Pesquisa delineia desafios e oportunidades para o Papa Francisco

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08 Setembro 2015

Há números interessantes na recém-publicada pesquisa sobre os católicos dos EUA feita pelo Centro de Pesquisas Pew (Pew Research Center). A seguir, apresento os meus insights com base em alguns poucos destaques do estudo.

A nota é de John Thavis, publicada em seu blog, 02-09-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Cerca da metade dos que foram criados em famílias católicas abandonam a Igreja; alguns temporariamente, outros permanentemente.

Ainda que a maioria esmagadora dos católicos americanos concorde que a situação ideal para se criar os filhos é aquela envolvendo um pai e uma mãe, o relatório da pesquisa feita sublinha que uma ampla maioria também classifica como “aceitável” outros tipos de famílias, incluindo pais que vivem juntos, pais solteiros ou pais divorciados. Uma maioria um pouco menor disse ser aceitável que os filhos sejam criados por parceiros gays ou lésbicas, ainda que os participantes católicos que responderam à pesquisa se dividiram, em números equivalente, quanto ao reconhecimento da Igreja para com casamentos homoafetivos.

Alguns concordarão que se está diante de um desafio implícito às autoridades eclesiais e para a defesa que eles fazem da família tradicional. Porém, os participantes não estavam simplesmente teorizando; em grande parte, falavam a partir da própria experiência: um quarto dos católicos pesquisados disseram que tiveram de passar por um processo de divórcio, e mais de 40% viveram, em algum momento de suas vidas, com um parceiro romântico sem estar casado com ele. A realidade da configuração familiar está se transformando até mesmo dentro da Igreja Católica, algo que foi reconhecido na sessão do ano passado do Sínodo dos Bispos, onde muitos prelados disseram que os pastores deveriam acolher pessoas em situações “irregulares” e ver as coisas boas existentes nestes relacionamentos.

Vi hoje algumas manchetes que sublinham um dos resultados da pesquisa: 77% das pessoas que foram criadas católicas mas que não se consideram como tais atualmente dizem que não se imaginam voltando à Igreja. Isto tem sido interpretado como um tipo de impedimento enfrentado pelo “efeito Francisco” entre os católicos que abandonaram a instituição.

Eu destacaria duas coisas: em primeiro lugar, a pesquisa descobriu uma maioria parecida (70%) entre os atuais católicos que dizem que jamais irão sair da Igreja. Mas ela também descobriu que, dos adultos criados como católicos, 52% deixaram a Igreja em algum momento em suas vidas, e que muitos retornaram. Os católicos entram e saem da Igreja com uma maior frequência do que as pessoas pensam, e talvez mais do que os próprios católicos esperam.

Além disso, a pesquisa descobriu que, entre os “católicos culturais” – aqueles que não se identificam como católicos, hoje, mas que possuem alguns laços com a Igreja –, 43% poderia se ver voltando a ela. Este grupo (os católicos culturais) é grande, 9% do total dos participantes, e ele com certeza representa um público-alvo para o Papa Francisco.

Segundo os resultados da pesquisa, o número total de católicos em termos percentuais nos EUA decresceu, de quase 24% em 2007 para 20% hoje. Mais preocupante às autoridades religiosas é que este número despenca para 15% entre os “millennials”, pessoas nascidas entre 1981 e 1996. Neste mesmo grupo de pessoas, 35% dizem não ter nenhuma filiação religiosa.

Esta é uma estatística desafiadora para a Igreja Católica, creio eu. Embora os jovens tenham uma impressão bastante favorável do Papa Francisco, isso pode não importar quando se trata do sentimento de pertença à Igreja. É muito mais fácil trazer de volta para a Igreja alguém que já está em contato com a vida católica do que evangelizar os jovens para os quais a vida na Igreja é algo completamente alheio.

Ainda que a parcela católica da população americana possa estar diminuindo, a pesquisa do Centro Pew descobriu que 45% de todos os respondentes se relacionam, de uma forma ou de outra, com o catolicismo: seja como membros da Igreja, como católicos desviados, ou através de casamento ou ligação cultural. Eis um número surpreendentemente alto, e que ajuda a explicar, penso eu, por que as ações e palavras do Papa Francisco ressoam são profundamente neste país hoje.

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