4º Domingo da Páscoa - Ano A - Nos caminhos da vida em plenitude

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Por: MpvM | 01 Mai 2020

"Em nossa cultura urbana, a figura do “pastor de ovelhas” é pouco conhecida, bem como o modelo de exercício da autoridade comparável à relação entre pastor e ovelhas. Temos mais familiaridade com a figura de líderes como o presidente, o chefe, o patrão, que não raras vezes, é alguém que se impõe pela força, que manipula as massas, que submete os que estão sob a sua autoridade.

Ao nos propor a figura bíblica do “Bom Pastor”, o Evangelho de João nos convida a refletir sobre o serviço da autoridade, tendo como modelo “o pastor”, como aquele que oferece a vida por suas ovelhas, que as serve e as ama gratuitamente, para que vivam plenamente."

A reflexão é de Elizangela Chaves Dias, religiosa da Congregação das Irmãs Scalabrinianas, mscs. Ela é doutora em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (2016.2), possui mestrado em teologia sistemática com concentração em bíblia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP (2011). Obteve bacharelado em teologia pela Pontificia Universitá Salesiana de Roma, Itália (2008) e Licenciatura Plena em filosofia pelo Centro Universitário Salesiano de Lorena, SP (2005). Atualmente é professora na Pontificia Universidade Urbaniana-Roma e integra o Scalabrini International Migration Institute - SIMI.

Leituras bíblicas
Primeira Leitura: Atos 2,4a.36-41
Salmo 22
Segunda Leitura: 1Pe 2,20b-25
Evangelho: Jo 10,1-10

No 4º Domingo da Páscoa do ano A a Igreja celebra o “Domingo do Bom Pastor”, no qual Jesus é apresentado pelo Evangelista João 10,1-10 como o “Bom Pastor”. Enquanto o bom pastor procura garantir a liberdade e a plenitude de vida de seu rebanho, os falsos pastores buscam se aproveitar do rebanho em benefício próprio.

A figura do Bom pastor não é uma novidade do evangelista João, na verdade essa figura é muito presente nas profecias e nos salmos. A imagem do rei ideal é justamente a de um rei pastor. De modo muito particular o profeta Ezequiel (Ez 34) nos oferece a chave hermenêutica necessária para compreender a metáfora do pastor e do rebanho.

Dirigindo-se aos exilados da Babilônia, Ezequiel verifica que os líderes de Israel, ao longo da história, se comportaram como maus “pastores”, conduzindo o povo por caminhos de morte e desolação; por isso, Ezequiel anuncia que o próprio Deus assumirá a condução do seu Povo e porá à frente de seu Povo um “Bom Pastor” (o “Messias”), que o livrará do sofrimento e o conduzirá à vida. João 10,1-10, retomando a metáfora profética, nos apresenta Jesus como o cumprimento da promessa do envio do “Bom Pastor”.

João 10,1-10 é um discurso direto, pois narrador da voz a Jesus. Na primeira parte de seu discurso (vv. 1-6), Jesus apresenta o comportamento do “Pastor”, contrapondo-o ao modo de agir dos ladrões e salteadores de “rebanho”, cujo objetivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse.

Na segunda parte (vv. 7-10), Jesus explica o significado de sua metáfora. Ele é “o Pastor” que entra pela porta. Ele também é a porta pela qual passam as ovelhas. Em Ezequiel, o papel do “pastor” seria exercido por Deus (cf. Ez 34,11-12.15) e por seu enviado, o “Messias” descendente de Davi (cf. Ez 34,23). Ao se apresentar como “aquele que entra pela porta”, Jesus se autorrevela como o “Messias” enviado por Deus para conduzir o seu povo a pastagens onde há vida em plenitude. Ele entra no redil para cuidar das ovelhas e não para explorá-las.

Essa perícope (Jo 10,1-10) pode ser lida também como uma crítica ao comportamento de certos líderes que usavam do rebanho para se autopromover e satisfazer os seus próprios interesses egoístas, despojando e explorando do povo de Deus, em vez de conduzi-lo à vida em plenitude.

Em nossa cultura urbana, a figura do “pastor de ovelhas” é pouco conhecida, bem como o modelo de exercício da autoridade comparável à relação entre pastor e ovelhas. Temos mais familiaridade com a figura de líderes como o presidente, o chefe, o patrão, que não raras vezes, é alguém que se impõe pela força, que manipula as massas, que submete os que estão sob a sua autoridade.

Ao nos propor a figura bíblica do “Bom Pastor”, o Evangelho de João nos convida a refletir sobre o serviço da autoridade, tendo como modelo “o pastor”, como aquele que oferece a vida por suas ovelhas, que as serve e as ama gratuitamente, para que vivam plenamente.

Cristo é o pastor por excelência, ele nos conhece e nos chama por nome, suas propostas são vida e salvação para nós, somente Ele pode nos conduzir com segurança, sobretudo nestes momentos difíceis que nossa humanidade vem atravessando devido à pandemia. Mais que nunca somos convidados e convidadas a escutar a voz do bom pastor e a deixar-nos confortar por seu amor. Na certeza de que não estamos caminhando dispersos e isolados, Ele é nosso referencial, pois caminha conosco, andando à nossa frente para nos proteger das ameaças do caminho.

Com esta breve reflexão saúdo a todos e a todas que nos seguem pelas redes sociais e desejo um Bom domingo do Bom Pastor.

 

 

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