Francisco pode precisar expandir a sua zona de conforto para incluir sobreviventes de abusos sexuais

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09 Março 2016

"No sábado, 05-03-2016, Francisco teve uma audiência com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Católica grega na Ucrânia, recebendo um ícone de presente. Este momento foi capturado em fotos oficias do Vaticano que projetaram uma demonstração de solidariedade. No final, bispos grego-católicos emitiram um documento dizendo que “o Santo Padre nos ouve”. Enquanto isso, os sobreviventes de abusos sexuais, bem como os seus familiares e advogados, têm os seus motivos para sentirem-se ambivalentes em relação ao papa", escreve John L. Allen Jr., em artigo publicado por Crux, 07-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Eis o artigo.

Recentemente, dois grupos diferentes dentro da Igreja Católica se queixaram de estarem sendo incompreendidos ou abandonados pelo Papa Francisco, o que faz ser instrutivo comparar as respostas do pontífice em cada caso.

Um destes grupos compõe-se dos católicos orientais, os da Igreja Católica grega na Ucrânia, enquanto o outro compõe-se pelos sobreviventes de abuso sexual clerical. Em resumo, a reação do papa ao primeiro parece um exemplo clássico de trabalho social eficaz, enquanto o segundo até agora parece um conto sobre oportunidades desperdiçadas.

Quanto aos grego-católicos, muitos acharam que o encontro histórico de Francisco, no dia 12 de fevereiro, com o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa em Havana, Cuba, foi um golpe de propaganda política para Moscou, e que a declaração conjunta que os dois líderes assinaram foi ainda pior: na maior parte, uma série de concessões católicas aos russos, incluindo uma linguagem que poderia ser interpretada a invalidar a crítica da invasão da Rússia à Ucrânia.

Após a visita de Francisco ao México em fevereiro, estas queixas reuniram forças em países católicos orientais e ficou claro, no fim da viagem, que o papa as percebeu.

No voo de volta a Roma, ele disse entender por que muitos católicos gregos “se sentiam profundamente decepcionados e traídos por Roma”, e falou sem rodeios que a declaração conjunta que assinou ao lado de Kirill é “discutível”. Ele igualmente afirmou que o chefe da Igreja Católica grega, Dom Sviatoslav Schevchuk, velho amigo dos tempos de Buenos Aires, é um “filho legal da Igreja”.

No sábado, 05-03-2016, Francisco teve uma audiência com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Católica grega na Ucrânia, recebendo um ícone de presente. Este momento foi capturado em fotos oficias do Vaticano que projetaram uma demonstração de solidariedade.

No final, bispos grego-católicos emitiram um documento dizendo que “o Santo Padre nos ouve”.

Enquanto isso, os sobreviventes de abusos sexuais, bem como os seus familiares e advogados, têm os seus motivos para sentirem-se ambivalentes em relação ao papa.

Eles se queixaram de que Francisco nomeou um bispo no Chile conhecido como amigo do padre pedófilo mais notório do país. Eles viram um sobrevivente de abuso sexuais sair do painel antiabuso papal depois de emitir críticas à nomeação do bispo chileno, e também ficaram se perguntando por que Francisco não tomou nenhuma atitude com relação ao Cardeal George Pell como decorrência de seu histórico em casos de abuso sexual na Austrália.

Os sobreviventes igualmente observaram que Francisco não se reuniu com vítimas de abuso durante a sua ida ao México no mês passado, muito embora este país fora atingido por um escândalo em torno da Legião de Cristo e seu fundador, Marcial Maciel Degollado.

Até o momento, Francisco não abordou estas questões diretamente, estando, pelo menos aparentemente, contente em deixar que os outros falem por ele.

Na semana passada, um grupo de 15 sobreviventes australianos, junto com parentes e apoiadores, estiveram em Roma para assistir a Pell depor diante de uma Comissão Real australiana via videoconferência. Eles diziam a todo o momento que gostariam de se encontrar com o papa, e a certa altura Pell divulgou uma nota prometendo ajudar para que o encontro acontecesse.

Foi um tanto desconcertante, no entanto, ouvir um porta-voz do Vaticano dizer que nenhum encontro aconteceria porque não havia sido feito nenhum pedido oficial. Todo mundo sabia que as vítimas queriam isso, e poucas vezes Francisco se mostrou escravo dos protocolos...

Existem, no mínimo, três fatores que podem ajudar a explicar as repostas díspares de Francisco nestes dois casos.

Inicialmente, entre os críticos greco-católicos está uma série de bispos, onde há prelados que Francisco conhece pessoalmente. Qualquer papa levaria estas críticas a sério, especialmente quando os bispos representam uma Igreja com uma longa história de sofrimento e martírio e um país que enfrenta atualmente uma incursão estrangeira.

Além disso, pode ser que Francisco ache que a crítica vinda daí era justificada, ao mesmo tempo considerando um tanto fora de hora algumas das queixas dos grupos de defesa dos sobreviventes.

Nós já sabemos o que ele pensa das objeções sobre a sua escolha do bispo chileno, pois podemos ouvir ele, em um vídeo gravado no ano passado em um iPad na Praça de São Pedro, a dizer a um fiel daquele país que “não se deixe levar pelos esquerdistas que estão tramando isso”, referindo-se à campanha contra o bispo.

Quanto a Pell, Francisco sabe que muitos católicos australianos consideram exageradas as acusações contra o cardeal, e que a pressão aí exercida pode ter mais a ver com a necessidade percebida da Comissão Real em derrubar um alvo de destaque.

Francisco pode estar relutante em alimentar aquilo que considera uma crítica injusta ao mostrar levar o caso a sério. Talvez ele, ou os seus assessores, se preocuparam que um encontro com um grupo de vítimas que foram a Roma especificamente para se queixar sobre Pell poderia ser interpretado nesse sentido, muito embora o próprio Pell se encontrou várias vezes com os sobreviventes, apoiou um encontro deles com o papa e fez o que estava ao seu alcance para organizar um momento entre eles.

Finalmente, pode ser também que Francisco simplesmente se sentiu dentro de sua zona de conforto com relação aos católicos orientais.

De 1998 e 2013, o então arcebispo e, mais tarde, Cardeal Jorge Mario Bergoglio foi também presidente do Ordinariato para os Fiéis dos Ritos Orientais na Argentina, rendendo-lhe duas décadas de experiência junto a estas igrejas e o seu povo.

O ecumenismo é uma paixão na vida de Francisco, refletido em seu trabalho social feito desde a sua eleição junto a uma variedade de denominações, com um lugar especial para as igrejas ortodoxas orientais. Nesse contexto, Francisco pode achar que, quando surge um problema, ele instintivamente sabe a coisa certa a dizer ou o gesto correto a expressar.

No front dos abusos sexuais, no entanto, ele não tem o mesmo pano de fundo.

A crise decorrente dos casos de pedofilia, conforme a compreendem os americanos e outros (litígios e pagamentos massivos, cobertura midiática saturada e revelações de grandes números de perpetradores e vítimas), não chegou a atingir a Argentina durante o tempo em que Bergoglio estava em Buenos Aires.

Existem muitas coisas que um pastor latino-americano está, e com razão, melhor preparado para entender do que os demais, incluindo as realidades de pobreza, violência e exclusão social. Não obstante, a crise de abusos sexuais na Igreja provavelmente não está entre elas. A criação a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, confiada ao Cardeal Sean P. O’Malley, de Boston, pode ter sido, em parte, um sinal de que o próprio Francisco não se sente plenamente confortável e precisa de ajuda nesse assunto.

E mais: o caso que veio mais a público na Argentina durante os seus anos de arcebispo envolvia um famoso sacerdote chamado Julio César Grassi, que fora condenado em 2009 em dois casos de abuso, condenação confirmada em 2013.

Durante o tempo em que o futuro papa presidia a Conferência Episcopal argentina, ele contratou um renomado jurista para estudar o caso que concluiu que Grassi era inocente. Alguns católicos influentes continuam a acreditar, entre eles o bispo da diocese em que vive Grassi, prelado que falou, em 2013 (quando tal condenação foi confirmada), que ainda “havia dúvidas sobre a sua culpa”.

À luz desta história, Francisco pode sentir alguma hesitação em recorrer a situações onde ele não possui um amplo domínio do assunto, sob o risco de tornar piores as coisas ou ser manipulado por pessoas ao seu redor.

Claro está que Francisco é mais espontâneo com os seus gestos e falas quando ele está à vontade.

A minha colega de trabalho, Inés San Martín, que também é argentina, apontou que a retórica política do papa esteve mais afiada quando ele se encontrava em visita à América Latina do que quando esteve, por exemplo, nos EUA ou diante do Parlamento Europeu, talvez porque acredita conhecer melhor os problemas e as personalidades de seu continente de origem.

Ao mesmo, Francisco percebe claramente o dano incalculável que os abusos sexuais clericais infligem às vítimas, certa vez comparando-o com uma Missa Negra em termos de sacrilégio absoluto. Ele sabe que estes escândalos denegriram, e muito, a imagem pública da Igreja, assim como compreende que, em certos assuntos, não é suficiente permitir que outros façam as coisas por ele mesmo: o próprio papa precisa sinalizar o seu comprometimento pessoal com as reformas.

Por estes motivos, Francisco pode se sentir pressionado em expandir a sua zona de conforto para incluir os sobreviventes de abuso.

O papa já se reuniu com sobreviventes, mas encontrar uma ocasião para novamente ter um encontro com eles num futuro não tão distante, em um contexto onde ele não precisa se preocupar em estar parecendo apoiar alguma pauta outra que não a de escutar as histórias das pessoas e prometer um apoio pastoral, seria um bom começo.

 

Francisco pode precisar expandir a sua zona de conforto para incluir sobreviventes de abusos sexuais

 

John L. Allen Jr.

Crux,

 

Recentemente, dois grupos diferentes dentro da Igreja Católica se queixaram de estarem sendo incompreendidos ou abandonados pelo Papa Francisco, o que faz ser instrutivo comparar as respostas do pontífice em cada caso.

Um destes grupos compõe-se dos católicos orientais, os da Igreja Católica grega na Ucrânia, enquanto o outro compõe-se pelos sobreviventes de abuso sexual clerical. Em resumo, a reação do papa ao primeiro parece um exemplo clássico de trabalho social eficaz, enquanto o segundo até agora parece um conto sobre oportunidades desperdiçadas.

Quanto aos grego-católicos, muitos acharam que o encontro histórico de Francisco, no dia 12 de fevereiro, com o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa em Havana, Cuba, foi um golpe de propaganda política para Moscou, e que a declaração conjunta que os dois líderes assinaram foi ainda pior: na maior parte, uma série de concessões católicas aos russos, incluindo uma linguagem que poderia ser interpretada a invalidar a crítica da invasão da Rússia à Ucrânia.

Após a visita de Francisco ao México em fevereiro, estas queixas reuniram forças em países católicos orientais e ficou claro, no fim da viagem, que o papa as percebeu.

No voo de volta a Roma, ele disse entender por que muitos católicos gregos “se sentiam profundamente decepcionados e traídos por Roma”, e falou sem rodeios que a declaração conjunta que assinou ao lado de Kirill é “discutível”. Ele igualmente afirmou que o chefe da Igreja Católica grega, Dom Sviatoslav Schevchuk, velho amigo dos tempos de Buenos Aires, é um “filho legal da Igreja”.

No sábado, 05-03-2016, Francisco teve uma audiência com os membros do Sínodo Permanente da Igreja Católica grega na Ucrânia, recebendo um ícone de presente. Este momento foi capturado em fotos oficias do Vaticano que projetaram uma demonstração de solidariedade.

No final, bispos grego-católicos emitiram um documento dizendo que “o Santo Padre nos ouve”.

Enquanto isso, os sobreviventes de abusos sexuais, bem como os seus familiares e advogados, têm os seus motivos para sentirem-se ambivalentes em relação ao papa.

Eles se queixaram de que Francisco nomeou um bispo no Chile conhecido como amigo do padre pedófilo mais notório do país. Eles viram um sobrevivente de abuso sexuais sair do painel antiabuso papal depois de emitir críticas à nomeação do bispo chileno, e também ficaram se perguntando por que Francisco não tomou nenhuma atitude com relação ao Cardeal George Pell como decorrência de seu histórico em casos de abuso sexual na Austrália.

Os sobreviventes igualmente observaram que Francisco não se reuniu com vítimas de abuso durante a sua ida ao México no mês passado, muito embora este país fora atingido por um escândalo em torno da Legião de Cristo e seu fundador, Marcial Maciel Degollado.

Até o momento, Francisco não abordou estas questões diretamente, estando, pelo menos aparentemente, contente em deixar que os outros falem por ele.

Na semana passada, um grupo de 15 sobreviventes australianos, junto com parentes e apoiadores, estiveram em Roma para assistir a Pell depor diante de uma Comissão Real australiana via videoconferência. Eles diziam a todo o momento que gostariam de se encontrar com o papa, e a certa altura Pell divulgou uma nota prometendo ajudar para que o encontro acontecesse.

Foi um tanto desconcertante, no entanto, ouvir um porta-voz do Vaticano dizer que nenhum encontro aconteceria porque não havia sido feito nenhum pedido oficial. Todo mundo sabia que as vítimas queriam isso, e poucas vezes Francisco se mostrou escravo dos protocolos...

Existem, no mínimo, três fatores que podem ajudar a explicar as repostas díspares de Francisco nestes dois casos.

Inicialmente, entre os críticos greco-católicos está uma série de bispos, onde há prelados que Francisco conhece pessoalmente. Qualquer papa levaria estas críticas a sério, especialmente quando os bispos representam uma Igreja com uma longa história de sofrimento e martírio e um país que enfrenta atualmente uma incursão estrangeira.

Além disso, pode ser que Francisco ache que a crítica vinda daí era justificada, ao mesmo tempo considerando um tanto fora de hora algumas das queixas dos grupos de defesa dos sobreviventes.

