Do Papa uma sacudida à Igreja machista. Entrevista com Irmã Carmen Sammut, paladina do diaconato feminino

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Bartomeu Melià: jesuíta e antropólogo evangelizado pelos guarani (1932-2019)

    LER MAIS
  • Vivemos uma ‘psicopatia difusa’ na política brasileira, diz psicanalista

    LER MAIS
  • Do samba ao funk, o Brasil que reprime manifestações culturais de origem negra e periférica

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

16 Maio 2016

“Mas você jamais refletiu sobre a Última Ceia? Em que sentido, irmã? “Nas configurações feitas também por grandes artistas quase nunca há mulheres. Isso lhe parece possível? Uma ceia sem mulheres? No entanto, esta visão de uma comunidade eclesial sem mulheres, de uma Igreja em suas cúpulas somente masculina, nós a assimilamos, a interiorizamos. Creio que chegou o momento de libertar-nos e de dar o justo peso à presença feminina na Igreja”.

Irmã Carmen Sammut, presidente da UISG - União Internacional de Superioras Gerais -, coletou, junto a outras Irmãs, as perguntas feitas a Francisco na audiência do dia 13-05-2016. Minutos depois, olhos despertos, numa pausa dos trabalhos da reunião das 800 religiosas no Hotel Ergife em Roma, admite: “Em todo caso, que cacetada!”.

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada por Repubblica, 14-05-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a engtrevista.

Desculpe, como assim?

A resposta de Francisco sobre o diaconato feminino é uma bela cacetada salutar. É hora que dessa coisa se comece a falar.

Fala-se disso demasiado pouco?

Claro, é evidente. Não só a Igreja de Roma, mas a Igreja em todo o mundo elidiu o problema. Ao invés, muitas de nós somos chamadas a desenvolver um serviço que, nos fatos, já é um diaconato. Por isso, temos colocado a questão ao Papa: parece-nos justo que o diaconato seja reconhecido, porque nos demos conta de que as pessoas às quais somos enviadas nos olha assim. O diaconato pode, neste sentido, trazer muito fruto.

Falava da Última Ceia. Jesus como discípulos escolheu doze homens...

Sim, veja, mas com as mulheres nos Evangelhos fez coisas escandalosas, desculpe-me o termo, para aquela época. Se fazia aproximar, podiam tocá-lo, estar junto dele. Parece-lhe pouco? Depois, infelizmente, foi a Igreja que separou homens e mulheres, uma separação desastrosa.

Um Papa, Albino Luciani, também falou de Deus como mãe.

Deus não é pensável simplesmente como pai, como homem. O Espírito, de resto, sempre foi visto no feminino.

Que impressão teve do Papa, ele é favorável ao diaconato ou não?

Ele nos disse que também para ele deveria haver mais mulheres nos postos de comando da Igreja. E que estes postos sejam desconectados da ideia de que podem ocupá-los somente padres. Em virtude do nosso batismo podemos contribuir no momento em que se tomam decisões na Igreja. Seria um valor para todos.

E sobre o diaconato?

Por enquanto não evitou a questão, que lhe foi feita porque de diversas partes do mundo nos foi solicitado colocá-la. Nós lhe enviamos as questões anteriormente e ele aceitou responder a todas. Também uma dedicada ao dinheiro, que tinha sido riscada. Em todo caso, a disponibilidade de estudar o diaconato é um passo importante. “Não queremos ser padres e nem bispos, por favor, mas que seja reconhecido o nosso diaconato como serviço porque é útil para o povo.

Por que considera as mulheres importantes para os processos de tomada de decisão da Igreja?

Nós mulheres temos outro visão sobre os problemas. Sem a nosso visão as decisões são mancas, falta-lhes uma parte. Homens e mulheres devem trabalhar juntos.

A Igreja é demasiado machista?

A meu ver, nas suas cúpulas sim.

No Sínodo vocês têm tido espaço?

Bah, muito pouco. Havia mulheres, mas poucas. Mas realmente não creio que seja apenas um problema de Roma. É um problema da Igreja em geral. A certa altura se começou a fazer assim e este uso se tornou praxe.

O cardeal Pietro Parolin disse que por si uma mulher poderia tornar-se Secretário de Estado.

Secretário de Estado não sei. Mas a chefia de dicastérios, sim, certamente. Francisco o afirmou ontem: devem separar-se as funções, os papéis na Igreja dos sacramentos. Portanto, uma mulher pode ser colocada em qualquer função. E depois ele disse outra coisa muito forte.

Qual?

Falou do Código de Direito Canônico. E falou que, se uma coisa é vedada pelo Código, isso não significa que deva permanecer vedada para sempre. O Código compreende leis, mas as leis podem ser mudadas.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Do Papa uma sacudida à Igreja machista. Entrevista com Irmã Carmen Sammut, paladina do diaconato feminino - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV