O mundo reduziu as emissões de CO2 na pandemia, mas o velho normal já predomina. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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08 Outubro 2020

"As Nações Unidas afirmam que é necessário eliminar gradualmente os combustíveis fósseis para impedir uma mudança climática catastrófica causada pelo ser humano", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 07-10-2020.

Eis o artigo.

“Até 2100, 73,9% da população do mundo enfrentará ondas letais de calor, 

pelo menos 20 dias por ano” IPCC (2018)

O Brasil viveu dias de calor intenso nos últimos dias e isto é fruto de um processo de aquecimento global de longo prazo. A concentração de CO2 na atmosfera variava em níveis abaixo de 280 partes por milhão (ppm) durante todo o Holoceno (últimos 12 mil anos). A concentração de CO2 na atmosfera chegou a 300 ppm em 1920, atingiu 310 ppm em 1950, 350 ppm em 1987, 400 ppm em 2015 e chegou a 418,3 ppm em 01/06/2020.

As emissões globais de CO2 que estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 37 bilhões de toneladas em 2019. Segundo o Acordo de Paris, aprovado em 2015 na ONU, existe a necessidade de reduzir imediatamente as emissões globais e chegar à emissão zero até 2050, para manter o aquecimento global abaixo de 1,5º C.

Com a Covid-19, que paralisou a economia global, houve uma redução das emissões de CO2 nos primeiros 6 meses do ano, indicando que é possível inverter a tendência da curva.

A pandemia poderia ter sido um momento decisivo na luta contra a mudança climática – uma oportunidade para os líderes resgatarem o meio ambiente e impulsionar o planeta em direção a um futuro mais sustentável.

Porém, artigo da CNN mostra que alguns dos maiores países produtores de combustíveis fósseis estão injetando dinheiro dos contribuintes para sustentar indústrias poluentes. E novos dados exclusivos mostram que essas decisões estão levando o mundo um passo mais perto de uma catástrofe climática. O gráfico abaixo indica que as projeções realmente apontam uma ligeira redução das emissões.

Todavia, os dados mais recentes mostram que houve novamente um aumento das emissões e isto está levando o mundo a dar mais um passo rumo a uma catástrofe climática. Segundo o Instituto Climate Action Tracker esta seria a única chance que tínhamos para iniciar os cortes nas emissões. De fato, o mundo está muito aquém das metas estabelecidas – já insuficientes de limitar o aquecimento global a menos de 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais – e parece quase impossível qualquer sucesso para limitá-las a 1,5º C.

Como mostra o gráfico abaixo, as emissões globais estão em níveis muito mais altos do que o acordado em Paris. E, evidentemente, muito mais alto do que o necessário para limitar as mudanças climáticas catastróficas. Seria necessário um esforço muito maior para caminhar rumo as emissões zero.

Consequentemente, as Nações Unidas afirmam que é necessário eliminar gradualmente os combustíveis fósseis para impedir uma mudança climática catastrófica causada pelo ser humano. Mas se livrar deles será difícil. Em todo o mundo, as comunidades dependem de combustíveis fósseis para obter energia, empregos e meios de subsistência. E, por sua vez, os governos contam com seus votos e impostos.

A humanidade está mudando a composição química da atmosfera, acelerando as mudanças climáticas e aumentado significativamente o aquecimento global. Isto vai aumentar o degelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares, elevando o nível do mar a ponto de ameaçar bilhões de pessoas que vivem próximo do litoral.

Vai gerar também ondas de calor que pode ameaçar mais pessoas do que a pandemia da Covid-19. A mudança climática é a principal ameaça existencial à continuidade da civilização humana.

Referência:

Ivana Kottasová, Swati Gupta e Helen Regan. The one chance we have. CNN, 22/09/2020. Disponível aqui.

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