A Porta que gera liberdade

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05 Mai 2017

Naquele tempo disse Jesus: "Eu garanto a vocês: aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Mas aquele que entra pela porta, é o pastor das ovelhas. Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que Jesus queria dizer."
Jesus continuou dizendo: "Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância."

Leitura do Evangelho de João, capítulo 10,1-10. (Correspondente ao 4º Domingo da Páscoa, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado. 


A Porta que gera liberdade

No Quarto Domingo do Tempo Pascal, celebra-se “Jesus Bom Pastor”. Nos domingos anteriores lemos textos referentes às aparições de Jesus, dificuldades que surgiram para reconhecê-lo e progressivamente a comunidade toda aceitava sua presença desta nova forma: Ressuscitado.

Ele mostra-se no meio deles e os acompanha em todo momento, mas sua aparência é diferente.

Maria Madalena vai ao sepulcro e vê “que a pedra tinha sido retirada do túmulo e que Jesus não está ali”. Depois de chamar os discípulos, ela fica chorando junto ao sepulcro: “levaram seu Senhor e não sei onde foi colocado”. Jesus aparece, mas ela o reconhece quando é chamada por seu nome! A voz de Jesus pronunciando seu nome está carregada com a experiência do amor recebido de Jesus. Somente assim ela o reconhece como seu Mestre tão querido e procurado!

No domingo retrasado, foi oferecido o texto de Tomé, que escuta o relato dos outros discípulos, mas não acredita neles. Coloca condições para acreditar. Ele precisa ter certeza de que essa presença é o mesmo Jesus que estava no meio deles e que foi crucificado, morto e sepultado: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei.” Uma semana mais tarde ele acredita na presença do “Meu Senhor e meu Deus”, como ele mesmo o chama.

No domingo passado, aprofundou-se a narrativa de dois discípulos que, desanimados, voltam para seu antigo lar. Apesar de ter escutado sobre as aparições do Ressuscitado, eles não acreditam e voltam para seu lar. Jesus caminha junto deles e ajuda-lhes a dar sentido a essa história que eles discutem como letra morta. Eles somente reconhecem-no quando têm a possibilidade de partilhar em comunidade o pão.

Nos primeiros versículos da perícope do bom pastor, propõe-se uma comparação aparentemente fácil de entender. O pastor é aquele que entra pela porta, e o ladrão e assaltante não entra pela porta, mas sobe por outro lugar.

Podemos pensar que toda pessoa pode entender esta ideia. Mas o evangelista dirá que depois de ter contado esta parábola “eles não entenderam o que Jesus queria dizer” (Jo 10, 6).

É preciso aprofundar o significado que a comunidade primitiva nos transmite por meio destas palavras. Somente assim é possível captar o sentido do texto.

Lembremos o profeta Ezequiel, quando se dirige aos reis e os compara com pastores que enganam seu povo: “Ai dos pastores de Israel que são pastores de si mesmos!”. “Vocês bebem o leite, vestem a lã, matam as ovelhas gordas, mas não cuidam do rebanho. Vocês não procuram fortalecer as ovelhas fracas, não dão remédio para as que estão doentes, não curam as que se machucaram, não trazem de volta as que se desgarraram e não procuram aquelas que se extraviaram. Pelo contrário, vocês dominam com violência e opressão” (Ez 34, 3-4).

Pastores de si mesmos somente se interessam por aquilo que podem oferecer-lhes as ovelhas, seja a lã, o leite, a carne. Eles não cuidam do rebanho, somente o dominam com violência e opressão.

Esta referência a Ezequiel traz à memória alguns dos textos de Francisco quando recorda que “o mundo precisa de pastores que saibam tratar os outros com misericórdia, porque esta atitude pode mudar o coração das pessoas e deve ser o centro propulsor de toda ação pastoral e missionária (Texto completo: Francisco clama por uma Igreja cheia de “pastores que saibam tratar e não maltratar”).

Jesus continua dizendo que ele é a porta das ovelhas e através dela as ovelhas têm liberdade para entrar e sair e encontrarem pastagens. Mais adiante agrega “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”.

É um chamado não somente para ter presente que ele oferece a vida em abundância, mas também é um convite a ser portadores dessa vida para as pessoas que estão ao nosso redor.

Há alguns anos houve uma expressão de Francisco que foi muito conhecida: “que os pastores tenham cheiro de ovelhas”.

Para isso é preciso escutar a voz do pastor e ter um ouvido afinado, que se acostuma a distinguir porque conhece esse som dos que também o convidam continuamente a ir atrás dele.

Ouvir sua voz é conhecer aquilo que nos pede nesse pequeno sussurro interior e convida-nos a ser criativos e audazes no seguimento a Jesus. Numa comunidade não há pessoas a serviço de outras, senão que todas somos servidoras umas das outras.

Como disse Raymond Gravel no seu comentário (Cristo uma porta grande aberta) “cada vez que escutamos uma palavra que liberta, que salva, que reconforta, que dá esperança e vida, devemos seguir a voz de quem a profere. Mas quando ouvimos uma voz que julga, condena e exclui, há fortes indícios de que estamos na presença de um mercenário, de um falso pastor, de um ladrão ou de um salteador.”

Sejamos pastores que geram esperança naqueles que estão ao nosso lado, sem fazer distinções pessoais, culturais, religiosas, nacionalistas. Elas somente encerram as pessoas sem oferecer liberdade nenhuma. Aproveitam-se delas.

Jesus oferece vida e vida em abundância porque ele é Vida e todos e todas que estamos a seu lado somos portadores dessa vida em abundância que é Jesus mesmo.

Comunicadores daquilo que gera vida, liberdade, espaço de diálogo. Sejamos construtores de pontes e não de muros!

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