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13 Dezembro 2019

João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras do Messias, enviou a ele alguns discípulos, para lhe perguntarem: «És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu: «Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!»

Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «O que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que vestem roupas finas moram em palácios de reis. Então, o que é que vocês foram ver? Um profeta? Eu lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta. É de João que a Escritura diz: "Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti”. Eu garanto a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele.

Leitura do Evangelho de Mateus 11, 2-12. (Correspondente ao 3º Domingo de Advento, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

O agir de Deus em favor dos mais pobres

O tempo de Advento continua a despertar nossa esperança e convida-nos a gerar essa esperança em nossos povos e sociedades, tão marcados neste último tempo pela desesperança e o desânimo. Preparar-se para viver o Natal leva-nos a caminhar unidos/as ao encontro do nosso Deus que veio morar em meio de nós.

Ser pessoas e comunidades que gerem pontes onde há divisão ou gretas, liberdade onde há escravidão, luz onde há somente trevas!

No evangelho de hoje lemos que João está na prisão. Havia sido encarcerado por Herodes porque a pregação do Batista denunciava seu agir hipócrita e altaneiro em desfavor e menosprezo dos rejeitados pela sociedade. Como os profetas que o precederam, seu estilo incomoda e molesta de modo que o melhor é afastá-lo e, se for possível, eliminá-lo.

Como denunciou o Papa Francisco na missa matutina da Residência Santa Marta: “Há a grande calamidade das guerras de hoje, onde a conta da festa é paga pelos mais fracos, os pobres, as crianças, os que não têm recursos para avançar”, denunciou o Bispo de Roma. “Existem problemas, as calamidades do mundo, os pobres, as crianças, os famintos, os perseguidos, os torturados, as pessoas morrem na guerra porque lançam bombas como se fossem caramelos”. Texto completo: “Há pessoas que morrem porque bombas são lançadas como caramelos”, denuncia Francisco

João está no cárcere quando “Ouviu falar das obras do Messias, enviou a ele alguns discípulos, para lhe perguntarem: ‘És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?’.”

Possivelmente pelos seus seguidores, os que ainda continuam sendo fiéis a ele, João conhece o que está acontecendo com Jesus, os milagres, as pregações, as pessoas que o seguem. João havia exortado a conversão porque “O Reino do Céu está próximo”. Convidava a preparar o caminho do Senhor, seguindo as palavras do profeta Isaías (Cfr. Is 40,3). Nas suas palavras, tinha-se referido ao Messias como aquele que “terá na mão uma pá: vai limpar sua eira, e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele vai queimar no fogo que não se apaga” (Mt 3,12).

Mas a atitude de Jesus desconcerta o Batista porque seu obrar é muito diferente. Nem se veste como ele e ainda menos age como foi predito. João precedeu-o no caminho, tinha-o anunciado, mas rejeitou batizá-lo: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3,14). Ele estava convencido de que Jesus é o Messias esperado, mas agora envia dois discípulos para perguntar-lhe se ele é o que ‘há de vir ou devem esperar outro?’. Jesus não corresponde a suas expectativas de um Deus que ia castigar, de um Deus que ia trazer justiça; ao contrário, Jesus come com os pecadores, se aproxima dos impuros e dos marginais, oferece a salvação para todos, perdoa, cura, não faz distinção de pessoas. É preciso esperar outro?

Diante dessa pergunta Jesus responde desde seu agir e testemunho. Diante da pergunta sobre sua identidade, a resposta de Jesus é fundamentada pelas suas obras.

Para entender melhor a resposta de Jesus, lembre-se do texto do profeta Isaías que se lê na primeira leitura. Isaías anuncia um Deus que iria libertar e conduzir o povo a uma nova terra de liberdade e alegria: “Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos”. Com essas palavras Isaías alimenta a esperança do povo que está exilado, porque Deus vai salvar Judá do cativeiro e vai conduzir seu povo para que possa regressar à sua terra. Não há lugar para o desânimo ou para baixar os braços: é preciso acrescentar a esperança e não desalentar diante das dificuldades que se apresentam no imediato. As consequências desse anúncio profético são que “o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria” e “Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos”.

