Arcebispo de Canterbury acolhe família de refugiados da Síria

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20 Julho 2016

Uma família síria foi acolhida em uma propriedade vacante no espaço do Palácio de Lambeth, confirmou o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, na ocasião em que ele e o Ministério do Interior lançaram um programa para incentivar o público, grupos comunitários, grupos religiosos, instituições de caridade e empresários a acolher famílias de refugiados que se assentarão na Inglaterra.

A reportagem é de Harriet Sherwood, publicada por The Guardian, 19-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em seu escopo mais amplo, o programa visa a ajudar o governo a cumprir o compromisso de reassentar 20 mil refugiados sírios no país antes de 2020. Até agora, cerca de 1.800 refugiados foram reassentados, menos de 10% do total.

Durante o ano passado, houve inúmeras – e por vezes caóticas – iniciativas ad hoc, realizadas por grupos comunitários e o público em geral, todas destinadas a dar auxílio aos refugiados que estão à espera de vir à Inglaterra. As doações de alimentos, roupas, livros e utensílios domésticos, além de ofertas de alojamento em recintos vagos, sobrecarregaram grupos de ação social.

No lançamento do programa, no Palácio de Lambeth, a ministra do Interior, Amber Rudd, disse: “A resposta do público britânico à crise dos refugiados tem sido muito positiva e muitos ficaram comovidos, fazendo doações em massa para a assistência necessária”.

Ela disse também que o programa “é um desenvolvimento inovador para os reassentamentos na Inglaterra e eu encorajo as organizações para que ajudem oferecendo o seu apoio”.

Perguntada por que se passaram 10 meses até que o Ministério do Interior estabelecesse um calendário e um programa pelo qual as ofertas de ajuda a refugiados pudessem ser postas em prática, Rudd disse: “Tínhamos de estar absolutamente claros de que estávamos fazendo tudo corretamente e com segurança. Trata-se de famílias, de crianças – e ainda que tenhamos pressa, não podemos comprometer a segurança em momento algum”.

“Temos agora a estrutura e a arquitetura para tentar canalizar a extraordinária boa vontade das pessoas que querem ajudar (...). Com este plano, espero ver um grande avanço nesse sentido. Foi certo levarmos todo este tempo, pois agora podemos entregar um programa completo”.

Welby disse que não existe “a sensação de atraso por parte do Ministério do Interior ou do governo”. É preciso ter um cuidado especial ao se lidar com famílias que tiveram experiências traumáticas. “Já desde o início, as coisas têm de ser feitas de maneira correta, ou acabaremos abrindo portas para tragédias futuras”, disse ele.

Organizações parceiras devem ter a anuência das autoridades locais para participar do programa. Elas precisam também definir um plano para os assentamentos a fim de se inscreverem. Estas organizações vão garantir a habitação, ajudarão os refugiados a acessar serviços médicos e sociais, arranjarão aulas de inglês e darão apoio aos refugiados na busca por trabalho.

Uma página para “ajuda aos refugiados na Inglaterra”, hospedada no sítio eletrônico do governo, permitirá que o público dê o seu apoio. As pessoas poderão escolher a partir de várias opções de doação, incluindo vestuário, equipamento para bebês, roupas de passeio e o uso de habitações vacantes, as quais devem ser autossuficientes e estar disponíveis por, pelo menos, 12 meses.

Rudd disse que foram feitas checagens cuidadosas junto aos refugiados que poderiam ser reassentados, tanto pela ONU como pelo governo. “Às pessoas que abrirão suas casas e às que arrecadarão fundos em suas comunidades, esperamos ter condições de garantir que não vamos correr nenhum risco com a segurança. E essas checagens que fizemos vão manter as pessoas seguras”.

O Palácio de Lambeth, onde vive Welby e sua família e onde fica a sua sede administrativa como arcebispo de Canterbury, é o primeiro espaço comunitário a ser aprovado para receber uma família de refugiados. Em setembro passado, Welby ofereceu uma pequena casa nas dependências do palácio a uma família síria.

“É um privilégio enorme acolher uma família aqui nas dependências do palácio”, disse o religioso. O programa “dá a igrejas e outros grupos da sociedade civil a oportunidade de garantir abrigo àqueles que fogem de lugares devastados pela guerra”, acrescentou.

Rudd, que se encontrou com a família nesta terça-feira, 19-07-016, disse que todos os quatro filhos, com idades entre 4 e 10, afirmaram que desejam ser médicos. Segundo ela, “em alguns anos, isto vai ser uma grande ajuda para o nosso serviço nacional de saúde, ter quatro novos médicos. Fiquei realmente comovida com a experiência de encontrá-los e de ouvir, diretamente deles, sobre a mudança importante e animadora que tudo isso representa em suas vidas”.

Welby disse que muito trabalho precisou ser feito para se chegar a este estágio, e que houve uma parceria extraordinária entre o Ministério do Interior e o Palácio de Lambeth. O arcebispo acrescentou: “É um grande privilégio estar envolvido nisso”. O Palácio de Lambeth não quis dar mais detalhes sobre a família.

O executivo-chefe do Conselho de Refugiados, Maurice Wren, deu as boas-vindas ao programa, dizendo: “Este plano ajuda a aproveitar o entusiasmo e a determinação do público em acolher refugiados em suas comunidades. Esperamos que este plano possa também ser um caminho para que mais refugiados de todas as nacionalidades cheguem à Inglaterra de forma segura e legal no futuro”.

E acrescentou: “Esta iniciativa deve ser complementada com uma resposta muito mais compassiva e abrangente por parte do governo para o enfrentamento da crise mundial de refugiados, uma iniciativa que priorize dar passagem segura aqui a mais refugiados, em especial aqueles que esperam desesperadamente se juntar a seus entes queridos”.

Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e o principal prelado da Igreja Católica na Inglaterra e País de Gales, disse: “Este programa inovador vai permitir que todos se envolvam na acolhida aos refugiados, apresentando uma forma concreta em que as pessoas possam ajudar os recém-chegados a se assentarem nas comunidades”.

O governo concordou em tirar até 3 mil crianças vulneráveis e seus familiares diretamente dos campos de refugiados no Oriente Médio e no norte da África, além dos 20 mil refugiados previstos pelo programa de reassentamento de pessoas vulneráveis.

Mais de 160 entidades locais já se inscreveram para receber refugiados.

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