Papa no Iraque. Líder xiita Sayyed Jawad Al-Khoei (Najaf): “Em breve iremos ao Vaticano. O diálogo deve continuar”

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09 Março 2021

De Najaf uma promessa, e é Sayyed Jawad Al-Khoei, expoente do mundo xiita iraquiano, que a fórmula: “Devemos continuar a fortalecer nossas relações como instituições e indivíduos. Em breve iremos ao Vaticano para garantir que este diálogo continue, se desenvolva e não pare aqui. O mundo deve enfrentar desafios comuns e esses desafios não podem ser resolvidos por nenhum Estado, instituição ou pessoa, sozinhos, sem a coordenação e colaboração de todos e em todo o mundo”.

O encontro entre o Papa Francisco e o Grande Aiatolá al-Sistani foi preparado por “muitos anos de trocas entre Najaf e o Vaticano”. E se neste momento não há assinatura ou elaboração de um documento comum no horizonte, há uma promessa: “Em breve iremos ao Vaticano para garantir que este diálogo continue, se desenvolva e não pare aqui”. É o que diz Sayyed Jawad Mohammed TaqiAl-Khoei, secretário-geral do Al-Khoei em Najaf. Ele é um dos principais expoentes do mundo xiita iraquiano: nascido em dezembro de 1980 em Najaf, ele faz parte da família do aiatolá Imam Sayyed Abul-Qasim Al-Khoei. Ele é cofundador do Conselho iraquiano para o Diálogo Inter-religioso e dirige o Instituto Al-Khoei, que faz parte do Hawza de Najaf, um seminário religioso fundado há 1.000 anos para os estudiosos muçulmanos xiitas que combina estudos islâmicos clássicos, com particular atenção à jurisprudência, ao diálogo inter-religioso e a projetos de paz. Pedimos a ele um balanço e uma perspectiva sobre a histórica visita do Papa Francisco ao Iraque.

A entrevista é de M. Chiara Biagioni, publicada por AgenSir, 08-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

O senhor pode nos contar, do seu ponto de vista, o significado do encontro do Papa Francisco com o Grande Aiatolá al-Sistani?

Embora este seja o primeiro encontro na história entre o chefe do establishment islâmico xiita e o chefe da Igreja Católica, esta visita é fruto de muitos anos de trocas entre Najaf e o Vaticano e sem dúvida fortalecerá nossas relações inter-religiosas. Foi um momento histórico também para o Iraque.

Um comunicado de seu gabinete afirma que o Papa e o Grande Aiatolá abordaram os desafios mais importantes que a humanidade está enfrentando. O que mais preocupa Al-Sistani hoje? Como considera a colaboração entre pessoas de diferentes religiões?

O aiatolá Sistani acredita que os líderes religiosos devem fazer mais para promover a coesão social nas sociedades de todo o mundo e rejeitar a linguagem da guerra.

Trabalhando junto com pessoas de diferentes religiões, também enviamos, como líderes religiosos, uma forte mensagem às nossas comunidades sobre a importância da tolerância e do diálogo.

Como podem continuar agora as relações entre o Papa e o Grande Aiatolá, e entre Najaf e o Vaticano?

Devemos continuar a fortalecer nossas relações como instituições e indivíduos. Em breve iremos ao Vaticano para garantir que este diálogo continue, se desenvolva e não pare por aqui. O mundo deve enfrentar desafios comuns e esses desafios não podem ser resolvidos por nenhum estado, instituição ou pessoa, sozinhos, sem a coordenação e colaboração de todos e em todo o mundo.

O senhor considera possível chegar a um documento comum, como o texto assinado há dois anos em Abu Dhabi?

Não creio que poderá haver assinatura de qualquer documento, mas a mensagem do Ayatollah Sistani está muito alinhada com o espírito e a ética da fraternidade humana que está no centro desta iniciativa inter-religiosa.

Que mensagem o Papa Francisco deixa para a terra do Iraque e para toda a região do Oriente Médio?

Se eu tivesse dito a alguém há alguns anos que o Papa viria ao Iraque e visitaria seis diferentes cidades do norte ao sul do país, teriam achado que era brincadeira. Sua visita foi importante para todos nós, não apenas para os cristãos. A mensagem que o Papa Francisco deixa ao Iraque é a importância de continuarmos a trabalhar juntos, de mãos dadas, para rejeitar a violência e o ódio e nos abraçar como seres humanos.

 

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