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11 Agosto 2016

“Ela já fez um trabalho, foi posta à prova e o fez com muita eficiência, efetividade, responsabilidade, com muito sacrifício, sem horário”. A fala é do comandante Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, que oficializou a candidatura a vice-presidente da Nicarágua, pela Frente Sandinista, da poetisa Rosario Murillo, para as eleições de 06 de novembro, nomeando-a também sua legítima herdeira. Com estas credenciais, o fato de se tratar de sua mulher, pode parecer apenas uma pequena coincidência. No entanto, estranhamente, há vozes que se levantam denunciando o escândalo: “É uma tentativa de impor um regime de partido único, em cuja cabeça está uma dinastia familiar com poder econômico e político”, segundo as palavras usadas em um programa de televisão pelos opositores políticos e ex-ícones sandinistas Dora María Téllez e Luis Calleja.

A reportagem é de Lorenzo Galliani e publicada por Tierras de América, 08-08-2016. A tradução é de André Langer.

A first lady, que é ao mesmo tempo a candidata à vice-presidência e a primeira na linha sucessória do presidente, não é uma invenção da Nicarágua. “Nas democracias a igualdade formal nunca conseguiu superar as desigualdades substanciais”, afirma o estudioso italiano Alessandro Campi na introdução a uma série de ensaios publicados em 2015 com o título O poder do sangue. A política como assunto de família. Traduzido: é certo que só em tempos recentes foi possível que “a filha de um pequeno comerciante, Margaret Thatcher” se transformasse em “primeiro-ministro da mais antiga democracia parlamentar”, a do Reino Unido.

No entanto, com histórias muito diferentes entre si e que, portanto, nos limitamos a enumerar, encontramos: as gerações de Bush e Clinton nos Estados Unidos, os Castro em Cuba, o sobrenome Kirchner na Argentina que, sucessivamente, entre Néstor e Cristina, ocupou a presidência entre 2003 e o ano passado. Os Gandhi-Nehru na Índia e uma miríade de dinastias desde Bangladesh até a Coreia. Também em muitos destes casos com a presença de mulheres – esposas ou mães – dispostas a substituir o líder.

A eleição de um sucessor é sintoma de fragilidade, afirma a já citada Dora María Téllez: “Ortega sente-se muito fraco” e – se diz por causa de suas condições de saúde – quer preparar o caminho para um futuro bem doméstico. Neste caso em particular, com sua esposa Rosario Murillo, que se mostrou comovida ouvindo as belas palavras que lhe dirigiu o seu marido-comandante e provocaram o entusiasmo dos ativistas da Juventude Sandinista, dispostos a inundar o país com “santinhos” da candidata que, até poucos dias atrás, era “apenas” a esposa do comandante e não a herdeira do poder.

A tudo isso se soma a expulsão – também bastante recente – de 28 opositores do Parlamento Unicameral, que dizimou o Partido Liberal Independente, cuja condução, por decisão da Suprema Corte da Nicarágua, ficou a cargo de um político considerado muito próximo ao próprio Ortega. “Quando o povo tem os direitos negados”, disse poucas semanas antes o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manágua, dom Silvio José Báez, “é morto de maneira institucional”. Palavras fortes e claras, que vem do centro da Igreja local: “A ideologia única, o partido único, não é bom para o país. A pluralidade não significa necessariamente conflito, confronto. Este é o grande desafio: apreciar e reconhecer a diversidade de opiniões”.

Um desafio que, considerando a história mais ou menos recente, parece ter-se evitado cuidadosamente: a sétima candidatura do comandante, presidente da Nicarágua desde 2007 depois de já tê-lo exercido entre 1985 e 1990, que está concluindo seis anos como Governador da Junta de Reconstrução Nacional, faz subir o alarma de um incipiente totalitarismo. Com maior razão após escolher a sua vice. Mas, segundo as palavras ditas pela poetisa Murillo aos jornalistas amigos, de maneira alguma é assim: “A Revolução Popular Sandinista abriu as portas ao protagonismo das mulheres”.

Digamos que ser a esposa do presidente pode ajudar.

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