“Francisco é um Papa revolucionário”, diz Ernesto Cardenal

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Por: André | 26 Setembro 2013

Ernesto Cardenal – poeta, sacerdote, teólogo e político nicaraguense – referiu-se a Francisco como “um papa revolucionário” e disse que está encaminhando a Igreja para um novo rumo, durante sua breve passagem por Buenos Aires, onde será homenageado pelo Ministério da Educação, e a caminho da Feira do Livro de Mendoza.

 
Fonte: http://bit.ly/18XKrQ6  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 25-09-2013. A tradução é de André Langer.

Com passo lento – bastão, cabelo e barba branquíssimos sob a boina preta, sandálias caribenhas – o poeta da Teologia da Libertação, de 88 anos e inimigo da pompa vaticana, ministro do revolucionário governo sandinista, motor da experiência marxista em Solentimane, fala de Francisco como o “papa revolucionário”.

“De maneira alguma esperávamos um papa do nosso continente nem um papa revolucionário neste momento, porque é escolhido pelos cardeais, que foram escolhidos pelos últimos dois papas (João Paulo II e Bento XVI), conservadores e reacionários. Então, de onde sairia um revolucionário? E saiu”, refletiu no hotel portenho onde está alojado estes dias.

Francisco “realmente está mudando o rumo, está fazendo coisas que há muito tempo teriam que ter sido feitas e ninguém fez, como não querer usar o papamóvel e pedir que o levassem em um carro menor e mais simples do Vaticano”, repassa Cardenal assimilando cada palavra, dando-se tempo para que se façam ouvir.

“O que é algo muito lógico que fizesse, se é um discípulo de Cristo que diz que os últimos seriam os primeiros, as coisas seriam o contrário do que são e isso ele está fazendo, um papa imprevisível, como são os santos”, sustenta este poeta capaz de conciliar ciência, fé, revolução e marxismo com poesia, escultura e pintura entre outras tantas de suas vocações.

“Quem é Deus? É amor mútuo e compartilhado que se encarna em nós. Se o cristianismo é amor? Sim, claro, não é outra coisa senão isso colocado em prática como deve ser, embora muitas vezes se realiza como egoísmo, ódio ou violência. E o marxismo? Não é a mesma coisa, mas são compatíveis. Perfeitamente se pode ser cristão e marxista (como eu) ou cientista”, resume.

O autor de poemas como “Oração por Marilyn Monroe”, “Homenagem aos índios americanos” e “Oráculo sobre Manágua” insiste: a poesia ajudou muito a ciência e a religião e neste contexto assume que “conheceremos o universo em sua plena realidade depois da morte; não podemos conhecê-lo dessa maneira enquanto vivemos em nosso corpo mortal”.

“Há cores que não vemos, mas os insetos veem, o ultravioleta – exemplifica; se pudéssemos ver as cores que não vemos e que estão no espectro, seria uma coisa muito diferente, veríamos como Deus vê e, como disse São Paulo, veríamos face a face”.

“A filosofia cristã, por si só – continua –, deveria poder ordenar uma sociedade, a pregação de Jesus nada mais foi do que isso, a do estabelecimento de uma comunidade que ele chamou de Reino de Deus, embora tivesse que tê-lo chamado de Reinado de Deus na Terra, não como território, mas como ação”.

“Foi algo subversivo, naturalmente, e, portanto, foi também algo que o levou à morte, alguns teólogos modernos dizem que a expressão Reinado de Deus significava algo similar ao que agora significa para nós a palavra revolução – faz uma pausa e rememora. Eu tenho um verso que diz ‘comunismo ou Reino de Deus na terra é a mesma coisa’”.

“Principalmente minha poesia trata destes temas nesta mesma linguagem, a inspiração no poema principalmente foi esta, sou poeta inspirado na Teologia da Libertação. O que é a realidade? Não faço definições – evade-se –, é muito difícil definir algo... o que é a realidade, até o sonho é realidade, não vamos entrar nisso”, pede e se despede.

Este viajante incansável – é a segunda vez que visita a Argentina este ano – será homenageado nesta quinta-feira às 17h30 no Palácio Sarmiento durante um ato presidido pelo ministro da Educação, Alberto Sileoni, junto com a cantora Teresa Parodi e o poeta Jorge Boccanera.

A homenagem faz parte de uma iniciativa da pasta de Educação que já editou o terceiro tomo da poesia completa de Cardenal sob o título Canto Cósmico, distribuído pelo selo Pátria Grande em escolas de todo o país.

De fato, na sexta-feira estará à frente do primeiro Festival de Poesia Internacional que se realiza na localidade de Guaymallén (Mendoza), no marco da maior feira de livros do interior do país.

Mesmo que o seu nome tenha sobrevoado com insistência o Nobel de Literatura em 2005, foi tardiamente reconhecido em âmbitos canônicos. Apenas aos 84 anos recebeu, no Chile, o Prêmio Pablo Neruda de Poesia, para repetir a experiência três anos mais tarde na Espanha, ao receber o Prêmio Rainha Sofia de Poesia 2012.

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