Os inimigos do Papa no Metropol. Artigo de Alberto Melloni

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02 Agosto 2019

"Para esses ambientes, o Papa é o inimigo: não porque ele é um europeísta (ele não é) ou porque ele lute para impedir às direitas de acessar ao voto católico (não o faz). Mas porque o seu carisma apostólico (ele o tem) é o último obstáculo para aqueles que querem tomar as almas católicas e endemoniá-las com o suprematismo, o antissemitismo, o ódio, escondidos no fundo falso de devoções fingidas contra as quais os bispos não sabem dizer "agora chega"."

A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha, em artigo publicado por La Repubblica, 01-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Existem três paralelos entre o caso Siri e o caso Metropol: dizem respeito aos acusados, a incerteza sobre quem os descobriu e a hostilidade pelo Papa daqueles que naqueles episódios também são figuras de primeiro plano. Os protagonistas, de fato, são similares. São figuras provinciais, próximas ao líder da Lega que, aproveitando-se de seu nome ou da proximidade à sua onipotência política, são acusados de terem lidado com os piores inimigos do Estado democrático e os mais certos antagonistas do interesse ocidental. Em um caso, o Siri, eles são acusados de terem feito promessas não cumpridas a um sistema mafioso com uma cadeia de comando muito curta.

No outro caso, aquele russo, a cena é muito parecida: soberanistas à solta, credenciados através da presença em ocasiões que não se reduzem à mundanidade política, negociam acordos que eles não sabem como administrar e revelam mentalidades oportunistas. Cada uma dessas coisas e sua analogia deveria preocupar muito a todos. No entanto, os dois eventos são semelhantes inclusive em seus mistérios. Foi o judiciário que investigou a máfia verde e acusou o ex-subsecretário: agora quem o promoveu tem um problema. Quanto ao affaire Metropol: poderiam ter sido os serviços ocidentais a divulgar as fitas para deixar claro que, quando o governo Trump pede para isolar os fascistas e romper com a Rússia, aqueles que se fazem de surdos têm um problema. Se, por outro lado, for alguma mãozinha russa que liberou aquelas gravações para sancionar a troca, nas mesas europeias, entre o procedimento de infração contra a Itália com o apoio italiano às sanções contra Moscou (posição em que Chipre, Grécia e Bulgária teriam se alinhado), o problema é maior. E depois há a terceira analogia: ou seja, a presença na cena desses eventos daqueles que fizeram do Papa Francisco e da unidade da Igreja Católica um alvo.

Ou seja, Steve Bannon conectado através de Francesco Arata ao caso Siri e Aleksandr Dugin, ligado pessoalmente a Savoini e ao affaire Metropol. "Sacerdotes de populismos que evocam uma falsa realidade pseudo-religiosa" – assim os definiu a "Civiltà Cattolica" em junho - Bannon e Dugin expressam uma política eclesiástica que para atingir a Europa quer separar as igrejas: como já aconteceu com a tragédia do cisma na ortodoxia, e como alguém espera aconteça no catolicismo com o antibergoglismo.

Para esses ambientes, o Papa é o inimigo: não porque ele é um europeísta (ele não é) ou porque ele lute para impedir às direitas de acessar ao voto católico (não o faz). Mas porque o seu carisma apostólico (ele o tem) é o último obstáculo para aqueles que querem tomar as almas católicas e endemoniá-las com o suprematismo, o antissemitismo, o ódio, escondidos no fundo falso de devoções fingidas contra as quais os bispos não sabem dizer "agora chega".

Essa terceira analogia confirma, portanto, que aqueles que se agitam contra Francisco não são apenas farpas de um tradicionalismo febril e barulhento, que delira sobre o papa herético. São peças de um Grande Jogo – dizia-se isso no século XIX - que vão muito além das tramoias rebeldes de algum cardeal obstinado e dizem respeito aos mecanismos de um futuro em que o cristianismo contará não por seus números, mas por suas características.

O caso Metropol e o caso Siri dizem que aqueles que combatem o papa não são os guardiões de gostos barrocos e integrismos interesseiros: são a expressão de um projeto global no qual a Itália é usada como plataforma de lançamento contra a Europa e contra o universalismo cristão dos direitos. E, inclusive, isso não é um problema apenas de alguns, mas de todos.

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