Nós já sabemos o que ele pensa das objeções sobre a sua escolha do bispo chileno, pois podemos ouvir ele, em um vídeo gravado no ano passado em um iPad na Praça de São Pedro, a dizer a um fiel daquele país que “não se deixe levar pelos esquerdistas que estão tramando isso”, referindo-se à campanha contra o bispo.

Quanto a Pell, Francisco sabe que muitos católicos australianos consideram exageradas as acusações contra o cardeal, e que a pressão aí exercida pode ter mais a ver com a necessidade percebida da Comissão Real em derrubar um alvo de destaque.

Francisco pode estar relutante em alimentar aquilo que considera uma crítica injusta ao mostrar levar o caso a sério. Talvez ele, ou os seus assessores, se preocuparam que um encontro com um grupo de vítimas que foram a Roma especificamente para se queixar sobre Pell poderia ser interpretado nesse sentido, muito embora o próprio Pell se encontrou várias vezes com os sobreviventes, apoiou um encontro deles com o papa e fez o que estava ao seu alcance para organizar um momento entre eles.

Finalmente, pode ser também que Francisco simplesmente se sentiu dentro de sua zona de conforto com relação aos católicos orientais.

De 1998 e 2013, o então arcebispo e, mais tarde, Cardeal Jorge Mario Bergoglio foi também presidente do Ordinariato para os Fiéis dos Ritos Orientais na Argentina, rendendo-lhe duas décadas de experiência junto a estas igrejas e o seu povo.

O ecumenismo é uma paixão na vida de Francisco, refletido em seu trabalho social feito desde a sua eleição junto a uma variedade de denominações, com um lugar especial para as igrejas ortodoxas orientais. Nesse contexto, Francisco pode achar que, quando surge um problema, ele instintivamente sabe a coisa certa a dizer ou o gesto correto a expressar.

No front dos abusos sexuais, no entanto, ele não tem o mesmo pano de fundo.

A crise decorrente dos casos de pedofilia, conforme a compreendem os americanos e outros (litígios e pagamentos massivos, cobertura midiática saturada e revelações de grandes números de perpetradores e vítimas), não chegou a atingir a Argentina durante o tempo em que Bergoglio estava em Buenos Aires.

Existem muitas coisas que um pastor latino-americano está, e com razão, melhor preparado para entender do que os demais, incluindo as realidades de pobreza, violência e exclusão social. Não obstante, a crise de abusos sexuais na Igreja provavelmente não está entre elas. A criação a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, confiada ao Cardeal Sean P. O’Malley, de Boston, pode ter sido, em parte, um sinal de que o próprio Francisco não se sente plenamente confortável e precisa de ajuda nesse assunto.

E mais: o caso que veio mais a público na Argentina durante os seus anos de arcebispo envolvia um famoso sacerdote chamado Julio César Grassi, que fora condenado em 2009 em dois casos de abuso, condenação confirmada em 2013.

Durante o tempo em que o futuro papa presidia a Conferência Episcopal argentina, ele contratou um renomado jurista para estudar o caso que concluiu que Grassi era inocente. Alguns católicos influentes continuam a acreditar, entre eles o bispo da diocese em que vive Grassi, prelado que falou, em 2013 (quando tal condenação foi confirmada), que ainda “havia dúvidas sobre a sua culpa”.

À luz desta história, Francisco pode sentir alguma hesitação em recorrer a situações onde ele não possui um amplo domínio do assunto, sob o risco de tornar piores as coisas ou ser manipulado por pessoas ao seu redor.

Claro está que Francisco é mais espontâneo com os seus gestos e falas quando ele está à vontade.

A minha colega de trabalho, Inés San Martín, que também é argentina, apontou que a retórica política do papa esteve mais afiada quando ele se encontrava em visita à América Latina do que quando esteve, por exemplo, nos EUA ou diante do Parlamento Europeu, talvez porque acredita conhecer melhor os problemas e as personalidades de seu continente de origem.

Ao mesmo, Francisco percebe claramente o dano incalculável que os abusos sexuais clericais infligem às vítimas, certa vez comparando-o com uma Missa Negra em termos de sacrilégio absoluto. Ele sabe que estes escândalos denegriram, e muito, a imagem pública da Igreja, assim como compreende que, em certos assuntos, não é suficiente permitir que outros façam as coisas por ele mesmo: o próprio papa precisa sinalizar o seu comprometimento pessoal com as reformas.

Por estes motivos, Francisco pode se sentir pressionado em expandir a sua zona de conforto para incluir os sobreviventes de abuso.

O papa já se reuniu com sobreviventes, mas encontrar uma ocasião para novamente ter um encontro com eles num futuro não tão distante, em um contexto onde ele não precisa se preocupar em estar parecendo apoiar alguma pauta outra que não a de escutar as histórias das pessoas e prometer um apoio pastoral, seria um bom começo.

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