Repúdio à politização da vacina. Carta aos cientistas, aos povos do Brasil, às autoridades do Executivo, do Judiciário e do Legislativo

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19 Novembro 2020

"Rechaçamos e repudiamos a conduta ignorante, grosseira, preconceituosa e antidemocrática do presidente que, como chefe do poder executivo de um país, comporta-se inadequadamente ao comemorar a tragédia e o desespero produzidos pelo coronavírus nas famílias brasileiras e em todo o mundo", escreve Maurício Borborema, médico da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e do Instituto de Medicina Tropical de Coari e Professor da UFAM [1].

A carta foi enviada por Pe. Paulo Tadeu Barausse, padre jesuíta e coordenador do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), em Manaus.  

Eis a carta.

O Brasil registra, nesta data, 16 de novembro, 5.876.740 de pessoas contaminadas pela Covid-19; 166.067 provocadas pelo novo coronavírus; no mundo são 54.301.156 de casos confirmados e 1.316.994 mortes.

Os dados têm como fonte oficial o covid.saude.gov.br. E, no momento da escrita deste manifesto, os números já serão outros, lamentavelmente em ordem crescente. Por que os estudos, os testes e a vacina são importantes? A resposta é porque a vida humana está ameaçada pela pandemia; porque milhares morreram vítimas do vírus e a morte por Covid-19 poderia ter sido evitada, pode ser evitada.

É a ciência e os cientistas eticamente responsáveis que abrigam a possibilidade de conhecer esta nova ameaça e produzir conhecimentos que concebam uma vacina para imunizar a humanidade da Covid-19. Assim foi feito no passado, em outras pandemias, endemias e pestes que assolaram a humanidade em seu percurso histórico. Muitas delas – gripe espanhola, meningite, poliomielite, sarampo, catapora ... – puderam ser enfrentadas com a vacina e, dessa forma, bilhões de pessoas na Terra ficaram livres dessas doenças e viveram, vivem, viverão! O Art. 196, da Constituição Federal brasileira, estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado, assegurado mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e do acesso universal e igualitário às ações e serviços para a promoção, proteção e recuperação das pessoas.

O Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), manifesta solidariedade e apoio aos cientistas do Brasil, e, de todo o mundo que, em parcerias e na mais profunda adversidade histórica, trabalham arduamente para descobrir a vacina anti-coronavirus; e que o medicamento seja colocado como bem da humanidade e a ela destinado.

Rechaçamos e repudiamos a conduta ignorante, grosseira, preconceituosa e antidemocrática do presidente que, como chefe do poder executivo de um país, comporta-se inadequadamente ao comemorar a tragédia e o desespero produzidos pelo coronavírus nas famílias brasileiras e em todo o mundo. Se tantas mortes não foram necessárias para conter as declarações e os gestos contrários à vida, o que quer Jair Bolsonaro? Mais mortes, mais sofrimento? Tripudiar sobre o desespero de milhares de brasileiros e prosseguir nos ataques à ciência e aos cientistas?

A contínua conduta presidencial agressiva e de desprezo às normas constitucionais brasileiras tornaram-se outra ameaça oficial aos cidadãos do Brasil. A politização da vacina, a comemoração desta tragédia humanitária e o negacionismo do poder letal do coronarivus, com faz o presidente da República, escancaram a conduta irresponsável, arrogante e criminosa do dirigente máximo do país. Os brasileiros mais pobres e mais vulneráveis estão esgotados e cansados de lidar com um presidente que se comporta e se realiza em atos de violência, da segregação de pessoas e na obstrução recorrente do que é dever constitucional do governo brasileiro: proteger e garantir vida digna de todas as pessoas que vivem neste país.

BASTA, SENHOR PRESIDENTE!

Trabalhe com decência, honre o cargo que recebeu dos brasileiros e respeite a Constituição

Manaus, 16 de novembro de 2020.

 

Nota:

[1] Maurício Borborema possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (1998) e residência médica em Infectologia pela Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (2004). Atualmente é médico da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e do Instituto de Medicina Tropical de Coari e Professor da UFAM. Foi aluno do Programa de Doutorado em Doenças Tropicais e Infecciosas da Universidade do Estado do Amazona/FMT-AM. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Doenças Infecciosas e Parasitárias, com trabalho de campo na Amazônia brasileira, África e Sudeste Asiático, atuando principalmente nos seguintes temas: malária, doença de Chagas na Amazônia, doença de Chagas aguda, leishmaniose, mansonelose e covid-19.

 

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