Cabul. A atuação de jovens diplomatas, que vão a campo, salvando crianças

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26 Agosto 2021

 

Acima do muro do aeroporto de Cabul está Claudio que puxa para cima crianças afegãs, resgatando-as das trevas de seu destino. Mas também está Luca, naquele muro. Que dava comida aos recém-nascidos do Congo como se fossem seus próprios filhos e se aventurava nos recantos mais perigosos da África para entender como alimentar a todos. E se olharmos mais de perto vemos Elettra, que na Tunísia, no silêncio da distância, negocia com os poderosos a libertação dos barcos de pesca italianos. E Yara, Stefano e toda a nova geração da diplomacia italiana.

A reportagem é de Fabio Tonacci, publicada por La Repubblica, 25-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Jovens, comprometidos, atuantes. Eles são secretários de delegação, cônsules, às vezes também embaixadores.

Eles têm menos de quarenta anos. Portadores saudáveis de um novo conceito de representação internacional que prefere um calçado desportivo gasto e um colete à prova de balas aos uniformes protocolares. Eles abrem mãos dos happy hours organizados nos salões com ar-condicionado para subirem suados nas SUV caindo aos pedaços dos comboios humanitários. Evitam as fofocas e os grandes discursos de geopolítica, vão para o campo, entram em campo com seus corpos. A primeira palavra em italiano falada em determinados cantos perdidos do mundo é deles. E é uma palavra de paz, de solidariedade, de inclusão.

A foto do cônsul Tommaso Claudi enquanto agarra um menino de 7 a 8 anos das mãos de um pai resignado à mais dolorosa das despedidas viraliza nos jornais, redes sociais, televisões. E como se assemelha aquele gesto, por postura física e moral, aos milhares de fotografias dos resgates de migrantes no mar Mediterrâneo. Tornou-se viral como às vezes acontece com os bons sentimentos e a retórica que os acompanha. Já o chamam de herói e a definição é fácil, visto que ele é o único diplomata italiano que ficou em Cabul após a evacuação ordenada pelo Ministério do exterior do embaixador Sandalli que, agora diz o ministro Di Maio, também queria ficar. Mesmo sem lhe fazer a pergunta, já sabemos o que o cônsul responderia: não sou um herói, sou um funcionário em missão no exterior pela Itália.

 

Tommaso Claudi com criança afegã em Cabul. (Foto: Reprodução Twitter)

 

Tommaso Claudi nasceu em Camerino em agosto de 1990, nove meses após a queda do Muro. É filho da jornalista Giovanna Zucconi e do arquiteto Marco Claudi. Em 2003 os dois se divorciaram e a mãe se casou novamente com Michele Serra. Tommaso morou um pouco na casa da mãe, um pouco com o pai. Até os dezoito anos, seu horizonte era o horizonte de Milão. Ele se formou no colégio Leonardo Da Vinci e, em poucos anos, conseguiu dois diplomas: em Linguística em Pavia e em Relações Internacionais na Cattolica. Fez o concurso para diplomacia, passou com louvor e em 2019 foi designado para uma missão. A seu pedido explícito, o primeiro destino foi Cabul, a capital de um dos países mais complexos e perigosos do mundo. Não é o perfil de um herói, é o perfil de um bom italiano.

 

 

Como Luca Attanasio (nascido em 1977), Claudi também lê sobre a Guerra Fria nos livros. A política externa na idade de sua maturidade consiste em missões de paz, operações de manutenção da paz, da complicada gestão de projetos de exportação da democracia.

Eles decidem morar longe de casa, tomam café com os carabineiros e almoçam com as forças especiais.

Eles formam suas opiniões discutindo com quem está na linha de frente. Eles compartilham um método, que é o dos melhores homens da Arma, prontos a largar o fuzil e as formalidades quando quem pede ajuda são os últimos.

Attanasio era assim. Em 2017 chefe da missão em Kinshasa como conselheiro da delegação, em 2019 continuou como embaixador e plenipotenciário.

 

 

A África o enfeitiça, corre em seu sangue. Acompanha os diversos projetos de cooperação internacional para a melhoria das condições de vida e tutela dos direitos. Eles o mataram na manhã de 22 de fevereiro passado na estrada para Bukavu. Estava com um carabineiro, Vittorio Iacovacci. Era uma viagem sem escolta com o Programa Mundial de Alimentos, o programa alimentar das Nações Unidas.

Um embaixador podia mandar alguém ou pedir para receber um relatório. Mas Attanasio não, ele queria estar lá, ver, compreender, experimentar. Italianos brava gente, dizem. Em uma floresta do Congo ou em um muro em Cabul, pode acontecer de encontrar italianos dos quais se orgulhar.

 

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