a Igreja ordene diaconisas como aconteceu na Igreja primitiva, posto que as mulheres trabalham na Igreja, ensinam, acompanham doentes e pobres, presidem a liturgia na ausência do sacerdote... O Papa, diante deste questionamento, nomeou uma comissão de especialistas (homens e mulheres) para estudar o diaconato feminino e sua presença na Igreja primitiva.

Abre-se, pois, uma porta ao ministério feminino, uma porta que até agora parecia definitivamente fechada. Confiamos que esta abertura possa conduzir aos demais ministérios femininos na Igreja, diaconisas, presbíteras, bispas... sem excluir, portanto, o Papado, ou seja, ser bispa de Roma. Isto nos daria uma imagem de Igreja hierárquica menos hierática e poderosa, mais humana e terna, mais alegre e simples, mais próxima ao povo e aos pobres.

Sem dúvida, pode-se chegar à santidade mais alta sem fazer parte da hierarquia. Maria, a mãe de Jesus, é o caso paradigmático. O problema é quando se exclui a mulher da hierarquia fundamentalmente por ser mulher. O ministério não é um direito, mas uma vocação, todos e todas podemos ser chamados e chamadas.

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