Religiosas pedem em Roma que possam votar no Sínodo que tem o maior número de mulheres

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04 Outubro 2019

Serão 35 mulheres que participarão, porém suas opiniões não serão levadas em conta.

A reportagem é publicada por ABC, 03-10-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Religiosas de diversos países pediram nesta quinta-feira, em Roma, que a Igreja Católica as escute, as trate como iguais e permita que votem no Sínodo da Amazônia, que será celebrado no Vaticano de 7 a 27 de outubro.

Por que um homem que não é bispo nem padre pode votar e não há nenhuma mulher que possa votar? Não sou somente eu de acordo (com essa pergunta), me parece que é senso comum estar de acordo”, disse em declaração a Efe a irmã catalã Teresa Forcades. Ela e muitas outras irmãs da Europa, América e África pediram que a Igreja não as silencie durante um ato organizado pela associação internacional de mulheres católicas Voices of Faith (Vozes de Fé).

Fizeram a manifestação quatro dias antes de começar o Sínodo sobre a Amazônia, convocado pelo papa Francisco e no qual participarão bispos, religiosos, especialistas, leigos e consagrados que trabalham na região Pan-Amazônica e convidados especiais, ainda que nem todos terão direito a voto.

35 mulheres participarão do Sínodo e nenhuma delas poderá votar

O número total de mulher que participam é de 35 – duas convidadas especiais, quatro especialistas (duas não são religiosas) e 29 auditoras, das quais 18 são irmãs – e nenhuma delas poderá votar.

Irmãs dos Estados Unidos, Suécia, Senegal e Alemanha expuseram seu mal-estar por essa decisão no interior da majestosa biblioteca romana Vallicelliana. Forcades reconheceu a Efe que o papa Francisco mudou a “atmosfera da Igreja” desde o início do seu pontificado em 2013, e opinou que dar um maior protagonismo às mulheres não seria “um passo contrário, mas sim uma continuação” de suas ações para demonstrar a coerência da abertura que está levando a cabo.

“Esse Papa se caracteriza por lutar contra a injustiça social, os interesses das grandes corporações” e a gestão da Europa das migrações. Por isso, justificou, as necessidades das mulheres devem ser uma prioridade e não ser adiado, como quando nos “anos 70 os homens de esquerda diziam ‘primeiro vamos fazer a revolução e depois já falaremos das mulheres’”.

Em sua intervenção, essa irmã beneditina disse que a Igreja Católica “tem uma estrutura patriarcal” que deve mudar e que “não pode dar testemunho no mundo se ignora as vozes e as perspectivas das mulheres”.

Reforma constitucional

Também esteve a ex-irmã alemã Doris Wagner-Resinger, que denunciou em numerosas ocasiões os abusos sofridos no passado por um padre, e argumento em declarações a Efe que a atual Igreja Católica necessita uma “reforma constitucional” para que todo o mundo se sinta representado.

A irmã estadunidense Simone Campbell defendeu a inclusão e deixou claro que “o silêncio” das irmãs na Igreja “não é uma opção”. “Nós, as irmãs, temos que conseguir fazer com que nossos líderes da Igreja tenham uma visão diferente. Temos a obrigação de levantar a voz. Como é que as irmãs não podem ter nem voz, nem voto no Sínodo? ”, perguntou, na sua vez de falar.

E a irmã sueca Medeleine Fredell criticou em um discurso muito duro que “na Igreja se produzem abusos de todo tipo, sexuais, econômicos, de poder” e também “de silencio às mulheres”. “Não nos permitem compartilharmos nossas interpretações de fé, estamos silenciadas. Não suplicamos poder, o poder sempre corrompe, somente pedirmos para sermos respeitadas”, acrescentou.

O ato contou com a participação do bispo suíço Félix Gmür, que opinou que “é importante que essas inquietudes (das mulheres) sejam estudadas a nível teológico”.

O secretário-geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri, se referiu a essa questão do voto das mulheres no Sínodo durante a coletiva de imprensa de apresentação e se limitou a citar os regulamentos da assembleia que limitam a votação somente aos bispos e a quem o Papa autorize, excepcionalmente.

Na história dos Sínodos, o que começará no próximo domingo, é o que tem o maior número de mulheres.

Além disso, uma outra característica do Sínodo da Amazônia é que na reunião se limitará o mais possível o uso de plástico. Os copos serão de material biodegradável e as bolsas com o material de trabalho dos participantes será de fibra natural.

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