O chip que Elon Musk quer implantar em nosso cérebro é pior do que Black Mirror

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04 Setembro 2020

Certamente, você já leu sobre Link, o wereable para o cérebro que Elon Musk e a Neuralink desenvolveram. Em teoria, um dispositivo que se conecta ao cérebro com microfios e um implante, e que tem a capacidade de resolver problemas mentais, da espinha dorsal e do sistema nervoso, bem como ler o cérebro humano e lhe enviar sinais (ou "escrever impulsos" como estão descrevendo alguns meios de comunicação).

A reportagem é publicada por Codigo Nuevo, 03-09-2020. A tradução é do Cepat.

Confirmou que é possível com uma demonstração em um evento em que foi realizada uma leitura ao vivo do cérebro de um porco (muito semelhante ao humano). Nessa demonstração, as informações coletadas por Link foram enviadas para o smartphone, que processou todo o conteúdo recebido (muitíssimo) em nanossegundos e, através do bluetooth, o enviava como um arquivo reconhecível pelo telefone. Obviamente, requer que seja carregado todas as noites, pois estará constantemente processando informações.

Musk comparou este gadget com a típica pulseira que mede as pulsações e é usada para esportes. Simplesmente, vai no cérebro e tem o tamanho de uma moeda. Para colocá-lo em um humano, é claro, o processo é mais complicado do que colocar a pulseira no pulso, "embora não muito", afirmou.

“É preciso realizar uma incisão no crânio e colocá-la dentro. Tudo isso é feito por um robô de forma automatizada e prometem que é um processo de cerca de uma hora, sem anestesia geral e com possibilidade de saída da clínica logo após a operação. Se no futuro se deseja retirar o implante ou atualizá-lo por um melhor, não haverá problemas, pelo menos é o que prometem depois de testá-lo com porcos. Comenta que se está bem colocado, nem sequer será doloroso ou sangrará o paciente. Não vai doer e nem sangrar porque os eletrodos nas pontas dos cabos que se conectam diretamente ao cérebro são tão pequenos que não tocam os vasos sanguíneos ”, explica o portal Xataka.

Ainda não está pronto para ser distribuído para humanos, embora já possua a aprovação da Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), que regulamenta, entre outros, esses dispositivos para a saúde. Portanto, os testes e melhorias para uso em humanos e não em porcos podem começar em breve.

E embora pareça uma vitória da ciência e da tecnologia (que legal o que podemos fazer, os grandes passos que damos na pesquisa e tal), também dá muito medo. Um objeto capaz de ler todos os gigas de informação que nosso cérebro produz soa a Black Mirror. Se nossos smartphones e algoritmos internos já servem para manipular nossos desejos, necessidades, percepções, e sabem, mais ou menos, como somos e o que gostamos, o que não é capaz um objeto assim, que sabe constantemente o que queremos, onde estamos? Como nos sentimos, como reage nosso cérebro?

Estamos presenteando toda a nossa leitura cerebral para uma empresa. Imagine que haja um grande vazamento ou hackeamento desses dados. E que, diretamente, Musk venda os dados para outras empresas. Teriam todas as informações do que acontece em nosso cérebro (alegria, felicidade, prazer, terror, etc.) quando interage com qualquer coisa. O capitalismo e a publicidade personalizada poderiam ser levados ao extremo, em uma espécie de distopia orwelliana, mas capitalista. Estaríamos a um passo de abrir as portas de nossos pensamentos, desejos e todos os tipos de processos mentais. Se já existem pessoas conspiparanoicas que temem o 5G, vendo os avanços dessas tecnologias, provavelmente continuarão surgindo mais que acreditam que as grandes empresas conspiram para dominar sua mente.

Claro, este é apenas um lado da balança. Musk prometeu que esse objeto ajudaria pessoas com várias doenças neurológicas. No entanto, não mostrou clareza a respeito de qual informação o dispositivo coleta e o que seria feito com ela. Claro, é provável que a informação a conta-gotas se dá porque ainda resta muita produção e planejamento para criar um protótipo comercial de Link. Mas, por enquanto, não custa questionar um pouco até que ponto estamos dispostos a que grandes empresas tenham controle e informações sobre o nosso próprio corpo.

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