O boliviano Matereco no Sínodo: “Eu posso ser homem casado e padre”

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09 Outubro 2019

“Se pedirem na minha comunidade, eu aceitaria ser ordenado padre”, explica a Efe Enrique Materecco, um homem boliviano casado, de 70 anos, que participa do Sínodo sobre a Amazônia e que representa o exemplo de um dos pontos mais controversos da assembleia: a possível exceção ao celibato.

A reportagem é de Cristina Cabrejas, publicada por La Vanguardia, 08-10-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

No Sínodo sobre a Amazônia que começou nesta segunda-feira e que se concluirá no próximo 27 de outubro, se debaterá sobre uma das sugestões que as comunidades fizeram nas reuniões de preparação para que debatam os participantes e que foi causa de enormes críticas e inclusive de ameaças de rupturas.

“Afirmando que o celibato é um dom para a Igreja, se pede que, para as zonas mais remotas da região, se estude a possibilidade de ordenação sacerdotal para pessoas idosas, preferencialmente indígenas, respeitadas e aceitas por sua comunidade, ainda que tenham já uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”, se lê no controverso ponto 129.

E esse é o caso de Enrique Matereco Pofueco, ancião, indígena do povo mojeño, respeitado pela comunidade, uma espécie de “pároco” para as três comunidades de Bermeo, território da província de Moxos, no departamento boliviano de Beni, onde não há um padre sequer.

A reportagem encontrou Matareco na praça de São Pedro, porque é um dos participantes no Sínodo da Amazônia, entre especialistas, bispos e religiosos.

“Cheguei aqui para cooperar com o Sínodo. Nós também fazemos parte. E é o que faz falta que nós, como indígenas, ajudemos aqueles que estão nos ajudando”, explica.

Matereco é animador juvenil, passa muito tempo com os jovens de sua comunidade e a cada domingo recorre aos povos próximos para celebrar a liturgia da Palavra “porque não tem quem a celebre”.

“Somos três, meu irmão, outro companheiro e eu, que atendemos a essas comunidades”, percorrendo a pé as léguas que separam a localidade de Bermejo e os povos de Fátima, Argentina de Mojo e Santa Rita.

“Quando se celebra uma missa há em torno de 20 ou 30 fiéis, mas se não é missa, vêm somente cinco, e me dói fechar a capela e por isso faço o esforço”, explica.

Por isso, revela que já havia falado com o pároco de sua região, dessa possibilidade de poder se tornar o que a igreja chama de viri probati, um homem casado e ordenado padre, e ao que se opõe a ala ultraconservadora da Igreja.

“Eu havia dito a meu pároco de lá que aceitaria, porém depende da comunidade e não de mim. Eu o aceitaria”, assegura, já que “é necessário” porque “não há ninguém que celebra os sacramentos; a comunhão, o matrimônio, o batizado...”.

Ao papa Francisco pediria que “reze por nós, que estamos distantes em um canto da terra, porém que não nos esqueçamos do que temos que fazer como católicos”.

Explica que recordará aos participantes que o sínodo quer dizer “bom caminhar” e que antes os indígenas de sua região “caminhavam bem, porém agora já não se pode. Não nos deixam passar. Ali está tudo cercado”.

“Temos que pedir permissão para ir pescar. Nós antes vivíamos tranquilos”, explica e argumenta que eles sempre cuidaram da floresta “para que ninguém a estropie”, porque “nós, indígenas, nunca destruímos nosso território”.

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