A transferência de Dom Darci para Diamantina

Revista ihu on-line

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Mais Lidos

  • Bolívia. “O elemento central da derrubada de Evo Morales não é a direita, mas o levante popular”. Entrevista com Fabio Luís Barbosa dos Santos

    LER MAIS
  • Finanças do Vaticano, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero é o novo prefeito

    LER MAIS
  • Representante do Papa participa de Encontro "Economia de Francisco" na PUC-SP

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: Cesar Sanson | 11 Março 2016

"Como cristão bem informado posso opinar sobre a transferência do bispo auxiliar de Aparecida, Dom Darci José Nicioli, para a Arquidiocese de Diamantina. Ao contrário das notícias divulgadas em variadas fontes, a transferência do prelado não tem nada a ver com o lamentável episódio ocorrido no último domingo". O comentário é de Robson Sávio Reis Souza, professor da PUC Minas, pesquisador e coordenador do grupo gestor do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas (Nesp) em artigo publicado no seu blog, 09-03-2016.

Eis o artigo.

Não sou porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nem do Vaticano. Mas, como cristão bem informado posso opinar sobre a transferência do bispo auxiliar de Aparecida, Dom Darci José Nicioli, para a Arquidiocese de Diamantina.

Ao contrário das notícias divulgadas em variadas fontes, certamente fruto da imaginação de seus autores, a transferência do prelado não tem nada a ver com o lamentável episódio ocorrido no último domingo, quando Dom Darci numa missa no Santuário Nacional de Aparecida, depois de falar em pisar a cabeça da serpente durante a homilia, concluiu a oração dos fiéis dizendo: “Peça, meu irmão e minha irmã, a graça de pisar na cabeça da serpente. De todas as víboras que insistem e persistem em nossas vidas. Daqueles que se autodenominam jararacas. Pisar a cabeça da serpente. Vencer o mal pelo bem por Cristo nosso senhor. Amém”.

Todos interpretaram que se tratava de clara alusão a Lula. Dois dias antes da pregação do bispo, o ex-presidente havia se comparado a uma jararaca ao comentar a operação da Polícia Federal que o impôs uma condução coercitiva. Ironizando o fato, Lula afirmou que não mataram a “jararaca” pois teriam acertado o rabo e não a cabeça.

A transferência de Dom Darci já tinha sido decidida dias antes pelo Papa Francisco, acolhendo o pedido de renúncia apresentado por Dom João Bosco Oliver de Faria, pelo fato de ter completado 75 anos de idade, em conformidade com o cânon 401, parágrafo 1º, do Código de Direito Canônico. A mudança já tinha sido comunicada à Nunciatura Apostólica brasileira e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e se realizaria independentemente do fato ocorrido no domingo, dia 06/03. Dizer que o Papa Francisco interviu nesse caso é usar inadequadamente o nome de Francisco a provocar mais cizânia. E isso não é correto. Serve somente para exaltar ainda mais os ânimos...

E, por falar em Diamantina, essa Arquidiocese ficou muito conhecida no Brasil durante o episcopado de Dom Geraldo de Proença Sigaud.

Dom Sigaud empreendeu uma enorme cruzada contra o que denominava “a influência das ideias comunistas no Brasil”. Tal empreitada levou-o a escrever uma Carta Pastoral, intitulada “Catecismo Anticomunista”, com larga difusão no país. (Veja aqui). Juntamente com Dom Antônio de Castro Mayer e Plínio Corrêa de Oliveira escreveram o livro Reforma Agrária, Questão de Consciência. Segundo os autores, uma reforma das estruturas sociais levaria o Brasil rumo ao comunismo.

Dom Sigaud foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). Nas décadas de 1960 e 1970 era um crítico ferrenho do chamado clero progressista, confrontando-se em várias ocasiões com Dom Hélder Câmara, chamado pela imprensa brasileira de “o arcebispo vermelho”.

Ainda na biografia de D. Geraldo de Proença Sigaud consta sua nomeação como secretário do Coetus Internationalis Patrum, grupo liderado Dom Lefebvre, contrário as influências progressistas do Concílio Vaticano II. Lefebvre e outros três bispos foram excomungados em 1988. Em 2009, durante o pontificado do Papa Bento XVI, o Vaticano removeu a excomunhão dos quatro prelados da Fraternidade São Pio X. (Veja aqui).

Que a histórica Diamantina, com a chegada de Dom Darci, seja reconhecida daqui para frente por outras histórias...

PS: a transferência de Dom Darci tem gerado todo o tipo de interpretação. Para uns, trata-se de promoção; para outros, de castigo. A bem da verdade, nem uma coisa; nem outra.

É importante esclarecer que nomeação ou a transferência de um bispo é um processo longo e bastante cuidadoso que envolve desde a consulta do clero, passando pela consulta ao episcopado de cada país, num procedimento coordenado geralmente pelas Nunciaturas Apostólicas (representações do Vaticano em cada estado nacional) , antes da definição do Papa. Assim sendo, diferentemente do senso comum e a não ser em casos excepcionalíssimos, o Pontífice nunca toma medidas dessa natureza de forma discricionária, numa canetada.

Veja também:

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A transferência de Dom Darci para Diamantina - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV