EUA. Ativistas criticam Biden por apoiar e aplicar lei que expulsa migrantes sob justificativa sanitária

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27 Setembro 2021

 

Defensores da imigração estão pedindo pelo fim de uma controversa política da era Trump que expulsa pessoas na fronteira sem o devido processo, justificando como questão de saúde pública – uma política que também está sendo usada contra imigrantes haitianos na fronteira do Texas.

A reportagem é de Melissa Cedillo, publicada por National Catholic Reporter, 23-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O governo Biden, no entanto, continua a lutar pela política, chamada de Título 42, mesmo que uma corte distrital da federação tenha ordenado que o governo pare de usar a lei. O governo Biden está desafiando a ordem da corte.

Posta em vigor em março de 2020, o Título 42 baseia-se em uma obscura lei de saúde pública de 1942, que permite a expulsão sumária de não-cidadãos na fronteira. Organizações de defesa de imigrantes apontam que o Título 42 é uma violação das leis de asilo dos EUA e baseia-se em “ciência ruim”, enquanto especialistas de saúde pública alertam que isso “serve para instrumentalizar a saúde pública e minar a natureza apolítica do Centro de Controle e Prevenção a Doenças”.

Muitos ativistas disseram que estão frustrados com a resposta do governo Biden à imigração. “Se você perguntar a qualquer organização na fronteira, eles dirão a você que eles falharam na imigração”, disse Dulce Garcia, diretora-executiva do Border Angels, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para acabar com as fatalidades na fronteira dos EUA com o México.

“O governo Biden teve boas intenções, mas não tem agido para mudar o governo Trump, o maior erro é o Título 42”, acrescentou Garcia. “Os acampamentos em Tijuana são muito ruins, mães estão enviando suas crianças sozinhas para cruzar a fronteira porque é mais seguro”.

Enrique Morones, fundados da Gente Unida, uma coalização de direitos humanos, também está desapontado, citando as escolhas do governo Biden: sustentar a política do Título 42; a volta do “Permaneça no México”, a política que força os requerentes de asilo a esperar no México enquanto seus casos são julgados; os comentários da vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, para centro-americanos não migrarem para os Estados Unidos.

Garcia explicou que o Título 42 levou a um aumento de pessoas vivendo no que ela explicou como “cidades de barracas” no que costumava ser um porto de entrada no lado mexicano da fronteira. Essa porta de entrada também foi fechada devido à covid-19, disse ela.

O Título 42 leva as pessoas a atravessar o deserto porque não há esperança de poder atravessar legalmente, explicou ela. A Border Angels, uma organização conhecida por seus “copos d'água”, estrategicamente deixa água e outros materiais humanitários para aqueles que cruzam o deserto.

Segundo Garcia, o grupo tem visto os materiais que deixam no deserto serem consumidos rapidamente e um aumento de pedidos de socorro de pessoas que têm familiares que decidiram fazer a travessia do deserto.

Mesmo que o Título 42 tenha tornado quase impossível para os migrantes e requerentes de asilo que estão tentando vir para os EUA, alguns defensores da imigração veem um padrão duplo: os americanos podem cruzar para o México e voltar com pouco ou nenhum teste ou comprovante de vacinação, mas solicitantes de refúgio e migrantes vulneráveis são orientados a ficar de fora devido a questões de saúde pública.

Os migrantes que poderiam ter covid-19 são vistos como uma ameaça à nação, mas não o estadunidense que foi ao México para a festa e voltou, destacou o padre Ramiro Sanchez Chan, da Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, em Chula Vista, Califórnia. Ele vê isso como moralmente errado.

Ao fazer visitas pastorais durante o verão ao Centro de Convenções de San Diego, usado como abrigo para crianças que esperam ser emparelhadas com seus pais ou patrocinadores, Chan observou que os imigrantes que chegam aos EUA seguiram as precauções de segurança da covid-19 usando máscaras e permanecendo socialmente distante.

Os defensores concordam que reformas e mudanças na política de imigração são necessárias imediatamente.

“Não adianta agir por medo. Há uma maneira segura de ajudar, mesmo durante uma pandemia”, disse o bispo auxiliar de San Diego, Ramón Bejarano.

“Década após década, a imigração tem sido um problema para os Estados Unidos. Não vai a lugar nenhum”, disse ele. “Se houver uma boa reforma abrangente, será bom para todos nós”.

Os católicos têm um chamado especial para responder ao que está acontecendo na fronteira com boas-vindas, disseram os defensores católicos.

“Eles [migrantes] estão batendo à sua porta. Você deve atender”, disse Chan. “Você precisa decidir se quer ajudar ou não”.

 

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