"A Suécia está à espera de Francisco. A visita será um evento ecumênico." Entrevista com Dom Anders Arborelius, bispo de Escolmo

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • “Uma nova educação para uma nova economia”: Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, ministrará videoconferência nesta quinta-feira

    LER MAIS
  • O enorme triunfo dos ricos, ilustrado por novos dados impressionantes

    LER MAIS
  • Família Franciscana repudia lei sancionada por Bolsonaro que declara o dia 04 de outubro, dia de São Francisco de Assis, como dia Nacional do Rodeio

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

02 Setembro 2016

Fala o bispo de Estocolmo, que descreve a pequena comunidade católica em uma realidade de maioria protestante, fortemente marcada pela secularização. Bergoglio abrirá, no dia 31 de outubro, o denso calendário para recordar o 500º aniversário da Reforma, encontro promovido pela Federação Luterana Mundial e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

A reportagem é de Sarah Numico, publicada no sítio do Servizio di Informazione Religiosa (SIR), 31-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No próximo dia 31 de outubro, o Papa Francisco estará em Lund, na Suécia, para uma comemoração que vai marcar o início do denso calendário que, em escala mundial, foi preparado para recordar o 500º aniversário da Reforma. O evento sueco foi desejado pela Federação Luterana Mundial (FLM) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos para "destacar os 50 anos de constante diálogo ecumênico entre os católicos e os luteranos e os dons dessa colaboração", explica uma nota conjunta da FLM e do Pontifício Conselho.

Serão dois os momentos da comemoração: na histórica catedral da cidade, onde, em 1947, foi fundada a FLM, será realizada uma celebração baseada no guia litúrgico "Oração Comum", que se inspira no documento de 2013 "Do conflito à comunhão", em que, pela primeira vez, católicos e luteranos releram juntos os 500 anos da Reforma.

Um segundo momento, pensado para os jovens, será em Malmö: três horas em que serão apresentadas "atividades que se concentram no compromisso com o testemunho comum e o serviço ao mundo de católicos e luteranos". Na manhã do dia 1º de novembro, o Papa Francisco celebrará uma missa para os católicos suecos.

O bispo de Estocolmo, Dom Anders Arborelius, carmelita descalço, aborda com o SIR as características da sua comunidade.

Eis a entrevista.

Pode nos fazer um retrato da Igreja Católica na Suécia, os seus pontos fortes e as suas dificuldades?

A Igreja Católica na Suécia é uma pequena minoria, da qual participa cerca de 1,5% da população total, ou seja, 115 mil registrados (no país, vivem muitos mais, mas não estão registrados oficialmente). A maioria dos católicos são imigrantes ou descendentes de imigrantes, divididos em quatro grandes grupos: poloneses, croatas, latino-americanos e médio-orientais. De católicos autóctones, há poucos, mas, todos os anos, há conversões, em sua maioria de pessoas de cultura médio-alta. A Igreja aqui, portanto, é verdadeiramente universal e multicultural, e, no entanto, há um sentido de unidade, embora possa ser difícil unir os grupos. Muitos preferem ter a missa nas suas línguas ou ritos. Por outro lado, graças à imigração, a Igreja cresce, e fazem-se necessários mais templos. Recentemente, conseguimos adquirir igrejas protestantes, e usamos regularmente uma centena delas, convidados pelos protestantes, em lugares onde não as temos. Contamos ainda com um certo número de mosteiros contemplativos: é uma característica da nossa situação que haja essa abertura à espiritualidade.

O que o senhor pode dizer sobre a cooperação ecumênica e inter-religiosa? A atividade do Conselho de Igrejas parece muito intensa...

Na Suécia, vivemos uma relação muito harmoniosa entre as Igrejas em nível humano e pessoal. Naturalmente, existem dificuldades no plano dogmático e ético, mas há uma boa colaboração nos temas sociais. A parte mais fecunda do ecumenismo é a da espiritualidade. Além disso, o Conselho de Igrejas é muito unido no seu esforço em favor dos refugiados. O diálogo inter-religioso também é muito positivo, especialmente com os judeus.

Como descreveria a sociedade sueca? Quais são as maiores necessidades que o senhor percebe?

A Suécia é uma sociedade pós-protestante e secularizada, mas o é há tanto tempo que, agora, as pessoas estão ficando cada vez mais interessadas pelas questões ligadas à religião. O materialismo e o hedonismo são muito fortes, assim como a atitude individualista que gerou muita solidão e depressão.

Milhares de imigrantes chegaram no seu país: como está a situação? Há lugar, dinheiro, trabalho, assistência médica, escolas para todos? A Suécia está preparada para enfrentar a difícil tarefa da integração?

No ano passado, chegaram cerca de 160 mil pessoas à Suécia, e houve dificuldades para acolhê-las, mas também encontramos muito apoio por parte da sociedade civil. A Suécia é um país rico, e, pessoalmente, eu acho que temos a possibilidade de acolher a todos. Ao mesmo tempo, estão se difundindo rapidamente sentimentos anti-imigrantes.

Qual a atitude dos suecos em relação à próxima visita do papa?

As pessoas estão muito interessadas, há muita simpatia pelo papa como pessoa. A sua visita terá um significado ecumênico relevante.

Que expectativas o senhor tem para essa ocasião?

Espero sinceramente que a visita do papa possa reforçar a fé cristã de muitos na Suécia, seja a que Igreja pertençam. Ele vem para todos, não só para nós, católicos. Em todos os casos, ele poderá ajudar a nós, católicos, a crescer na unidade e a nos tornarmos mais conscientes da nossa tarefa de difundir o Evangelho com a palavra e com a ação.

Leia mais:

Um sinal “maravilhoso” do chamado à unidade cristã. Bispa canadense reflete sobre a comemoração ecumênica em Lund

Rumo à Suécia: católicos e luteranos entre memória e globalização

Papa na Suécia: declaração conjunta da Federação Luterana Mundial e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos

O Papa amplia para dois dias sua visita à Suécia para comemorar a Reforma Luterana

Papa irá à Suécia para o Jubileu da Reforma: reações protestantes

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

"A Suécia está à espera de Francisco. A visita será um evento ecumênico." Entrevista com Dom Anders Arborelius, bispo de Escolmo - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV