Serra Leoa enfrenta onda de violência e preocupa ONU

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12 Mai 2020

Líderes de igrejas da República de Serra Leoa exortaram jovens para que resistam aos enganosos apelos de políticos, estanquem a onda de violência que se abateu sobre o país desde o final de abril e canalizem esforços no combate ao covid-19.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“Observamos com total decepção o crescente nível de violência que prevalece no país”, motivo de preocupação para todos que amam a paz, diz a mensagem dos religiosos. O porta-voz das Nações Unidas no país, Philip Winslow, instou os partidos políticos a se engajarem num diálogo pela paz, destacando que impedir a propagação do coronavírus deve ser neste momento a prioridade para instituições e indivíduos.

O país está ameaçado pelo discurso de ódio que inundou as mídias sociais, lamenta a mensagem das igrejas. “Sem dúvida, esse é um uso irresponsável das mídias sociais. É triste dizer que esses incentivos levaram à perda de vidas humanas e à queima de propriedades púbicas e privadas em algumas partes do pais”, denunciam as lideranças eclesiásticas.

No dia 29 de abril, motim na prisão em Tombo, nos arredores da capital Freetown, resultou em duas mortes. No primeiro dia de maio, jovens foram às ruas em Lunsar, a 80 Km da capital, destruíram a residência do chefe politico e do comandante da unidade local, em protesto pela prisão do líder da juventude, Bulgar, que acusa o chefe supremo do país, Bai Koblo, de corrupto e de usurpar fundos de desenvolvimento.

Os jovens revoltosos bloquearam rodovias, impuseram toque de recolher no município e proibiram atividades comerciais por uma semana. As restrições provocadas pelo combate ao coronavírus pioraram o quadro crescente de fome na região após o fechamento de minas, relatou a repórter Alpha Kamara, do Sierra Express Media.

Em Tombo, uma comunidade rural, mais de 90% da população dependem da pesca. Jovens se revoltaram com a liberação da atividade para apenas 15 barcos entre mais de 400. A medida faz parte da contenção do covid-19.

Causou indignação e protestos a declaração do ministro residente do Norte de Serra Leoa, Abu Abu Koroma. Ao se dirigir a jovens de Makeni ele disse que mandará matar qualquer pessoa que se opuser ao governo de Bio. O presidente anunciou que seu governo “vai bater duro e continuará batendo ainda mais até que essa luta seja vencida, porque essa é uma luta pela unidade, estabilidade, desenvolvimento e futuro do único lugar que chamamos lar”.

Serra Leoa (Foto: Wikipedia CC)

Bai acusou o Congresso do Povo Todo e outros partidos de oposição pelas práticas “terroristas” praticadas em Lunsar, Foredugu, Tombo e no Centro Correcional de Pademba Road. “Sua ações são cuidadosamente planejadas, coordenadas, bem orquestradas e executadas, que visam o Estado, oficiais do Estado, prédios públicos e pessoas e propriedades privadas”, denunciou.

No domingo, 10, a Frente Revolucionária Unida, maior força rebelde do país, segundo a Folha de S. Paulo, atacou tropas de paz da ONU em Lunsar. A ONU mantém um contingente de 500 capacetes azuis em Serra Leoa. O chanceler britânico, Robin Cook, responsabilizou o líder rebelde Foday Sankoh por “ter quebrado acordos e ter trazido a guerra de volta a Serra Leoa”.

O país africano passou por uma violenta guerra civil de 1991 a 2002, mas tudo indica que ele está longe de ter chegado a um apaziguamento geral. Por medida de segurança, Itália, Inglaterra, França e Estados Unidos preparam a retirada de seu corpo diplomático de Serra Leoa.

Winslow recordou o compromisso assumido pelo governo de Serra Leoa em convenções e tratados internacionais, incluindo o Regulamento Nelson Mandela, de proteger e respeitar os direitos humanos de todas as pessoas privadas de liberdade. Ele exigiu investigações rápidas dos incidentes para que os autores da violência seja levados à justiça.

Localizado na África Ocidental, Serra Leoa tem cerca de 6 milhões de habitantes, divididos em 16 etnias, e registrou, até a segunda-feira, 338 casos confirmados de covid-19 e 19 mortes.

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