A Santa Sé expulsou quase mil padres na última década por pedofilia

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Por: Jonas | 09 Março 2016

É a maior chaga na Igreja católica das últimas décadas. Desde que deflagrou o caso de abusos sexuais nas dioceses de Boston, em 2001 – retratado com maestria pelo filme ganhador do Oscar “Spotlight” -, as denúncias contra sacerdotes e religiosos se espalharam como pólvora. Segundo dados da própria Santa Sé, na última década, foram mais de 6.000, com uma média de aproximadamente 600 casos por ano.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 06-03-2016. A tradução é do Cepat.

De 2004 - ano em que foram recebidas quase 800 denúncias - à atualidade, a maquinaria canônica autuou muitas causas, e quase mil padres - 848 - foram expulsos do sacerdócio, “reduzidos ao estado laical”, segundo dados da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, criada pelo Papa Francisco e que tenta coordenar a resposta da Igreja frente a este câncer. Mais da metade das denúncias acaba chegando a julgamento via canônica e cerca de três em cada quatro terminam com a condenação do acusado. Para além do processo religioso sob as leis canônicas do Estado vaticano, há casos encaminhados via civil em cada país.

Das quase 6.000 denúncias apresentadas à Santa Sé, entre 2004 e 2013, a Congregação para a Doutrina da Fé estudou “3.420 casos credíveis de abusos contra menores de 18 anos”. Ou seja, a metade das apresentadas. O ano de 2004 conta com muito mais demandas que restante porque reuniu condutas criminosas cometidas desde 1950. Destes mais de 3.000 casos, 848 sacerdotes foram punidos. No restante dos casos, os sacerdotes foram simplesmente responsabilizados com diferentes penas, que o relatório vaticano não especifica, mas que podem ir desde uma pena temporária a uma transferência, ou a que evitem contato com menores.

No aspecto puramente jurídico, a responsabilidade recai sobre a Congregação para a Doutrina da Fé. Nos escritórios da antiga Inquisição, os relatórios se amontoam. Uma causa contra um sacerdote por pedofilia ou contra religiosos e bispos por acobertamento, demora anos para se substanciar, pois o sistema vaticano é altamente protetor. De fato, o Papa Francisco precisou nomear, há alguns meses, um terceiro secretário adjunto da Congregação para que se ocupe única e exclusivamente destes casos.

 
Fonte: http://goo.gl/75AOPX  

“Não é o suficiente”, reconhecia Bergoglio no voo de retorno do México, onde deixou claro que não há lugar na Igreja para os abusadores e seus cúmplices.

“Um bispo que troca um sacerdote de paróquia quando se detecta um caso de pedofilia é um inconsciente e o melhor que pode fazer é apresentar a renúncia. Está claro?”, apontou então o Papa, talvez pensando em seu ministro das Finanças, George Pell, que acaba de falar a respeito de seu papel na gestão de casos de abusos sexuais, décadas atrás, na Austrália.

Bergoglio, que já falou no momento do caso de abusos em Granada que “a verdade é a verdade e tem que vir à luz”, na última entrevista, acrescentou: “Agradeço a Deus que tenha sido descoberta esta onda e é preciso continuar descobrindo-a. E tomar consciência. E, por fim, quero dizer é que uma monstruosidade, porque um sacerdote é consagrado para levar uma criança a Deus e lá é abusada em um sacrifício diabólico, destruindo-a”.

Enquanto isso, as denúncias continuam chegando a Roma, e os papéis se amontoando. Na Espanha, há cerca de uma dezena de casos na atualidade, sendo que os mais conhecidos são os relativos a Granada, o Colégio Gaztelueta do Opus Dei e os maristas de Barcelona.

 
Fonte: http://goo.gl/75AOPX  

Um religioso espanhol, bem informado sobre os casos existentes em nosso país, admite em particular que “infelizmente, e apesar da boa vontade do Papa e do G9 (grupo de cardeais que assessoram o Papa na reforma da Cúria), muitos casos de abusos só se resolverão quando vítima e agressor tiverem morrido”.

As razões são muitas: falta de pessoal, o fato de que muitas denúncias são feitas apenas após 30, 40 anos e, sobretudo, a sensação de que tanta denúncia pode gerar o terreno fértil para se pensar que toda Igreja está infectada.

“Muitos não denunciam porque querem seguir com sua vida e esquecer. É preciso compreendê-las, mas também ressaltar a coragem de tantas pessoas que deram um passo adiante, e que com sua denúncia podem contribuir para evitar novos abusos e colocar fim aos que estejam ocorrendo”.

Hans Zollner, jesuíta e membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, é claro a este respeito. “Temos trabalho o suficiente para 30 ou 50 anos a mais”. Porque as denúncias continuam chegando. As condenações, ainda que a conta-gotas, também.

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