O Governo nicaraguense ataca a Igreja

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Por: André | 21 Junho 2016

O governo da Nicarágua, presidido por Daniel Ortega, demorou pelo menos 24 horas para responder, por meio do magistrado Francisco Rosales Argüello, presidente da Sala Constitucional da Suprema Corte da Justiça, ao comunicado da Conferência Episcopal da Nicarágua, no qual esta pede que as eleições gerais de novembro se realizem em um clima de transparência, competitividade e pluralismo ideológico. Os bispos também pediram que as eleições tivessem a participação de observadores nacionais e internacionais.

A reportagem é de Israel González Espinoza e publicada por Religión Digital, 19-06-2016. A tradução é de André Langer.

Em uma entrevista coletiva, o magistrado Rosales, acompanhado dos demais magistrados da Sala Constitucional atacou a cúpula empresarial, a Igreja e em especial o bispo auxiliar de Manágua, o carmelita descalço Silvio José Báez, a quem acusou de ser um “ativista político”.

Na semana passada, a Sala Constitucional esteve na mira da opinião pública do país devido a uma polêmica decisão do tribunal que despojou a oposição nicaraguense, aglutinada na denominada Coalizão Nacional pela Democracia (CND), da representação legal da cadeira 13, para entregá-la a um grupo político alheio.

Esta decisão foi criticada dentro do país pelo empresariado, por políticos de diferentes tendências ideológicas que integram a CND e por vários bispos, entre eles o cardeal Leopoldo Brenes, arcebispo de Manágua. Brenes disse ao jornal La Prensa de Manágua que a decisão da Suprema Corte de Justiça repercutiria negativamente nas eleições.

Em tom irado e chateado, Rosales acusou os bispos da Nicarágua de fazerem proselitismo político. O funcionário do Poder Judiciário da Nicarágua, após criticar a Igreja, demonstrou seus conhecimentos em história e direito para dizer que a Igreja não “unge” os governantes em um Estado moderno.

“Quando o Papa perde o poder temporal e surge o Estado moderno desaparece a concepção teológica do poder e o Papa deixa de ungir o governante. O Estado moderno e a República põem fim à monarquia e abrem passagem a uma sociedade moderna como a que vivemos. Não é Sua Santidade nem o cardeal nem ninguém que vai ungir os governantes de um país dentro do Estado moderno atual”, disse o magistrado Francisco Rosales entre gesticulações e irritação.

Rosales foi além e continuou fazendo comentários – em tom elevado – contra a Igreja, que acusou de ser a instituição “mais antidemocrática” do mundo. Também criticou o bispo auxiliar de Manágua, dom Silvio José Báez. “O que faz (monsenhor) Silvio Báez quando sai dando declarações sobre isto (a decisão do CSJ)? Faz atividade política. Mas não vou entrar em uma discussão com a Igreja. Mas se há alguém mais antidemocrático no mundo por excelência, é a Igreja católica”, disse o magistrado Rosales, visivelmente irritado.

Para muitos setores do país, as palavras virulentas do magistrado Francisco Rosales são a resposta do Executivo de Ortega, que, ao não poder reagir diretamente ao pronunciamento da Igreja, o fez por intermédio de seus operadores políticos assentados em outro poder do Estado.

Se o governo de Daniel Ortega (que completará 10 anos no poder em 2017) reagiu com irritação ao pronunciamento da Igreja a favor da democracia, outros setores e personalidades apoiaram a instituição e monsenhor Báez diante dos ataques do magistrado Francisco Rosales.

“Não vale a pena falar tanto de Deus e ignorar a sua Igreja. Clara posição da Conferência Episcopal; merece respeito e atenção”, disse pelo Twitter a escritora e poetisa feminista Gioconda Belli.

Francisco Rosales acusa os bispos de serem ativistas políticos. Isso não é problema. Que ele, sendo magistrado, o seja, isso sim é grave”, apontou nesse mesmo sentido a ex-guerrilheira sandinista Dora María Téllez, que agora faz parte da oposição a Ortega e é membro da CND.

O jornalista Luis Sánchez Sancho, colunista do jornal La Prensa, assinalou em um artigo que “Os bispos, como cristãos que são, estão acostumados a esses delírios do poder. Não vão, por isso, renunciar à sua missão pastoral de proclamar a verdade”.

Este acontecimento é o último dos conflitos entre a Igreja e o Governo de Ortega em 10 anos, entre outras razões, pelos excessos de Ortega no poder e o empenho da Conferência Episcopal da Nicarágua por manter-se firme na defesa da democracia, dos direitos humanos e da denúncia profética.

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