Voltando ao texto, lemos que Jesus responde aos discípulos de João Batista dizendo: “Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”

As obras em favor dos pobres e necessitados identificam Jesus como o Messias. Jesus anuncia o cumprimento da promessa pelas palavras e gestos libertadores, o Messias é reconhecido porque atenua o sofrimento dos pobres e está no meio deles. Em Jesus realiza-se esse anúncio de salvação. No tempo de Jesus e hoje também a Boa Notícia do Reino é anunciada a todas as pessoas e povos que sofrem as consequências de uma sociedade que marginaliza e descarta o que não se adapta a suas expectativas econômicas e do mercado. São os que devem migrar da sua terra em busca de alimento. Os milhões de crianças, de mulheres e anciãos que não têm onde morar e continuamente peregrinam pelo mundo à procura de alimento e paz.

Na sua resposta, Jesus convida-nos a continuar seu exemplo. O agir do Messias define sua identidade e assim convida a cada pessoa e comunidade que deseja segui-lo: continuar seu modo de obrar. Deus se faz presente no mundo pelo nosso testemunho de vida. Fazer visível e real o projeto libertador de Deus que não é indiferente diante da opressão e injustiça dos homens e mulheres da nossa terra.

Neste Terceiro Domingo somos chamados a acrescentar nossa sensibilidade para com tantas pessoas necessitadas e seguir seu caminho. Realizar suas obras leva consigo uma revelação que é o reconhecimento progressivo de Jesus como o Enviado do Pai, o Messias.

O texto de hoje nos chama a perguntar: quais são nossos sinais que, como Jesus, comunicamos a ação libertadora de Deus?

Quais são os nossos sinais diante dos que procuram ser surdos a tantas vozes que clamam ao céu, encontram em nós uma voz que os desperte e sacuda da sua passividade e os sensibilize a ouvir os gritos silenciosos que povoam nosso redor? E para os cegos que vivem deslumbrados pelos enganos de luzes artificiais e não querem abrir os olhos à luz verdadeira?

Também nos perguntamos se somos sinais para os que não podem caminhar com liberdade pelo medo de ser repatriados, pelas injustiças aos que estão submetidos, dos que são vítimas da escravidão no trabalho, da exploração humana e padecem contínuas ameaças, dos presos privados da liberdade e escondidos em refúgios nomeados centros de recuperação ou assentamentos provisórios.

Neste tempo de Advento, o Senhor nos convida a converter-nos e continuar o estilo de vida traçado por João, sendo profetas que denunciam e agem sem medo e com liberdade e honestidade.

Rezemos deixando ressoar as palavras do Papa Francisco: "Todos os dias encontramos famílias que são forçadas a abandonar suas terras para procurar meios de subsistência em outros lugares; órfãos que perderam seus pais ou que foram violentamente separados deles por causa da exploração brutal; jovens em busca de uma realização profissional a quem é negado o acesso ao trabalho por causa de políticas econômicas míopes; vítimas de tantas formas de violência, da prostituição às drogas, e humilhadas nas profundezas do seu ser". "Como podemos também esquecer os milhões de imigrantes que são vítimas de tantos interesses ocultos, tão frequentemente explorados para fins políticos, aos quais se nega solidariedade e igualdade? E quanto aos muitos marginalizados e desabrigados que vagam pelas ruas de nossas cidades?". Texto completo: “Deus destruirá as barreiras e substituirá a arrogância de uns poucos pela solidariedade de muitos”. Mensagem do Papa Francisco para a Jornada Mundial dos Pobres

Oração

O buraco da agulha

Estreitou-se tanto minha existência
esmagada em um punho
de interesses alheios,
que deslizou com suavidade
pelo “buraco estreito da agulha”
até o teu encontro.

Fui tão despojado
do esplendor colado a minhas costas
como tesouro embusteiro,
que atravessei ágil
a “viela estreita”
que me conduziu
ao futuro novo de teu Reino.

Fui tão humilhado
pela desqualificação social
e por meu próprio limite
levado a todos os ouvidos
pelo vento sem amo
que curvei a cabeça
e entrei, irmão,
pela “porta pequena”
da casa comum
do verdadeiro nós.

Benjamin González Buelta
Salmos para sentir e saborear as coisas internamente

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