O que as pessoas têm a ganhar com a economia circular?

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24 Julho 2020

"Para que se possa ganhar com a economia circular é necessário um novo mindset, no qual a sociedade precisa entender que ganhar não se limita a monetizar experiências, como temos na economia linear", escreve Marcelo Souza, CEO da Indústria Fox, pioneira na reciclagem de refrigeradores com destruição dos gases do efeito estufa, em artigo publicado por EcoDebate, 23-07-2020.

Eis o artigo.

Apesar da pandemia da Covid-19 e da má distribuição de renda, a cada dia presenciamos o aumento da geração de riqueza, afinal somos criados em uma sociedade onde ganhar e ter representam o Santo Graal da felicidade, dinâmica muitas vezes expressa no ato de comprar. Contudo, esse comportamento não impediu que doenças emocionais como a depressão e ansiedade se multiplicassem até nas classes com maior poder aquisitivo.

Em geral, muitos compram aquele objeto dos sonhos e na semana seguinte já estão pensando em outra aquisição, assim alimentamos a economia linear e a receita de ouro da obsolescência programada. Ao contrário de experiências e momentos que podem nos marcar por toda uma vida toda. Por essa lógica, focada em ganhos e bens materiais, vimos também o conceito de ter um propósito ganhando cada vez mais relevância em nossos dias.

Agora o que tudo isso tem haver com a economia circular? E qual a relação de ganho? São perguntas válidas e que representam muitos desafios para quem atua no dia a dia com economia circular, sendo explicar o conceito, falar sobre a importância e a urgência, alguns exemplos de obstáculos a serem superados diariamente. Nesse sentido, é importante contextualizar os dois modelos para chegarmos em como as pessoas podem ganhar com a economia circular:

Economia linear – Estabelecida principalmente na era das revoluções industriais e de forma mais acentuada a partir do século XIX, acompanhamos a crescente oferta de produtos e bens de consumo, debruçados sobre o conceito da obsolescência programada, criada pelo presidente da General Motors, Alfred P. Sloan durante a década de 20, que trata-se do planejamento, pelo fabricante, do momento em que seu produto se tornará obsoleto ou não funcional, com o único propósito de forçar o consumidor a adquirir uma nova geração de equipamentos. O que Sloan não se atentou foi que em 2050 seremos aproximadamente 10 bilhões de pessoas no planeta, consumindo e consumindo, de forma linear. Com o crescimento populacional e naturalmente o modelo linear precisando ser cada vez mais eficaz, para o atendimento da crescente demanda, o colapso do sistema que é pautado em extração, produção, uso e descarte, fica cada dia mais evidente.

Economia Circular – Propõe que todos deixem de consumir linearmente os diversos recursos disponíveis, reduzindo extração e perdas nos processo. Além de otimizar o uso dos materiais e fazer os produtos circularem mais e melhor pela sociedade, retornando os itens a novos ciclos, tudo isso com utilização de energias renováveis e aproveitamento de água, são alguns dos pilares desse novo e inteligente modelo. Como, por exemplo, optar pelo transporte coletivo para se locomover no lugar de comprar um veículo, é uma escolha que representa esse novo modelo econômico. Fazemos parte dessa história.

Para que se possa ganhar com a economia circular é necessário um novo mindset, no qual a sociedade precisa entender que ganhar não se limita a monetizar experiências, como temos na economia linear.

Quando mudamos nosso mindset e nossos hábitos de consumo, objetivando e usufruindo de produtos provenientes da economia circular existe o crescimento do sentimento de pertencimento, algo similar com o observado na pesquisa de Michael Norton sobre a felicidade que se pode ter com o dinheiro. Norton, professor e palestrante na renomada universidade de Harvard, juntamente com a professora de psicologia da University of British Columbia, Elizabeth Dunn, realizaram uma pesquisa em que distribuíram notas de 5 e 20 dólares aleatoriamente para estudantes e orientaram que parte do grupo deveria gastar o valor recebido consigo mesmo e a outra parte com terceiros.

No final da pesquisa, o grupo que gastou consigo mesmo mal se lembrava como o tinha feito, muitos com um simples café, mas a outra parte do grupo, tinha vivido uma sensação de gratidão e alegria por terem presenteado alguém. Assim, quando utiliza-se um produto que fomenta a economia circular sente-se uma sensação de pertencer a algo maior. Não estamos simplesmente ganhando, comprando e descartando, mas estamos coexistindo com o mundo, com o todo.

Saber que usamos um produto em casa que não possui pegada de carbono, não polui rios, não foi feito por trabalho escravo ou infantil e que economiza recursos naturais é obter um ganho intangível e não monetário, é ter a consciência e o sentimento de fazer de viver algo novo e em um mundo vivo. Isso é economia circular!

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