O mistério do tempo: a fé como memória, vivência e horizonte

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22 Setembro 2021

 

"Frente à crise atual com visões e atitudes catastróficas, conservadoras, utopistas, escapistas, esta obra é um convite para olharmos com gratidão o passado, viver com paixão o tempo presente e abraçar o futuro com esperança. ", escreve Eliseu Wisniewski presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul e mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ao comentar o livro O mistério do tempo: a fé como memória, vivência e horizonte (Vozes, 2021, 160 p.).

 

Eis o artigo.

 

Estudar, compreender e penetrar o mistério do tempo e decifrar seus enigmas. Essa que parece ser a aventura maior da vida é a proposta do livro: O mistério do tempo: a fé como memória, vivência e horizonte (Vozes, 2021, 160 p.), escrito por Dr. Fernando Altemeyer Junior – professor universitário, formado em Filosofia e Teologia, mestre em Ciência da Religião e Teologia pela Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, Bélgica, e doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP.

A coletânea de reflexões propostas pelo autor é antes de tudo fruto de suas experiências, observações e constatações: “aprendi com a vida que tudo tem seu tempo” (p. 8), “aprendi a contragosto que o tempo tem suas traquinagens por dentro e por fora da alma” (p. 8), “o tempo deixa marcas indeléveis que servem para significar o futuro que ainda não chegou” (p. 8), “valorizando o tempo como celebração litúrgica” (p. 8).

 

Capa do livro "O mistério do tempo: a fé como
memória, vivência e horizonte", de
Fernando Altemeyer Junior (Vozes, 2021, 160 p.).

 

Assumindo o tempo como o portal de esperanças e curiosidades, a obra está estruturada em três partes: 1) o passado é interpretado como uma memória perigosa do Evangelho, 2) o presente como arte de viver, 3) o futuro como alguns sonhos rebeldes do amanhã.

1) O passado como a memória perigosa do Evangelho (p. 11-59), Altemeyer Junior ressalta que a fé cristã vive de memórias perigosas. Assim sendo, chama a atenção para o que celebramos na Páscoa cristã (p. 13-16), adverte que é necessário lutar contra a amnésia, pois a memória de nossa fé passa pela vida daqueles que entregam suas vidas pelos pobres, pela Igreja e por Cristo. A luta pela memória começa com a celebração de suas vidas, de suas lutas, seus sonhos e suas causas (p. 17-23). Daí  a importância de conhecer brevemente os doze apóstolos de nossa Igreja. Estes são os mestres da vida porque foram os discípulos amados de Jesus (p. 24-31), de assumir a opção pelos pobres como um ponto central na evangelização dos povos na esteira do Pacto das Catacumbas e da Igreja dos pobres (p. 32-38), sem esquecer o Concílio Vaticano II e das razões para vivenciá-lo (p. 39-43), das tradições da Igreja do Ocidente e do Oriente, da dimensão ativa e contemplativa – conscientes de que um só coração nos basta para bombear todo o sangue, são necessários dois pulmões e dois rins para filtrar esse mesmo sangue (p. 44-51). Poderá nos inspirar a vida de Santo Antônio, um santo pouco conhecido em sua vida concreta e em seus gestos proféticos (p. 52-59).

2) O presente como arte de viver (p. 61-106), contempla o aggiornamento, ou seja, a atualização, adaptação, renovação e interpretação dos sinais dos tempos dialogando com a Tradição e expressos em novas expressões culturais inteligíveis pelas pessoas de hoje (p. 63-67), leva em conta a crise da fé e os sinais dos tempos (p. 68-74). Se a teologia é pensar Deus e a vida à luz de Deus ela precisará continuar pensando a questão dos pobres como a causa que está no coração de Deus, uma vez que a relação entre Deus e pobres é umbilical e permanente (p. 75-80), atualizando desta forma o mistério da encarnação de Deus (p. 81-85). Isso possibilitará no presente a fé cristã navegar por quatro mares imenso: memória, martírio, misericórdia e mistério. São como quatro “emes” que nos acalentam e desafiam. O primeiro “eme” é o da memória que nos conecta as origens, ao rito, aos que nos precederam na fé e no amor arquetípico por Deus Criador. O segundo “eme” é o martírio, ou seja, o testemunho de viver segundo o Evangelho de Jesus. O terceiro “eme” é o da misericórdia que conecta corações às dores e esperanças de todo ser humano que clama por liberdade. O quarto “eme” é o do mistério que tudo envolve e nos permite orar e contemplar a beleza da vida (p. 86-93). Especificamente, os presbíteros do século XXI precisam ter cheiro de ovelhas e serem amigos de Jesus (p. 94-99).  Por sua vez as religiosas precisaram ser lapidadas no amor (p. 100-106).

3) O futuro como sonhos rebeldes do amanhã (p. 107-159), levará em conta o sentido da morte/ a arte de morrer (p. 109-113), a beleza da eternidade (p. 114-120), os desafios missionários (p. 121-125), a evangelização como tarefa de todos os batizados (p. 126-133). Será indispensável forjar a esperança, considerando que o caminho da esperança é o trajeto de quem espera em Deus (p. 134-141), levar em conta a quinta dimensão da fé, ou seja, a visita divina. Aqui reside a alegria de nossa esperança, pois cremos que estaremos em Deus e viveremos em seu regaço (p. 142-150). Um exemplo vivo de saída de si encontramos no padre francês Charles de Foucauld – como homem-ponte em tempo de fronteiras e muros (p. 151-159).

Leonardo Boff diz que Fernando Altemeyer Júnior escreve como é pessoalmente, pois, é um dos teólogos que mais tomou a sério a opção pelos pobres e sua inserção no meio popular. Assim, as vinte e uma (21) reflexões oferecidas por Altemeyer Junior neste livro são reflexões vivenciais que buscam dialogar com as questões históricas, sociológicas, culturais, teológicas. Sabe conjugar o pensamento de grandes pensadores com a história de gente simples. Por isso ao fazer a leitura conseguimos nos enxergar nas reflexões...

Frente à crise atual com visões e atitudes catastróficas, conservadoras, utopistas, escapistas, esta obra é um convite para olharmos com gratidão o passado, viver com paixão o tempo presente e abraçar o futuro com esperança. É um convite a responsabilidade assumindo o risco de abrir novos caminhos que correspondam às necessidades de nosso tempo, aberto à crítica e autocrítica, dispostos sempre a aprender.  É ainda, um convite para que se “possa fazer do tempo cronológico um tempo de eternidade, com a lentidão de quem espera, a rapidez de quem tem medo, as amplificações dos que tem e a imediatez de quem festeja” (p. 9).

 

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