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Por: André | 27 Setembro 2013

Ele deve sua popularidade à revolução sandinista, que venceu em 1979, que apoiou desde o começo e da qual foi ministro durante o primeiro governo dos sandinistas. Mas também deve sua popularidade à advertência de João Paulo II, que, em março de 1983, repreendeu a ele e seu irmão Fernando no aeroporto de Manágua, recém rebatizado para Augusto César Sandino. A fotografia de Ernesto Cardenal ajoelhado diante do Papa que o admoesta com o dedo indicador correu o mundo. E também o que aconteceu na Praça da Revolução de Manágua depois desse encontro: centenas de milhares de pessoas e o coro sandinista se reuniram diante do altar, fato que foi sabiamente divulgado pelo sistema televisivo, que repetia: “entre cristianismo e revolução não há contradição”, célebre máxima cunhada exatamente por Cardenal.

 
Fonte: http://bit.ly/1bIfDDR  

A reportagem é de Alver Metalli e publicada por Vatican Insider, 26-09-2013. A tradução é de André Langer.

Passaram-se 30 anos desde que isso aconteceu e, ao vê-lo hoje (com 88 anos, seu caminhar lento compassado pelo bastão, encurvado e com o cabelo branco despenteado sob a boina preta ao estilo Che Guevara) se diria que o isolamento na ilha de Solentiname, no lago Nicarágua, não o preservou do desgaste dos anos. Mas é uma impressão exterior, porque depois de ouvir suas primeiras palavras, compreende-se que Ernesto Cardenal não mudou nada.

Entre cristianismo e revolução não há, efetivamente, contradição nenhuma, repete impassível: “Não são a mesma coisa, mas são perfeitamente compatíveis. Pode-se ser cristão e marxista ou cientista”, insiste. Também não oculta sua surpresa com a eleição de um Papa da sua região. “Acabava de chegar a Mendoza, na Argentina, em abril, quando um jornalista me perguntou o que achava do Papa argentino. Não podia acreditar e lhe pedi três vezes que me dissesse quem estava falando”, recordou. “Não esperava um Papa deste continente, um Papa revolucionário neste momento e, além disso, escolhido por um colégio de cardeais conservador”.

E Ernesto Cardenal não tem nenhuma dúvida de que com ele, com Francisco, as coisas vão mudar profundamente. Já mudaram e estão mudando. “No começo não acreditei que pudesse fazer o que está fazendo... algo verdadeiramente incrível, porque está mudando tudo. Ou melhor, colocando no seu lugar, onde devia estar... Os últimos serão os primeiros; é isso que o Francisco está fazendo”. Sobre Cardenal pesa ainda a suspensão “a divinis” decidida pelo cardeal Ratzinger quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas a coisa não o preocupa.

“A proibição é para administrar os sacramentos, e eu não me fiz sacerdote para administrar sacramentos e passar os dias celebrando batizados e matrimônios, mas para ser contemplativo”. Ernesto Cardenal vive na comunidade contemplativa de Solentiname, na Nicarágua, a mesma que fundou, nos anos 1970, com Thomas Merton.

E se o sucessor de Bento XVI, esse “Papa revolucionário” que elogia, removesse a suspensão? O “poeta da Teologia da Libertação”, como é conhecido, não ficaria muito contente: “de fato, me complicaria a vida...”.

Ernesto Cardenal receberá, na próxima segunda-feira, o grau de “Oficial da Legião de Honra” da França, das mãos do embaixador na Nicarágua, Antoine Joly, em uma cerimônia especial com a presença do corpo diplomático, familiares e amigos do poeta.

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