EUA-México. De norte a sul, o muro do exército nas fronteiras. O objetivo é não deixar ninguém passar

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21 Setembro 2021

 

Ser os "gendarmes" no lugar dos ilustres vizinhos estadunidenses. Ou melhor, “fazer o trabalho sujo”, em troca de ajudas, no lugar dos primos “gringos”. Parece ser esta a nova vocação do governo mexicano na gestão da emergência migrantes. Uma tendência que começou durante o governo Trump e se consolidou nestes primeiros meses do governo Biden. À custa de "estourar". E de pisotear os direitos humanos. Principalmente daqueles que já receberam o status de refugiados.

A reportagem é de Bruno Desidera, jornalista de “La vita del popolo”, publicada por Agência SIR, 20-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

A consequência desta escolha é visível na fronteira sul e em especial na primeira cidade após a fronteira, Tapachula, no Chiapas. Aqui, na ausência de um "muro físico", o Exército e a Guarda Nacional criaram um muro não menos eficaz.

O objetivo é não deixar ninguém passar.

Principalmente para evitar que caravanas organizadas continuem sua jornada em direção aos Estados Unidos. Portanto, há semanas Tapachula está em colapso. Além dos fluxos tradicionais da América Central, têm aumentado exponencialmente as chegadas de haitianos, formando uma "cobra continental" que parte da América do Sul, sofre um primeiro "gargalo" entre a Colômbia e o Panamá e, justamente, uma parada abrupta em solo mexicano.

Mas a situação não melhora na fronteira norte, onde os migrantes centro-americanos e haitianos que ainda conseguem chegar aos poucos, se juntam aos "deportados" dos EUA e aos "desplazados" internos, as populações mexicanas em fuga da violência.

Ninguém passa por Tapachula. O secretário executivo para a Mobilidade Humana da Conferência Episcopal mexicana (Cem), padre Julio López, é que soa o alarme através do SIR: “Em Tapachula a situação é difícil. O Exército não deixa passar nem mesmo os refugiados, que graças ao seu status têm o direito de circular livremente no país”.

Esta grave realidade foi, entre outras, o tema de uma carta que a rede continental Clamor, o órgão eclesial latino-americano que trata das migrações, escreveu nos últimos dias ao presidente mexicano Manuel López Obrador. E o bispo de Tapachula, Mons. Jaime Calderón denunciou aquela que ele definiu como “uma verdadeira caça ao homem, realizada para aterrorizar os migrantes, montando emboscadas e dispersando-os com o uso excessivo da força”. Padre López confirma que o método usado para deter os migrantes muitas vezes vai contra os direitos da pessoa, com um uso desproporcional da força. E também chama a atenção para outro aspecto, de natureza legal. “A Comar (Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados) está entrando em colapso. Aqueles que solicitam o status de refugiado têm que esperar até seis ou oito meses, enquanto o limite legal é de 45 dias. As situações são muito diversificadas em relação aos países de origem. Muitos haitianos chegam do Brasil ou do Chile, têm cidadania desses países e os menores também. A Igreja mexicana está ativando todos os seus canais para chegar a formas provisórias de regularização, um pouco como acontece na Colômbia para os venezuelanos”. Em Tapachula, além disso, a diocese envolveu as paróquias no trabalho de acolhimento que nunca para.

No norte, um cenário complexo. Também conversamos com o secretário executivo da Mobilidade humana sobre o que está acontecendo no norte, na fronteira com os EUA: “Também neste caso o cenário é muito complexo. Os migrantes, pelo menos, podem se mover, mas a pressão do crime organizado é maior. Aqueles que atuam no acolhimento aos migrantes, depois encontram-se gerenciando juntas quatro tipologias diferentes de pessoas: aquelas que transitam e pretendem cruzar a fronteira dos Estados Unidos; os mexicanos deportados dos Estados Unidos; os deportados de outras nacionalidades, os chamados 'artigo 42'; os deslocados internos devido a conflitos e violência”.

Cenário confirmado por quem vive “no campo”, na cidade fronteiriça por excelência, Tijuana, como o padre Patrick Murphy, escalabriniano, diretor da Casa do Migrante, que afirma: “O problema foi crescendo nos últimos meses, existem duas mil pessoas acampadas que não podem ir a lugar nenhum.

De fato, além dos deportados e migrantes da América Central e do Haiti, estão crescendo os mexicanos que fogem da violência. E em relação aos estrangeiros, os haitianos, a partir do sul do país, assiste-se a uma reação negativa, em relação às pessoas que buscam um futuro saindo de uma situação difícil”. As estruturas de acolhimento eclesial consolidadas fazem o que podem, “mas por causa da Covid podemos acolher um número menor de pessoas”.

No banco dos réus, segundo o padre Murphy, está principalmente o governo mexicano, do qual “não recebemos nenhuma ajuda e nos perguntamos como quer controlar o fenômeno migratório quem não consegue conter a criminalidade nas cidades”.

Mais uma vez, “estamos em uma situação de emergência - afirma Pe. Agustín Novoa Leyva, diretor do Projeto Salesiano de Tijuana. O número de migrantes aqui na cidade continua aumentando, entre os haitianos e os muitos deportados dos EUA, os requerentes de asilo que são expulsos com o chamado 'artigo 42'. Como órgãos eclesiais e congregações religiosas, fazemos todo o possível. Por exemplo, nós salesianos só acolhíamos homens e começamos a acolher famílias, mulheres com crianças, muitas vezes muito pequenas”.

Felizmente, “aqui em Tijuana está sendo feito um número maior de vacinações anti-Covid do que no centro e sul do país, atualmente as contaminações estão sob controle”. Em todo caso, adverte o padre Murphy, “as vacinas são sempre poucas se comparadas às dos Estados Unidos, alguns quilômetros mais ao norte.

O drama dos “deportados” com o artigo 42. De qualquer forma, em meio a questões muito diversificadas e complexas, a relação com os Estados Unidos é vista como prioritária no norte. De fato, o México, de país de trânsito, está se tornando país de entrada em ambas as direções: do sul, como vimos, continuam chegando caravanas de centro-americanos e haitianos, do norte os requerentes de asilo que conseguiram entrar no EUA e são mandados de volta. O cabo da faca é o referido Artigo 42, uma medida implementada pela administração Trump no início da pandemia, graças à qual os Estados Unidos podem deportar rapidamente os migrantes por motivos de saúde pública. “Os discursos de Biden são diferentes daqueles de Trump – resume o padre Novoa - mas os comportamentos são os mesmos. Aliás, com Biden as expulsões inclusive aumentaram e, inclusive, o fato também tinha acontecido durante a presidência de Obama”.

Segundo Pe. Julio López, na realidade, “isso acontece porque aumentaram as entradas e, consequentemente, também aumentaram as expulsões. No entanto, o Artigo 42 representa um grande problema. Também porque os não mexicanos que regressam ao nosso país se encontram em situação de grande vulnerabilidade, sem o devido reconhecimento jurídico.

 

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