Morre de covid-19 Bernaldina José Pedro, símbolo da luta política da etnia macuxi

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27 Junho 2020

A anciã indígena Vó Bernal foi uma das lideranças na expulsão de grileiros na TI Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A reportagem é de  Pedro Stropasolas, publicada por Brasil de Fato, 25-06-2020.

A mestra Bernaldina José Pedro, uma das anciãs mais ativas da cultura Makuxi, morreu na manhã desta quarta-feira (24), aos 75 anos, em Boa Vista, capital de Roraima, em decorrência da covid-19.

Há 11 dias, Vó Bernaldina, a Meriná, foi removida às pressas da Comunidade do Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, para ser atendida no Hospital Geral de Roraima (HGR).

Por conta da superlotação no HGR, única unidade pública de saúde que atende quadros graves de infectados pelo vírus no estado, a anciã não vinha recebendo tratamento adequado e esperava por uma transferência para um hospital particular, com apoio de uma campanha solidária organizada por seu filho e artista Jaider Esbell.

“Vai meu amorzinho e ficamos cá com todos os seus ensinamentos, sobretudo a teimosia em permanecer alegre mesmo quando tudo remete a tristeza e solidão. Eu não vou chorar, eu vou ficar sereno e pode tomar meu coração para permanecer viva, eternamente no mundo maior das artes onde muito bem se ambientou”, escreveu Esbell, nas redes sociais, no anúncio da morte da mãe.

O artista também comunica que o apoio virtual continua, e o foco agora é dar suporte a Charles Gabriel e Renan, filho e neto de Bernaldina, que estiveram com ela no HGR e também estão contaminados pela doença.

Bernaldina, que deixa seis filhos e 15 netos, foi uma das protagonistas da luta indígena pela expulsão de não índios e de garimpeiros da TI Raposa Serra do Sol, homologada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, e com a demarcação reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) anos mais tarde.

No ano passado, a anciã esteve pela primeira vez em São Paulo e participou de um ciclo de encontros para compartilhar a espiritualidade macuxi, por meio da palavra cantada e da defumação do Maruai. As práticas são usadas na luta política da etnia, que vive aos pés do Monte Roraima, fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

O Brasil de Fato entrevistou Bernardina em sua passagem pela capital paulista e compartilha novamente suas palavras como forma de homenagear seu legado:

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