Crise da covid-19 no Brasil é alerta para o mundo, diz agência da OMS

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12 Março 2021

Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostra preocupação com avanço do coronavírus no país e diz que situação serve de lembrete para o resto do mundo.

A reportagem foi publicada por DW Brasil, 11-03-2021.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirmou nesta quarta-feira (10/03) que a disparada no número de mortes e infecções por covid-19 no Brasil é preocupante e serve de alerta para todo o mundo sobre a possibilidade de ressurgimento do coronavírus.

"Estamos preocupados com a situação no Brasil. Serve como um lembrete claro da ameaça do ressurgimento [da covid-19]: áreas antes atingidas com força ainda estão vulneráveis a infecções hoje", afirmou em coletiva de imprensa Carissa Etienne, diretora da Opas.

A Opas é uma agência de saúde pública ligada às Nações Unidas e que serve como escritório regional nas Américas para a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O alerta da diretora da Opas chega no momento em que o Brasil registra, diariamente, recorde de mortes por covid-19. Na quarta-feira, o número de óbitos em 24 horas chegou a 2.286. Foi a primeira vez que mais de 2 mil mortes pela doença foram contabilizadas no país em um único dia.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

O país vive um novo momento de aceleração da doença, com registro de colapso da rede de saúde pública em alguns estados. O total de mortes no país associadas à doença já passa de 270 mil.

Mundo olha preocupado para o Brasil

O alerta da Opas é mais um em meio a uma série de declarações de especialistas que observam com preocupação a situação no Brasil.

Na última sexta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o avanço da pandemia de covid-19 no país é "muito preocupante" e instou o governo federal a tomar medidas "agressivas". "O Brasil deve levar esta luta muito a sério", disse Ghebreyesus, acrescentando que são fundamentais medidas para interromper a transmissão.

Na mesma linha de Tedros, Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS, disse que "agora não é hora de o Brasil ou qualquer outro lugar relaxar".

"Achamos que já saímos disto. Não saímos", disse Ryan. "Países regredirão para um terceiro e um quarto surto se não tomarmos cuidado. A chegada da vacina traz esperança, mas não devemos achar que o pior já passou. Isso só faz o vírus se espalhar mais", disse.

Na mesma semana, o jornal americano The New York Times, em reportagem, tratou a crise da covid-19 no Brasil como um alerta para o mundo todo. "Nenhuma outra nação que sofreu um surto tão grande ainda está lidando com um número recorde de mortes e um sistema de saúde à beira do colapso. Muitas outras nações duramente atingidas estão, pelo contrário, tomando medidas em direção a uma aparente de normalidade", escreveu o jornal.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, também na semana passada, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis pediu ao mundo que se "pronuncie com veemência sobre os riscos que o Brasil representa" no combate à pandemia.

Temor da variante

Preocupa especialmente especialistas e autoridades no exterior a variante de Manaus. Descoberta no fim de 2020, ela é é chamada de P.1 (ou P1) e está associada ao novo ápice da pandemia no Brasil. Foi devido a ela que inúmeros países restringiram a entrada de viajantes brasileiros.

Mesmo diante desse quadro, o governo de Jair Bolsonaro tem agido para enfraquecer medidas de isolamento impostas por estados e municípios, alegando que isso prejudica a economia. Na semana passada, Bolsonaro afirmou que é preciso parar de "frescura" e "mimimi" em meio à pandemia e perguntou até quando as pessoas "vão ficar chorando?". Ele ainda chamou de "idiotas" as pessoas que vêm pedindo que o governo seja mais ágil na compra de vacinas.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro minimizou frequentemente os riscos do coronavírus, além de promover curas sem eficácia e tentar sabotar iniciativas paralelas de vacinação lançadas em resposta à inércia do seu governo na área.

 

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