Bolsonaro entrega o Estado aos evangélicos

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12 Julho 2019

Rumo ao Estado (terrivelmente) confessional. Jair Bolsonaro participou de uma cerimônia religiosa celebrada pela Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados. Este bloco, popularmente conhecido como a Bancada da Bíblia, reúne congressistas de vários partidos, em geral da direita, e conta com uma centena de membros, ou seja, cerca de 20% da Câmara dos Deputados.

A reportagem é de Dario Pignotti, publicada por Religión Digital, 11-07-2019. A tradução é do Cepat.

"Vocês sabem como as famílias foram atacadas pelos últimos governos, vocês foram decisivos no resgate dos valores familiares", afirmou Bolsonaro.

"Quantos tentaram nos deixar de lado dizendo que o Estado é laico, sim o Estado é laico, mas nós somos cristãos, ou plagiando a querida Damares, somos terrivelmente cristãos", disse citando a ministra Damares Alves, a pastora encarregada da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos.

Durante o culto, que também envolveu um pastor, os participantes celebraram as frases mais tocantes estendendo as mãos ao céu.

No Brasil, o presidente tem o poder de apresentar ao Congresso os nomes dos candidatos ao Supremo Tribunal Federal toda vez que um membro do mesmo se aposenta ou renuncia.

Até 31 de dezembro de 2021, quando terminar o atual mandato, se aposentarão dois magistrados da suprema Corte.

Ao se referir a esse tema, antecipou que "entre as duas vagas que terei que indicar para o Supremo Tribunal Federal, uma delas será para um juiz terrivelmente evangélico".

A mesma promessa havia sido formulada no mês passado, quando criticou os juízes do Supremo por terem determinado que a homofobia é um crime equivalente ao racismo, condenado à prisão.

Apesar de católico, o ocupante do Palácio do Planalto não esconde suas divergências com o Papa Francisco - aprofundadas pelas opiniões de Bergoglio em defesa da Amazônia - e sua simpatia pelo poderoso movimento neopentecostal do qual recebeu apoio nas eleições do ano passado. Através da pregação de milhares de pastores, as principais correntes pentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus, orientaram seus fiéis a votar no candidato de direita contra o "pecaminoso" Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.

Para agradecer este voto duro, no mês passado, participou da massiva Marcha para Jesus, realizada todos os anos em São Paulo, sendo o primeiro presidente a participar dessa mobilização religiosa.

Contrário ao aborto, a "ideologia de gênero" e a criminalização da homofobia, Jair Messias Bolsonaro foi batizada por um pastor nas águas do rio Jordão, em Israel, em 2016.

Ao participar do ato religioso realizado ontem no Parlamento, o capitão aposentado deu outro passo no sentido de uma aliança, cujo correlato internacional tem sido sua aproximação com o movimento cristão-sionista que patrocina tanto Donald Trump, quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, representante do lobby cristão-sionista, foi o enviado de Trump para a cerimônia de posse do presidente brasileiro, em janeiro passado, e um dos arquitetos da cúpula Trump-Bolsonaro na Casa Branca, realizada em março.

Foi durante essa visita a Washington que Bolsonaro se reuniu com o pastor Pat Robertson, dono da rede Christian's Broadcast Nework e mundialmente famoso, desde o seu apoio à cruzada anticomunista de Ronald Reagan, nos anos 1980.

Pat Robertson e seu filho Gordon pediram a Deus que Washington e Brasília "estejam cada vez mais próximos" e manifestaram sua intenção de apoiar o Brasil em sua "ajuda humanitária" destinada à Venezuela.

Bolsonaro, que aspira ter um império midiático que responda organicamente ao seu projeto de reeleição em 2021, falou ontem de seu desejo de se encontrar em breve com o bispo Edir Macedo, proprietário da empresa de comunicação Record, e de visitar o Templo de Salomão, construído em 2014, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus, que foi homenageada ontem ao completar 42 anos.

A visita de Bolsonaro ao Legislativo deixou duas mensagens: uma em direção à Bancada da Bíblia, sustentada pelos deputados pastores, e outra em direção à Bancada da Bala, cujos membros são em sua maioria policiais estaduais e federais, entre os quais há supostos apoiadores das "milícias" paramilitares.

A estes últimos prometeu um regime especial, que os coloca a salvo da draconiana reforma da previdência que começou a ser tratada nesta quarta-feira no Plenário da Câmara dos Deputados.

Trata-se de um projeto elaborado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, inspirado na reforma previdenciária do ditador Augusto Pinochet, com cujo governo o ministro colaborou no final dos anos 1970.

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